A Copa e a política



Em vez de ser tratada com seriedade, a Copa do Mundo segue conduzida na base do improviso no Brasil. Uma das áreas estratégicas para o Mundial, a Aviação Civil, foi entregue sábado a Moreira Franco, que ocupava a pasta de Assuntos Estratégicos, com a única finalidade de contentar o PMDB, aliado da presidente Dilma Rousseff para as eleições de 2014. Moreira Franco está longe de ser especialista na área, mas isso, para o governo, é o que menos importa. Acabou dispensado Wagner Bittencourt, o técnico que comandava a Aviação Civil e tentava colocar a casa em ordem. Mas como não tinha filiação partidária…

Também por interesses políticos, a Secretaria de Assuntos Estratégicos chegou a ser oferecida ao PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab, que recusou, fazendo jogo duro para entrar na base aliada e tentando aumentar o poder de barganha de seu partido.

Já a bancada do PR, que perdeu o Ministério dos Transportes depois das denúncias de corrupção que derrubaram Alfredo Nascimento, quer a saída do atual ministro, Paulo Sérgio Passos. De Dilma acaba de receber a oferta para controlar o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a Valec, estatal que cuida das ferrovias. Não por ter quadros capacitados para o setor, mas com vistas às alianças de 2014.

Mesmo o Esporte, nas mãos de Aldo Rebelo, longe de ser especialista na área, é uma pasta loteada há tempos pelo PCdoB. Também por interesses estritamente políticos. Antes de Rebelo, que trabalhava na reforma do Código Florestal Brasileiro, foi ocupada por Agnelo Queiroz, então representante do partido comunista, e Orlando Silva. O último, também representante do PCdoB, só deixou o ministério devido a denúncias de corrupção. Mas o partido continuou comandando o Esporte…

Com 39 ministérios e o fisiologismo imperando, as obras necessárias para a Copa seguem atrasadas e a oportunidade que o país ganhou em 2007 de receber o Mundial e usá-lo para melhorar uma série de setores, entre os quais o de mobilidade urbana, vai sendo jogada no lixo.

Um entre vários exemplos é o caso da Arena Pantanal, que teve o consórcio responsável pela obra desmontado e não sabemos quando ficará pronta. O governo diz que em outubro, a Fifa acha que não. O prazo, acreditem ou não, era dezembro do ano passado…

Sem falar que o que será feito de boa parte das arenas depois do Mundial até hoje é desconhecido, pois não há nenhum estudo sério sobre o pós-Copa. Se não houve para o pré, haveria para o pós? E depois vão reclamar se sobrar um elefante branco aqui, outro acolá…



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