O mundo de Aldo



Enquanto o país passa por situação das mais turbulentas, tem gente que parece viver no mundo da lua. Aproveito, então, a ocasião para reproduzir texto que publiquei no LANCE! na última terça-feira. Sobre a Copa, a Olimpíada e o ministro do Esporte:

“Volta e meia, especialmente quando acontece alguma confusão em aeroportos brasileiros, vemos passageiros protestando com o já conhecido bordão “Imagina na Copa”. Mas não acho que teremos grandes problemas no Mundial, a não ser que a população resolva colocar a boca no trombone e protestar durante o evento, já que o básico, construção ou reforma dos estádios, deverá ser feito. A que preço, porém, é a questão, embora uma parte da mídia, mais ufanista, prefira esquecer o custo das obras e só enfatizar a beleza das arenas.

Em relação ao transporte também não imagino tanta dor de cabeça, pelo menos durante o Mundial, já que os governantes devem antecipar férias escolares e decretar feriados em dias de jogos nas cidades que terão partidas da Copa. O problema da mobilidade urbana não é no Mundial, é no dia a dia do cidadão brasileiro, maltratado por nossos governantes.

Deixamos escapar bela oportunidade de usar a Copa como catalisadora de mudanças necessárias que ficassem como legado para a população. Seja na questão de mobilidade, hotelaria ou mesmo numa discussão urbanística, já que as cidades brasileiras crescem sem planejamento algum.

Um exemplo é o setor aéreo. Apesar dos investimentos e dos puxadinhos, recente estudo da FGV aponta para nova e preocupante crise nos aeroportos já na década que vem. Eles seguem saturados, afinal. A questão, enfim, talvez nem seja o “Imagina na Copa”, mas o “Imagina depois da Copa”…

Mesmo no futebol, que poderia ser incrementado com o Mundial, nada tem sido feito, ao contrário da Alemanha, que aproveitou o de 2006 para fazer uma revolução na sua estrutura esportiva. Federação e governo mobilizaram-se para construir centros de treinamento pelo país e investir nas novas gerações. No Brasil, nada.

Apesar de tudo isso, não é que o ministro Aldo Rebelo, do Esporte, segue negando o óbvio? Insiste que a Copa está sendo feita com recursos privados, promessa de Ricardo Teixeira, que dizia que não haveria um centavo de dinheiro público em construção e reforma de estádios. Quando não houve outra coisa. Verba pública e mais verba pública para disponibilizar as 12 arenas.

Em recente entrevista ao “Estadão”, Rebelo voltou a bater nessa tecla, dando declarações preocupantes, como uma sobre os Jogos do Rio, em 2016, que definiu como “um evento muito mais público, que requer investimento do governo”. Como se a Copa não tivesse requerido… E já sinalizando que para a Olimpíada o governo vai abrir de vez as torneiras…

Na mesma entrevista, tentando mostrar que vivemos um mar de tranquilidade quando o assunto é Copa do Mundo, não é que o ministro ainda chegou a dizer que não há um mau relacionamento entre Dilma Rousseff e José Maria Marin? Quando todos sabem que a presidente não suporta o comandante da CBF, cujo passado é atrelado à ditadura militar.

E afirmou que “não há segredo para fazer uma Copa ou Olimpíada”. É pra deixar qualquer um pasmo e para a gente começar a perguntar: Em que mundo você vive, ministro?”



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