A interdição do Engenhão



Não é de surpreender a interdição do Engenhão, cuja estrutura de cobertura, segundo a Prefeitura do Rio, corre o risco de desabar. Desde 2003, quando começaram as obras do estádio, houve um problema após o outro, fosse na questão do custo, fosse na do próprio projeto, mudado em mais de uma ocasião. Depois do Pan de 2007, sem que houvesse um plano para mantê-lo, acabou cedido para o Botafogo.

É um alerta para as arenas que estão sendo construídas para a Copa de 2014. Não basta erguê-las, é preciso uma estratégia para conservá-las e viabilizá-las economicamente, algo que não foi montado até agora em pelo menos metade delas.

No caso do Engenhão não custa lembrar que as obras começaram a ser feitas pela Delta, construtora alvo da CPI que investigou os negócios do contraventor Carlinhos Cachoeira e, como previsto por muitos, acabou em pizza. A Delta, no entanto, assim como faria também com o Maracanã, acabou pulando fora do consórcio que construía o estádio, terminado pelas construtoras OAS e Odebrecht.

O maior problema que enfrenta é de responsabilidade. Não é a primeira vez que o Engenhão, finalizado em 2007 para o Pan do Rio, apresenta problemas na estrutura. O Botafogo acha que cabe à Prefeitura do Rio solucioná-los, o município discute com as empreiteiras, que quer receber para iniciar a reforma, seja do clube, seja da administração Eduardo Paes. E ninguém assume a culpa por uma obra atrapalhada, para não dizer outra coisa, que tanta dor de cabeça _e tantas goteiras_ tem dado ao Rio.

Projetada para receber uma Olimpíada, a arena é chamada de estádio olímpico. Estádio olímpico João Havelange,vale lembrar. Mas para abrigar os Jogos de 2016 teria que passar por nova reforma, fora a questão da cobertura. Precisaria de mais lugares _pelo menos 12 mil_, além de equacionar a questão do estacionamento e do transporte público até o estádio e resolver seus problemas estruturais.

E tem ainda a questão do gramado. Com o excesso de jogos no estádio sem o Maracanã, que foi derrubado para ser construído do zero para a Copa do ano que vem, ele chegou a um estado calamitoso. Tanto que chegou a ser interditado no Brasileiro do ano passado, já que oferecia risco à integridade física dos jogadores.

Ops, e tudo isso sem falar no preço. Orçado inicialmente em 60 milhões de reais, o custo final da obra foi de 380 milhões de reais. Pelo jeito construir estádios não é exatamente uma especialidade brasileira…



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