O filho do outro



Segue abaixo coluna que publiquei na última terça no diário LANCE! sobre os tristes episódios de racismo e xenofobia que seguem no futebol, vide a saudação nazista feita por um jogador grego ao comemorar um gol no final de semana passado. Que as autoridades fiquem alertas, como ficaram os gregos, banindo o atleta da seleção nacional:

“Se a organização da Copa de 2014 no Brasil segue dando dor de cabeça à Fifa, a história se repete quando o assunto é o Mundial da Rússia, quatro anos depois, embora por razões diferentes.  O racismo e a xenofobia seguem firmes na Europa e com vários tentáculos no futebol.

Nos últimos meses cânticos racistas viraram uma constante nos estádios russos, preocupando as autoridades europeias. O exemplo mais claro é o Zenit, cujos torcedores se rebelaram após a contratação do brasileiro Hulk, sob a inacreditável justificativa de que a cultura do clube é a de ter jogadores brancos.

Na Itália bananas ainda são levadas aos campos e atiradas em jogadores negros. Que o diga o atacante Mario Balotelli, um dos poucos que não levam desaforo pra casa.

Embora seja constante no Velho Continente, o problema não se restringe ao futebol europeu, que viu tristes episódios de racismo e beligerância na Euro-2012. Em Israel, o Beitar Jerusalém, clube que tinha a inconcebível política de só colocar judeus em campo, viu sua torcida se revoltar contra a contratação de dois jogadores muçulmanos da Chechênia. Do lado palestino não é diferente, tanto que a federação local refutou várias vezes tentativas de formar uma seleção misturada com judeus para disputar amistosos internacionais. Uma iniciativa que poderia ajudar a aproximar os dois lados pelo esporte. Ou pelo menos tentar fazê-lo.

Toco no assunto, que é gravíssimo e atual, porque ele mostra como o futebol reflete o que acontece na sociedade e a dificuldade que temos de nos colocar no lugar do outro. Vi, aliás, um filme interessante sobre isso. Não sobre futebol, embora dois dos personagens cheguem a aparecer com a camisa da Seleção Brasileira, idolatrada no Oriente Médio, e haja várias cenas com bola. “O Filho do Outro” conta a história de Joseph, que às vésperas de ingressar no exército de Israel, fica sabendo que foi trocado ao nascer com Yacine, criado por uma família palestina da Cisjordânia. A descoberta faz os dois reverem identidades, valores e crenças e perceberem que os outros também somos nós.

O filme deveria servir de reflexão não só para judeus e palestinos, mas para aqueles europeus que parecem não ter aprendido muito com a Segunda Guerra Mundial e seguem destilando seu veneno e entoando cânticos racistas em estádios de futebol. Cânticos que deveriam ser proibidos, porque nem tudo pode ser dito, inclusive em regimes democráticos. Por mais que possam argumentar que estou indo contra a liberdade de expressão, digo que não. É algo sobre o qual tenho refletido muito nos últimos tempos. Quando se dizem coisas que podem gerar preconceitos e prejudicar ainda mais grupos já excluídos ou minoritários, elas deveriam ser tratadas na esfera criminal. Pois incentivam e podem gerar reações de violência contra eles.

Que pensemos sobre tudo isso por aqui também, já que estamos longe de erradicar o problema, basta lembrar a escolha de um deputado racista e homofóbico para presidir a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.”



  • francotimao

    Janca, esse é um assunto deveras intrigante e polemico (não deveria ser) mas o é, mas o preconceito esta arraigado na sociedade mundial, onde milhares de anos de guerra e desentendimentos por terras, raças, crenças e outros, foram motivos de inimizades e ódios, então eu tenho sérias duvidas q esse estado de coisas ira terminar um dia, espero estar errado..Abs!!!!!!!!

    • janca

      Também tenho dúvidas, mas que dever ser combatido o racismo, pra ficar em apenas um exemplo, deve. E com rigor. Mas que ando descrente em relação à humanidade, Francotimão, ando. Pelo jeito como você. O homem é um ser muito complicado.

  • Mario

    Racismo é um cancer e como tal tem q ser estripado sem dó , mas isso só ira acontecer qnd as pessoas começarem a lutar pela melhora do ser humano parando de pensar só em si e no lucro pessoal.

    Agora as pessoas tem q assumir mais responsabilidades e cargos politicos no governo , nas associações como OAB e ongs para lutar por reais mudanças na nossa sociedade e não ficar só reclamando.

    • janca

      A sociedade civil tem que participar mais e pressionar por mudanças, concordo com você. Mas no caso de ONGs é sempre bom lembrar que há ONGs e ONGs. Algumas acabam se alimentando do governo e fazendo pouco ou nada pela sociedade. Mas não são todas. Conheço ONGs que fazem trabalhos fantásticos, Mario.

  • Vaz

    Por aqui os cânticos são de ódio e pregam a violência mas é só passear por redes sociais e as veremos o uso de termos racistas e preconceituosos para definir toda a torcida dos adversários. São expressões que vão de cunho sexual até tratamentos ofensivos contra a honra e a moral de pessoas ou grupo de torcedores que terminam nas excecráveis pregações pela morte de adversários. Não estamos muito diferentes da Europa.
    É por esta razão que não vejo a punição de clubes por atos de torcida como solução. Servem apenas para esconder a incapacidade de resolver a coisa fora dos estádios que tem refletido em suas torcidas o dia a dia de intolerâmcia do país. Querem maior exemplo que a Lacio? São décadas de racismo sem qualquer mudança de postura.
    As punições tem que ser duras e individuais caso contrário o anonimato da massa só estimula estas ações.

    • janca

      Muitos dos cânticos no Brasil pregam a violência, o que é uma lástima, Vaz. Você tem razão. Não estamos muito diferentes da Europa. Veja na internet _esse blog é exemplo disso_ o nível de alguns comentários. Muitos deles são preconceituosos, racistas, homofóbicos, eles refletem uma parcela da nossa sociedade, parcela que se esconde, muitas vezes, no anonimato. Seja na internet, seja nas ruas ou nos estádios, quando o indíviduo se esconde na multidão e faz coisas que sozinho não faria. O comportamento de massas explica muita coisa.

  • Edson – Santo André

    Olá Janca!

    Concordo plenamente! Algumas pessoas estão confundindo liberdade de expressão com falta de respeito, ética e decência. Penso que meu direito acaba quando começa o seu e vice-versa.

    Tive uma tia que já faleceu que não aceitava a diversidade racial. Sempre enquanto era viva, fazia piadas de extremo mau gosto contra negros, e não somente, contra nordestinos também.

    Pois em seus últimos meses de vida ela ficou muito doente e precisou ser hospitalizada. Adivinhem só quais foram as pessoas mais atenciosas e amáveis com ela: Uma médica negra e uma enfermeira nordestina.

    Acredito que somente em seu leito de morte ela se deu conta que somos todos exatamente iguais, de coração e sentimentos bons e ruins, com os mesmos direitos e deveres, e merecendo o mesmo respeito.

    Nem sempre uma boa estrutura educacional é capaz de resolver esses problemas, uma vez que essa minha tia tinha uma condição financeira boa.

    Para resolver esse problema é necessária muita conscientização e atuação forte por parte de todos os níveis da nossa sociedade, começando em nossas casas, ensinando a nossos filhos a cultivar o verdadeiro caráter, o bom caráter e a retidão. Nós temos e podemos ser exemplo, um bom exemplo.

    Abs.

    • janca

      Racismo é abominável. No Brasil o preconceito de alguns _ou muitos_ do Sul e Sudeste contra nordestinos é outra aberração. O que seria de São Paulo, por exemplo, sem os nordestinos? E somos todos brasileiros!!! Na internet ou escondidos no meio da massa vemos muito um lado tenebroso do ser humano, que parece não ter aprendido com a história. Acho educação fundamental, mas ainda assim fico assustado com o que aconteceu num país como a Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Um país que sempre foi considerado um berço cultural. De fato nem sempre uma boa estrutura educacional resolve o problema, concordo com você, mas em tese pode ajudar, Edson. É algo para refletirmos, pois o tema é muito grave.

      • Edson – Santo André

        Tem razão Janca! O problema na Alemanha é que infelizmente muitas pessoas concordavam com a idéia absurda do Adolf Hitler, e essa “essência” acabou sendo passada por parte dessas pessoas de geração a geração, e somente essas gerações gradativamente vão diluindo essas idéias racistas, apesar de que, com o advento da internet, que é uma “terra-sem-lei”, ficou muito mais fácil difundir essas idéias, vide, por exemplo, as brigas que as torcidas organizadas (ou a parte desprezível desses torcedores organizados) marcam através da rede ou como na campanha eleitoral de São Paulo, onde “anônimos” atacavam candidatos A, B ou C das maneiras mais indecentes e sujas. Nesse ponto, os meios de comunicação têm papel fundamental, pois são formadores de opinião, e como tal, podem prestar esse serviço valiosíssimo a nossa sociedade e a cada lugar desse mundo, inclusive na Alemanha. Ai vai depender de como eles, de maneira geral, enxergam esse problemas.

        Espero estar vivo para ver este problema de intolerância racial, étnica e de gênero resolvido de uma vez por todas.

        Abs.

        • janca

          Não sei quantos anos você tem, Edson, mas duvido que estará vivo pra ver o fim da intolerância racial, de gênero, o que for. O ser humano é complicado demais…

          • Edson – Santo André

            Verdade Janca, infelizmente!! Parabens pelo blog!!!

            Edson – Santo André

            Ps: Se tudo transcorrer “naturalmente” acho que vivo mais uns 40 anos rsrsrs

          • janca

            Mas pra varrer o racismo e a xenofobia talvez precisemos de uns 400 anos. E nem assim consigamos. A não ser que você viva alguns séculos mais _e talvez nem assim_, não sei se verá um mundo melhor. Pode até ser que isso aconteça _um mundo melhor, não você viver 400 anos (rs)_ em breve, mas ando cético. Abs.

  • Flavio

    O racismo e qualquer tipo de discriminação não deveriam fazer parte do nosso dia-a-dia, mas infelizmente faz.

    Só que há uma certa tolerância incompreensível quando o racismo é reverso.

    Samuel L. Jackson é um ator hollywoodiano famoso que é negro e uma vez ele disse num programa de TV :

    “Votei em Obama porque ele era um candidato negro”.

    Ninguém, mas ninguém mesmo falou nada… ninguém deu importância.

    Agora imaginem se o Tom Cruise, que é um ator igualmente famoso, vem a público e diz exatamente a mesma coisa :

    “Votei em Arnold Schwarzenegger porque ele é um candidato branco”.

    Nossa! Dava guerra, passeata, Globo Reporter, processo crime, greve, enfim, todo mundo taxaria o Tom de racista.

    Hipocrisia e demagogia, além de falta total de critério para identificar atos de racismo.

    Tem que valer para todos os lados. Judeus e palestinos, brancos e negros, orientais e ocidentais, homens e mulheres, heteros e gays, russos e americanos.

  • Ton

    Janca, esse realmente é um assunto muito polêmico. Aqui não Brasil as pessoas não sabem a diferença entre “Discriminação” e “Preconceito”. Nos Estados Unidos, o só o primeiro é crime. No Brasil proibiram uma palavra que se tornou pior que um palavrão, a palavra é “Macaco”. Um jogador de futebol pode chamar o outro de FDP, Nordestino, Paraíba, viado e outros…… Nada acontece! Mas se chamar de “macaco” vai preso. Lembra do caso Grafite??? Que dizer que podemos ofender alguém por ter nascido na região nordeste ou por ser homossexual mas não podemos ofender uma pessoa da cor negra? No mínimo, incoerente……será que se no calor de uma partida um jogador Negro falar para um jogador Branco “Seu branquelo maldito, macaco das neves”…esse jogador negro também responderia por racismo?????????????? Particularmente eu acho absurdo a pessoa ser discriminada pela por cor da pela, região onde nasceu, opção sexual ou qualquer outra coisa que não seja relacionada ao caráter. Mas ninguém pode ter tratamento especial ou ser tratado como “coitadinho”. Afinal, pau que bate em Chico, bate em Franscisco.

    PS:Tenho descendência Negra na família.

    • janca

      Putz, Ton, vou discordar veementemente de você. Não sou defensor do politicamente correto, acho que hoje é algo exagerado e enfadonho até. Mas algumas colocações têm que ser muito bem pensadas antes de serem colocadas. O pastor que foi escolhido presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, por exemplo, com suas declarações racistas e homofóbicas e contra grupos que já são alvos de exclusão, é o fim da picada, pra não dizer outra coisa. Como você acho que ninguém deveria ser discriminado por cor da pele, região onde nasceu ou preferência sexual, só que do jeito que você coloca as coisas parece que está tudo bem chamar um jogador de negro de “macaco”, quando não está. Com todo respeito, chamar de FDP acho que é outra coisa, uma forma de extravasar que não carrega preconceito nenhum. É bem diferente de chamar alguém de “macaco” ou atirar bananas num jogador negro. E não acho que os negros são tratados como coitadinhos, muitíssimo pelo contrário. Pelas suas colocações entendi que você acha que são…

      • Ton

        Discordar é excelente para o fortalecimento de ideias e da Democracia, Janca. O tema é polêmico e acho difícil se expressar de uma forma 100 % clara, mas a gente tenta…. Algumas atitudes que são colocadas com relação aos negros, entendo que os colocam como “coitadinhos” sim, veja o sistema de cotas é um exemplo disso. Eu particularmente acredito que não se desfaz um preconceito fazendo distinção, só é possível sana-lo se olharmos uns para os outros de maneira igualitária. “Atirar bananas” ou qualquer outra coisa é uma coisa mais absurda ainda porque pra mim isso já é agressão. Palavras não machucam, pelos menos não fisicamente. Como seria bom se ninguém ofendesse ninguém, mas entendo ser incoerente punir uma pessoa que tem preconceito de cor e não punir uma que tenha preconceito regional, ou ainda punir uma pessoa que ofende um negro e não punir uma que ofende um branco. Para mim, isso fere o princípio igualitário! Abs.

        • janca

          Claro que discordar faz parte e é importante pra gente fortalecer a democracia, como você coloca. Ainda mais quando as pessoas discordam sem agressão. Mas sigo discordando de você. Não acho, por exemplo, que os negros são tratados como “coitadinhos”. De jeito nenhum. Acho que são tratados, por muita gente, com muito preconceito, isso sim. Não só na Europa. No Brasil temos isso acontecendo frequentemente. O racismo cordial, como dizem alguns, ou não tão cordial assim. Eu, particularmente, sou favorável ao sistema de cotas, embora ache que ele tenha que ser aperfeiçoado e entenda que seja um tema polêmico. Racismo acho mais grave do que preconceito regional _mas tão grave quanto a xenofobia. Ou seja, há preconceitos regionais e preconceitos regionais… E no caso da ofensa a um branco, como você diz, como os brancos dominam e detêm o poder no Brasil, não acho que haja racismo. E é diferente chamar um negro de “macaco” e um branco de “branquelo”. Pelo menos é o que eu acho.

  • Maurício de Manaus

    Parabéns JANCA!
    Você, como sempre, “dando um banho” de racionalidade em assuntos que estão “balançando”, tanto o Brasil, quanto o Mundo.
    Grande abraço.

    • janca

      Valeu, Maurício. Grande abraço e bom final de semana pra você, Janca

  • Edson – Santo André

    Verdade Janca, infelizmente!! Parabens pelo blog!!!

    Edson – Santo André

    Ps: Se tudo transcorrer “naturalmente” acho que vivo mais uns 40 anos rsrsrs

  • marcelo kapa santos

    é muito triste isso janca,é a pura ignorância humana como muito foi repeitido aqui,o ser humano é muito complicado!
    é triste que seja preciso criar leis,punições para quem comete ato de qualquer tipo de discriminação ou violência.ver eleito um deputado imbecil,pra ser o mais educado possível,para irônicamente defender os direitos humanos e minorias!
    aí você vê no esporte onde se deve existir alegria,respeito,tem violência,preconceito,corrupção…é realmente polêmico e são coisas que vem de tempos e tempos,não é de hoje e é sempre discutido quando isso vai parar?
    a impressão que se dá é que vai piorando a medida que o tempo passa,porque se vê as denuncias,os responsáveis e no fim volta a tudo como era antes.
    como fazer a coisa certa se quem comanda é alheio a isso tudo?
    aí o buraco é mais embaixo…e sem fim!

    • janca

      Bem mais embaixo, Marcelo. E o futebol _e os estádios (como a internet também)_ não deixa de ser um retrato da sociedade. Ou de parte dela.

  • Ado Marcelo

    Eu vejo racismo por parte da CONMEBOL que aparentemente não gosta de brasileiros, basta ver que só aplica punições para nós. Não discuto interdição da torcida ou 4 jogos para o Luis Fabiano, o que estou dizendo é que o rigor é só com brasileiro.

    • janca

      Não vejo assim, embora a Conmebol venha punindo os clubes brasileiros _e com razão. Talvez deva punir mais os outros também, pode ser, mas não por não gostar de brasileiros, que aliás não são (ou não somos) uma raça. O Brasil hoje é o principal país da Libertadores, o que mais dá renda e visibilidade ao torneio, inclusive em relação aos direitos de TV.

  • Oscar de Melo

    Janca,o racismo na Europa só difere do nosso,pra nós mesmos,pois nos sentimos ofendidos com o que vem de fora,e nos preocupamos menos com o que vemos em casa.No Brasil,ser pobre,negro ou nordestino,é quase um crime aos olhos dos imbecis.Quanta discriminação e preconceito escondido sem que se haja uma ofensa direta.Só pra citar de exemplo,quantos jornalistas negros você conhece?Apresentador(a) de TV então?Atores e atrizes ainda são poucos.Em um país onde 90% da população tem alguma descendência negra ou indígena,é inegável que há diferenciação.Mas sou otimista,como dizia uma professora de filosofia da educação que tive na faculdade,sou um romântico,e como já disse em outro assunto sobre a política,nesta questão também vejo avanços,pois já fomos piores,e mesmo que em passos de tartaruga essa luta pende para o lado justo,correto,e quem sabe um dia seremos uma só raça,a raça humana,pois hoje existem muito mais pessoas contrárias à discriminação e preconceito,que ha tempos atrás.Levantar essas discussões como você faz,acrescenta mais oxigênio à causa,faz pensar,refletir,misturar futebol com problemas reais,deixa o nosso cérebro menos preguiçoso,forma opinião,e pode até,quem sabe,inibir agressões verbais entre os seus leitores

    • janca

      Oi Oscar. Talvez você tenha razão _sobre as vozes que aparecem contra a discriminação, o preconceito e o racismo. E quando você vai a um restaurante mais caro dificilmente encontra um negro jantando. Há poucos jornalistas, médicos, cientistas negros, porque os negros têm menos oportunidades e um histórico de exclusão que vem desde os tempos da escravidão. E isso tem que mudar. Sei que é polêmica a questão, mas até por isso defendo, sim, um sistema de cotas. Que pode ser melhorado. Políticas afirmativas fizeram parte da história dos Estados Unidos, onde você hoje encontra mais negros em posição de destaque e exercendo profissões e ocupando espaços que antes não tinham do que há alguns anos.

      • Oscar de Melo

        No futebol,ainda vemos muita tolerância na FIFA com esse tipo de atitude,muito por conta da idade avançada de seus intengrantes.Sem querer criar um estereótipo de racista para idosos,não podemos ignorar a cultura dos tempos,pois esses idosos,viveram a maior parte de suas vidas em uma sociedade que aceitava e até mesmo incentivava o racismo.Difícil lutar contra o que acreditavam ser verdade em suas infâncias.Porém,dentro do meu otimismo/romantismo,acredito que a renovação do pessoal da entidade,trará novos rumos à intolerância.É aguardar pra ver.Espero estar vivo quando a FIFA tomar atitudes mais sensatas.

        • janca

          Não acho que tenha relação alguma com a questão da idade. E a Fifa até tenta se mexer em relação ao racismo, por exemplo, mas é um problema que transcende a entidade. Ainda em relação à idade, conheço muita gente na faixa dos 80 de cabeça arejada e muitos jovens de 20 com mente estreita. Então acho que isso o que você diz não procede. O problema do Blatter não é a idade. Nem o do Marin, que preside a CBF. Com 43 anos o presidente da CBF era ligado à ditadura militar, pedia providências contra o que considerava infiltração comunista na TV Cultura, não o vejo muito diferente aos 81. Alguns melhoram com o passar do tempo, outros não. Tudo é muito relativo.

          • Oscar de Melo

            A história nos mostra,que quanto mais voltamos ao passado,mais absurda é a relação branco/negro,rico/pobre.Basta retroceder um pouco no tempo,para observarmos o quanto se tolerava o racismo,e a cada década que retrocedemos,nos atolamos mais e mais nos padrões distorcidos de nossos antepassados sobre o que chamavam de “gente de bem”,onde negros e pobres não pertenciam a essa classe,que até hoje,ouço alguns idosos se referindo a eles como “essa gente”,expressão muito comum pra quem tem uma certa idade,e duvido que nunca tenha ouvido.Racismo no passado foi sem sombra de dúvidas,muito mais pesado que o de hoje,e acho que fui mal compreendido por ligar idade ao racismo,porém,faz sentido,e não tem como negar que,ao conviver com a intolerância racial dentro de casa na infância,pode tornar qualquer pessoa suscetível à essa intolerância,é a pré-disposição do ser humano em se tornar parte da cultura em que vive.Você deu o exemplo do Marin com 43 anos,que já estava ligado à ditadura,o que entra exatamente na cultura desse tempo do qual citei.Quem tem 43 anos hoje,provavelmente terá aos seus 81 anos,uma ideia diferente sobre racismo,pois o racismo não é da idade e sim do período em que viveu,do quão racista era a sociedade na época,e o quanto a influência negativa pode alterar o discernimento de uma pessoa pro resto sua vida.

          • janca

            Do jeito que você coloca dá a impressão de que os mais velhos tendem a ser racistas, os mais jovens, não. E racismo não tem a ver com idade.

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