A herança de Nobre



Uma das heranças malditas que Paulo Nobre recebeu da gestão passada e que deveria ser repensada não só pelo Palmeiras mas também por outros clubes brasileiros é a tal da multa rescisória para o técnico Gilson Kleina. Se quiser se desfazer do treinador, o Palestra tem que desembolsar 1,5 milhão de reais. Assim talvez seja melhor ficar mesmo com Kleina e apostar no sucesso de seu trabalho. Que espero que venha, seja no Paulista, na Libertadores ou na Série B do Brasileiro.

Estipular altos valores a pagar caso opte pela saída da comissão técnica não é “privilégio” do Palmeiras nem da gestão anterior, comandada por Arnaldo Tirone. Basta examinar os últimos técnicos que passaram pelo clube, com o próprio Tirone ou com Luiz Gonzaga Belluzzo, tido como brilhante economista, mas dirigente desastroso no Verdão.

O Conselho de Orientação e Fiscalização estipula em mais de 4,5 milhões de reais as multas contratuais pagas nas saídas de Vanderlei Luxemburgo, Muricy Ramalho, Antônio Carlos e Luiz Felipe Scolari. É muito dinheiro, fora os altíssimos salários que Luxemburgo, Muricy e Felipão recebiam. Cada um dos três, junto de suas comissões, significava mais de 700 mil reais por mês aos cofres do clube, ainda segundo o COF.

Até entendo que o técnico tem que se proteger, que a profissão é muito instável, mas alguns parece que vivem de multas rescisórias e acabam lucrando com a ciranda. E os clubes têm de tomar cuidado para não virarem reféns dos treinadores. Ou seja, sem dinheiro para demiti-los.

Dois casos emblemáticos aconteceram recentemente no Rio. Alegando que Dorival Júnior recebia cerca de 750 mil reais por mês e não queria renegociar o salário (para baixo, claro), o Flamengo o dispensou. Mas o Vasco, logo depois, anunciou a contratação de Paulo Autuori, tentando fazer do treinador o salvador da pátria. Mesmo sem pagar salários para jogadores e funcionários desde janeiro e com direitos de imagem atrasados há quase um ano, avisou que Autuori receberia menos do que valeria no mercado: 400 mil reais por mês. Como se fosse pouco para um clube atolado em dívidas. Um clube que não pagava seu antecessor, Gaúcho, cujo salário era menos da metade do recebido por Autuori, talvez um quarto do que ganha o “professor”. E de professor em professor andam mal não só o Vasco e o Palmeiras, mas o futebol brasileiro como um todo, tendo na CBF o exemplo mais claro de desorganização, mandos e desmandos. Basta ver o que feito de uns anos para cá com nossa seleção.



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