Dois pesos, duas medidas



Está certo que foram apenas três jogos e é difícil comparar um trabalho de três meses com um que ultrapassou a casa dos dois anos, mas a mídia em geral tem sido muito mais compreensiva com Luiz Felipe Scolari do que foi com Mano Menezes.

A seleção decepcionou nos dois últimos amistosos, quando fez um péssimo segundo tempo contra a Itália, por pouco não levando uma virada, e ontem acabou acuada pela Rússia. Não vejo o time com um esquema de jogo _nem com um esboço de_, a defesa parece um buraco, a marcação é falha e o ataque não rende o necessário, criando muito menos do que poderia.

Até podemos ganhar a Copa das Confederações, como ganhamos a de 2009, na ocasião nas mãos de Dunga, como podemos ganhar o Mundial do ano que vem, mas não temos jogado bola pra nada disso. Estamos alguns patamares abaixo das principais seleções do mundo, fruto da incompetência da CBF, que errou ao apostar tanto tempo em Mano e não teve a ousadia de chamar um técnico estrangeiro pra substituí-lo, no caso Pep Guardiola, que poderia nos devolver a verdadeira essência do nosso futebol. Aquele jogado pra frente, com ótimo toque de bola, criatividade e, por que não?, autoestima.

O brasileiro hoje entra em campo de cabeça baixa, como se já estivesse derrotado. E o que temos visto em campo é um futebol feio, que não marca nem cria, tampouco empolga o torcedor, cada vez mais distante da seleção.

Ainda há tempo para uma mexida, mas Felipão dessa vez não começou bem. Fosse Mano o técnico, estaria sendo massacrado, já que não tem o passado, o currículo e os títulos que o atual técnico da seleção tem. Mas nada disso ganha jogo e, ao contrário de José Maria Marin, que diz ter visto uma evolução na equipe de Felipão, não consigo enxergar nada disso. Nem entender a convocação de alguns jogadores, como Diego Costa, Filipe Luís e o próprio Hulk.

Aliás gostaria de entender a função de Carlos Alberto Parreira na comissão técnica do Brasil. Até aqui não consegui compreender, além de estar lá, a meu ver, como mero figurante, por ter sido campeão do mundo em 1994. Mas depois disso deu vexame em 1998 com a Arábia Saudita, demitido com a Copa em andamento, ainda na primeira fase, com o Brasil em 2006, perdendo o controle do grupo, e com a África do Sul em 2010, primeira vez em que a seleção anfitriã foi eliminada da Copa na fase inicial.

Estão tratando muito mal a amarelinha. O amistoso com a Rússia ontem na Inglaterra foi apenas mais um exemplo disso. Que as coisas mudem daqui pra frente, porque há tempos corremos contra o relógio. Há tempos.



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