A Copa da exclusão



Reproduzo abaixo coluna que publiquei ontem no diário LANCE!:

“Escutei semana passada no Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo, conversa entre dois garçons sobre a Copa das Confederações. Falavam da opulência dos estádios, que não têm condições de frequentar. Reclamavam do que chamavam de facilidade para construí-los, quando é tão difícil erguer um hospital em São Paulo. Nos bairros dos dois, pelo que entendi, não há nenhum. Tampouco estádio, mas se pudessem optar, preferiam hospital.

Sempre fui a favor da Copa no Brasil, embora jamais da forma como está sendo preparada, com arenas muito mais caras que o previsto, gastança abundante de dinheiro público e o privado só entrando na fase do “bem bom”, caso do Maracanã, cuja administração ficará com o grupo de Eike Batista e da Odebrecht, construtora que está em todas. Ou quase todas.

A exuberância dos estádios parece que se transformou numa agressão à população, como o palácio de Kadafi para os líbios, e dá para entender por quê. Eles viraram um símbolo da exclusão, uma das marcas da Copa no Brasil.

Poderia não ter sido assim se o governo, que sabe que o Mundial será aqui desde 2007, tivesse agido diferente e aproveitado o evento para melhorar uma série de pontos para o povo brasileiro, usando-o como catalisador para mudanças. A questão da mobilidade urbana, por exemplo, deveria ter sido prioritária. Mas em vez de transformar o transporte público em bandeira, o governo passou a incentivar o aumento da frota de carros, reduzindo o IPI e tornando as metrópoles ainda mais intransitáveis.

Quando movimentos populares questionam o porquê de a Copa ser no Brasil, com tantos problemas nas áreas de mobilidade urbana, segurança, moradia, saúde e educação, a indagação e o protesto são legítimos. Porque o Pan de 2007, vou sempre repetir, deveria ter sido usado como exemplo do que não fazer. Orçamento decuplicado e legado minimizado. E não só a Copa segue o mesmo caminho, como os Jogos de 2016, que serão no Rio, também.

Ainda dá tempo pra mudar o rumo? Difícil, mas não impossível. Poderiam começar trocando a cúpula do Comitê Organizador Local, comandado por José Maria Marin.

O que não vale a pena agora é cogitar abrir mão do Mundial. No curto prazo seria péssimo. Pelo dinheiro já investido, pelo que pode render para o setor de turismo ou para possíveis novos negócios e investimentos num momento em que a economia começa a capengar. Quebrar um compromisso já assumido com a comunidade internacional é complicado e teria consequências, algumas mensuráveis, outras não.

As manifestações que tomaram conta do país podem significar um momento de ruptura, especialmente em relação à forma de fazer política. Podemos começar a deixar de ser o país do desperdício, que tem absurdo projeto pra criação de 500 novos municípios, o que aumenta número de políticos e cargos públicos. Mas pra isso não precisamos abdicar do Mundial, apesar de ele ser mesmo pra poucos. Inclusive porque abrir mão da Copa seria realizar o prejuízo. Num país de tanto desperdício, por que acumular mais um?”



  • Thiago Ferreira

    Esse problema dos gastos com a copa, alem da desinformação absurda que certo setor da midia ( está bem definido que é contra), encampa, esta sendo covarde e oportunamente enxertado nas manifestações legitimas da sociedade.

    Reclamavam (é só ler o que diziam pouco tempo atras), do lixo que eram nossos estádios.
    Diária e sistematicamente batiam na necessidade da modernização etc.

    Agora reclamam de “fausto”

    Batem que o transporte, aeroportos são péssimos, e dizem que passaremos vergonha com 600 mil turistas que virão para o evento.

    Omitem, que para o Carnaval chegam mais de 2 milhões e tudo funciona.

    E mais, reclamam dos gastos com a copa, que renova estádios após 63 anos.

    Mas não reclamam do triplo que é gasto todos os anos, para evento de 4 dias, por estados e prefeituras com escolas de samba e carnaval, sem contar subsídios para uma passeata gay caricata e humilhante todos os anos, gabando- de mais de 1 milhão de “simpatizantes”

    Está mais do que na cara, que o que está em jogo, são interesses econômicos financeiros contrariados de certa midia ( que todo mundo sabe) que perdeu os direitos de transmissão da Copa.

    Resumindo, inveja, difamação, e provavelmente até religioso, porque não, já que esta goza de imunidade tributaria sobre as “ofertas” que arrecada, e nem passa perto de incentivo fiscal para desenvolver uma região. Trata-se de renuncia fiscal pura, a cada templo aberto por semana no pais.

    Acho que nosso jornalismo investigativo, não enxerga além de um palmo a frente do próprio nariz. Aí não se sabe se por incompetência ou por interesses de grupos.

    • janca

      Não se trata de reclamar da exuberância das arenas. A promessa para o povo brasileiro é de que não haveria dinheiro público nos estádios, quando não há outra coisa. E os preços acabaram sendo muuuuito acima do que haviam orçado inicialmente. Isso, por si só, já seria motivo pra muita reclamação, sim.

      • Thiago Ferreira

        Não vá você também dizer que os CIDs lei criada em 2004, foi premeditada para o estadio do Corinthians como dizem alguns calhordas não é Janca?
        E não vá dizer que empréstimo as construtoras pelo Bndes, não serão pagos né?
        Os gastos com dinheiro publico, estão nas obras viárias.
        Nos estádios são insignificantes, no entanto omitem essa informação.
        Gastos errados na mobilidade, existem sim, o maior deles nas barbas do jornalismo paulista anti-copa, orçado em 3 bilhões, (mais de 10% dos 28 bi anunciados) mas que suspeitosamente não aparece nas notas dos blogs e mídias.
        Não vá você dizer que desconhece de onde são esses 3 bi, incluídos nesses 28 né?
        Sabe?

        • janca

          Não são insignificantes. Como foram pagos os dois estádios mais caros da Copa, o Mané Garrincha e o Maracanã? Tudo com dinheiro público. E ficaram no orçamento estabelecido? Longe disso. Preços muito acima do esperado. É difícil defender a forma como os estádios foram viabilizados. Com recursos e benefícios públicos, ao contrário do prometido em 2007.

          • Thiago Ferreira

            E os 3 bi? São insignificantes? 3 Maracanãs? Você não falou. Contornou?

          • janca

            Nada é insignificante quando se trata de desperdício de dinheiro público. Absolutamente nada. Nem R$ 3 bi, nem um Maracanã, nem um Engenhão, nem um centavo, aliás.

          • Thiago Ferreira

            Tudo bem então porque não existe a mesma indignação com a “obra” de 3 bi?
            Critica seletiva não vale. Alias acho que ninguém faz questão de saber mesmo qual é, está evidente.
            Talvez porque não seja para os “excluídos” do seu post, certo?

          • janca

            Existe indignação com qualquer centavo público desviado ou mal aplicado. Ou deveria existir.

          • Thiago Ferreira

            http://www.estadao.com.br/noticias/geral,monotrilho-vai-ligar-congonhas-e-morumbi,445265,0.htm

            Prometido em 2007? E o prometido em 2009???????
            Passa batido????

            Porque essa seletividade nas criticas?
            De uma lidinha, no nome do secretário adjunto de transportes metropolitanos.
            3,3 bilhões, são realmente poucos significativos.

            Então agora, como informado, aumente a sua indignação.
            28 bilhões de gastos, 3,3 bilhões em uma obra que não servirá a copa.

            Claro, imagine se isso fosse para Itaquera, e o Secretário Adjunto de Transportes Metropolitanos, fosse por acidente, um dirigente Corinthiano né Janca?
            Fim da linha!!

  • Mario

    sou a favor da copa , olimpiadas , hospitais , escolas e etc etc dá p/ter tudo basta querer acabar com os corruptos q estão no poder.

    acredito q o governo usou o pan 2007 como exemplo sim tanto tem muita gente q trabalho nele e foi ate processada pelo tribunal de contas da união e hj esta no comite olimpico fazendo os mesmos trambiques ate roubaram informações do comite olimpico de londres , Dilma e o Aldo fingem não ver e continuam com o mesmo discurso furado.

    • janca

      O governo usou o Pan como exemplo do que não deve ser feito? Pelo que você mesmo escreveu, não. Tanto que continua fazendo as mesmas bobagens, aumentando gastos públicos e reduzindo o legado.

  • Thiago Ferreira

    Então, dá tempo de suspender as olimpiadas no Brasil.
    Aliás, os direitos das olimpiadas pertencem a qual emissora mesmo?
    Tem criticas aos gastos nesse evento?
    Claro que não.

    • janca

      Não sou favorável à suspensão da Copa no Brasil nem da Olimpíada. Cujos direitos não são apenas da Globo, ao contrário do que você possa imaginar. São da Record também. E claro que tenho críticas a vários dos gastos dos Jogos Olímpicos, como tive críticas ao que foi feito no Pan. Um exemplo, repito, que não deveria ser seguido. Acho que você não entendeu meu post, Thiago.

      • Thiago Ferreira

        Obrigado pela informação. Não sabia que a Globo tinha vencido a disputa pela transmissão dos jogos Olimpicos.
        Achava que os direitos tinham sido comprados pela Record. Agora a Record com direitos junto com a Globo, é simplesmente inacreditável. Parabéns pelo furo.

        • janca

          Não se trata de furo. A Record transmitiu com exclusividade os Jogos de Londres, mas não será o caso dos Jogos do Rio. Você vai poder acompanhá-los também na Globo.

      • Thiago Ferreira

        Pois é. Todos os excluidos poderão acompanhar os jogos olimpicos, mesmo porque “coincidentemente” parece que não “convém” criticar os gastos com esse evento, em apenas uma cidade, que superam os gastos com a copa. Porque será? Mais de 38 bilhões.
        http://www.contasabertas.com.br/WebSite/Noticias/DetalheNoticias.aspx?Id=998

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