A campanha de Romário



Romário prepara campanha à reeleição a deputado federal pelo PSB-RJ como metralhadora ambulante do esporte. O ex-jogador, que espera conseguir ampla votação ano que vem com os ataques que vem fazendo à CBF e à organização da Copa de 2014, deve passar a mirar com mais força também o COB e os preparativos aos Jogos do Rio-2016, especialmente depois do escândalo que virou o Engenhão, tido como um dos maiores, se não o maior, legado do Pan.

No Congresso, tem sido voz atuante e importantíssima para dar visibilidade às mazelas do mundo esportivo brasileiro. Pediu, sem sucesso, nova CPI para investigar os negócios da CBF, participa de comissão que discute limitar mandato de dirigentes de confederações e federações e recentemente fez requerimento pedindo a presença de José Maria Marin no Congresso para explicar seu envolvimento com a ditadura militar.

Mas ao atacar Marin e Marco Polo Del Nero, a dupla que comanda (e muito mal) a CBF, porém, Romário tem, pelo menos a me ver, perdido a mão.

No início da gestão Marin, quando se preparava para comentar os Jogos de Londres para a Record, era só elogios ao dirigente, como era só elogios a Del Nero, vide entrevista à revista “Caros Amigos” em maio do ano passado. Na ocasião, o deputado atacava todo mundo, chamava a Fifa de corrupta, criticava a classe política brasileira e batia inclusive em seu partido, o PSB, mas poupava Marin e Del Nero.

Agora não. Em entrevista publicada anteontem pelo “Estadão”, chegou a dizer que sente saudades de Ricardo Teixeira, que teria se preocupado mais com a seleção do que os dois. E vai além. Diz que se Andrés Sanchez for mesmo candidato a presidente da CBF provavelmente terá seu apoio.

Com um discurso assim Romário prega o continuísmo. Ter saudades de Teixeira, por pior que seja Marin (e ele é péssimo), não dá. Nem defender Andrés, que chefiou a delegação brasileira na Copa de 2010 e se tornou escudo de Teixeira como diretor de seleções da CBF.

Uma mexida no futebol brasileiro não passa por Marin, Del Nero nem Andrés. Passa por uma mudança no estatuto da CBF, ampliando seu quadro eleitoral, limitando o mandato do presidente e permitindo a participação da sociedade civil na gestão da seleção, sem falar em nomes de fora do “establishment”. Caso contrário, como acontece em “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, vamos mudar e mudar para voltar exatamente ao mesmo lugar. O velho e conhecido “seis por meia dúzia”. Menos, Romário, menos.



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