Estrelas x Ney Franco



Ney Franco acertou ao dizer que não vai mais acatar reclamações públicas de jogadores que insistem em interferir na escalação do São Paulo. O técnico é ele e a hierarquia tem de ser respeitada.

A situação do treinador, no entanto, segue complicada, já que o vice de futebol, João Paulo de Jesus Lopes, defende sua saída do Morumbi e pressiona Juvenal Juvêncio a demiti-lo antes mesmo do jogo contra o The Strongest, em 4 de abril, na Bolívia, que pode decidir a sorte do clube na Libertadores. Após a partida contra os bolivianos, no Morumbi, o dirigente declarou que havia ficado envergonhado com a atuação do time e recebeu o troco de Ney Franco.

Oficialmente Jesus Lopes nega que queira a saída do técnico e defende seu trabalho, tanto que chegou a elogiar a atuação do São Paulo no empate por 1 a 1, no Pacaembu, diante do Arsenal, apesar das críticas da torcida, responsabilizando a imprensa pelos ânimos exaltados no Tricolor. 

Grupos de conselheiros e torcedores também têm atacado Ney Franco, que não conseguiu montar um esquema de jogo para o time em 2013 e se perdeu na parte tática após a saída de Lucas para a França.

O estafe de Ganso, principal aposta são-paulina para a temporada, tem atiçado o atleta, que é mal assessorado, aliás, contra o técnico. Ganso está inconformado com o banco de reservas, mas há pelo menos dois anos não rende o que mostrou antes da Copa de 2010. Saiu em litígio do Santos e não se encontrou no Morumbi.

Outro descontente é o zagueiro Lúcio, que tem atuado mal, não deu segurança nenhuma à defesa, que vinha rendendo mais no final de 2012 com Rafael Tolói e Rhodolfo do que agora.

Para piorar, Rogério Ceni até hoje não engole a bronca que levou de Ney Franco ano passado, quando pediu a entrada de Cícero num jogo da Sul-Americana e viu o técnico optar por William José. Na ocasião o treinador deixou claro que quem manda é ele, recebendo respaldo do presidente são-paulino, que é favorável à sua continuação no cargo pelo menos até que o destino do São Paulo seja definido na Libertadores. Se passar pela fase de grupos, seguiria. Eliminado, sairia. 

A boa campanha no Paulista, onde o time é líder do torneio, não conta na avaliação, já que a primeira fase do Paulista, com 19 jogos pra cada time, classificando-se oito à fase final, pouco vale.

Concordo que neste início de ano Ney Franco não conseguiu acertar a equipe, que não tem padrão de jogo e está perdida em diversos setores, especialmente na defesa. Mas Juvenal já testou vários treinadores, tirando um após o outro, e o São Paulo segue com problemas. O principal deles talvez não seja a comissão técnica e sim a diretoria, mais preocupada em se perpetuar no poder e minar qualquer tentativa de oposição do que em comandar o clube. Tanto que apoiou mudança no estatuto para o próprio Juvenal ganhar mais um mandato como presidente. O São Paulo já viveu dias melhores. Bem melhores, aliás.



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