O outono da CBF



Reproduzo aqui uma das colunas que publiquei no diário LANCE! a respeito da CBF, cuja estrutura tem de mudar. É a entidade que administra um dos principais produtos nacionais, a seleção brasileira, que não pode ficar nas mãos dos mesmos por mais de duas décadas, tratada como algo particular, quando é pública. É pública a seleção e tem caráter público a confederação responsável por ela. Mudanças têm de ser feitas e em caráter de urgência. Segue abaixo texto sobre o assunto:

“Quando eclodiu a Primavera Árabe e começaram a cair as ditaduras em países como Tunísia, Egito e Líbia, muitos comemoraram, não sem razão, embora a grande questão sempre tenha sido o que aconteceria no chamado dia seguinte. Não adianta trocar seis por meia dúzia, um risco de toda revolução, como podemos ver no Egito, onde o governo islamita começou a se parecer cada vez mais com o do ditador Hosni Mubarak, derrubado há mais de dois anos.

Na Confederação Brasileira de Futebol as coisas não são muito diferentes. A queda de Ricardo Teixeira, que tanto mal fez ao futebol, deixou como legado a dupla José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, com Marin, o vice mais velho, ganhando de presente a presidência da entidade. E já preparando o trono para Del Nero nas eleições de abril de 2014, dois meses antes da Copa, apesar de o mandato do atual presidente só terminar em 2015. Mudam os nomes, a estrutura permanece a mesma. E se depender da cúpula da CBF vai ser sempre assim.

É por essas e outras que o governo e a sociedade civil deveriam rediscutir o papel e os poderes da confederação e lutar por mudanças. Não, não defendo intervenção nenhuma, mas uma redefinição da função e da própria estrutura da CBF, que administra muito mal o futebol brasileiro.

Quem alega que a CBF é uma entidade privada, que não vive de recursos públicos e por isso deve ser tratada de forma diferente do Comitê Olímpico Brasileiro, que é irrigado por verbas do governo, bancado pelo seu, o meu e o nosso dinheiro, não vê ou não quer ver que o princípio é o mesmo.

Com ou sem verba pública, a CBF administra um dos principais produtos do Brasil, que é sua Seleção, conhecida no mundo todo e um cartão de visita para o país. E administra mal, tanto que há tempos ela não estava tão desvalorizada no mercado. Trata a Seleção como se fosse propriedade particular sua e de seus dirigentes, fazendo dela o que bem entender, quando não deveria ser assim.

Por que não limitar os mandatos dos dirigentes, permitindo a rotatividade do poder? Por que não formar um conselho, com representantes de diferentes setores da sociedade, inclusive do governo, para gerir a entidade? Por que não mudar o colégio eleitoral, hoje nas mãos de dirigentes de federações e clubes, muitos dos quais dependem da própria CBF e se contentam com mimos, viagens ao exterior, ingressos pra jogos e assim por diante? Por que não passar a administração dos campeonatos nacionais para uma liga de clubes? Talvez porque não interesse a quem está no poder.

Mas há muito a discutir. Que a Copa e a Olimpíada de 2016 sirvam pelo menos pra isso, porque o esporte brasileiro não pode ficar nas mãos sempre dos mesmos, sem renovação de quadros, novas ideias e modelos, num sistema em que presidente de confederação, federação ou clube esportivo em vez de ser função acaba virando profissão.”



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