O Maracanã de presente?



Com a divulgação do edital do Maracanã na última quarta, faço uma atualização de coluna que publiquei há algum tempo no diário LANCE! sobre a concessão do estádio. Uma discussão que acho importante às vésperas da Copa das Confederações e do Mundial que teremos ano que vem:

“O uso das arenas erguidas ou reformuladas para a Copa de 2014 deve ser uma das preocupações dos organizadores e dos órgãos públicos envolvidos no evento. Erguer elefantes brancos não dá. É, no mínimo, um ônus desnecessário e descabido pra todos nós, brasileiros. De elefante branco o Maracanã não tem nada, mas nem por isso concordo com o que foi idealizado pra ele.

O governo gasta quase 1 bilhão de reais pra reconstruir o estádio e depois o cede para a iniciativa privada administrar? Acho sem sentido. Até entendo o argumento de que seria muito complicado atrair empresas que tivessem que gastar mais de 850 milhões de reais na arena e, por isso, o Estado do Rio tenha optado por arcar com os custos. Mas se o governo se acha rico e competente o suficiente pra tocar a reforma, por que não seria pra administrar a arena? Por que a repassar a um preço tão baixo à iniciativa privada? O gasto é público, com dinheiro do contribuinte, mas o benefício acaba sendo privado.

O consórcio ou empresa que vencer a licitação teria, é verdade, que investir quase 600 milhões de reais principalmente com demolição e reconstrução em outro local do Parque Aquático Júlio Delamare e do estádio Célio de Barros, apesar de reclamações de dirigentes das confederações brasileiras de Desportos Aquáticos e Atletismo. Mas poderá pagar 4,5 milhões de reais por ano ao governo do Rio, governo que estima receitas anuais de 154 milhões de reais para o vencedor e despesas de 43 milhões. Sendo que a concessão pode ser por 35 anos. Além do Maracanã e de todo o complexo que o cerca, o vencedor poderá administrar um museu do futebol, uma cadeia de lojas, bares e restaurantes, outra de cinema, ainda em discussão, fora um estacionamento para 2 mil veículos.

Não questiono que a iniciativa privada, livre de amarras que atravancam a administração pública, tende a levar vantagem na gestão, com mais facilidade na hora de fechar contratos, chamar pessoal e fazer compras pra melhorar o serviço. Mas sigo acreditando que, se o governo gastou tanto dinheiro pra refazer o estádio, deveria tentar aprimorar a gestão e não simplesmente repassá-la a particulares. Ou, se o fizesse, que colocasse o valor do “aluguel” em um patamar mais alto e não mais baixo _inicialmente a previsão era de que ele seria de 7 milhões de reais por ano, agora caiu para 4,5 milhões de reais, dado o aumento no valor do investimento no complexo previsto no edital.

O Maraca é um patrimônio não só do Rio e assim deveria ser tratado. Menos mal que, ao idealizar a licitação, o governo tenha resolvido exigir que clubes como Flamengo e Fluminense, sem estádio próprio, se unam a empresas para concorrer e tenha avisado que não haverá exclusividade a ninguém, ou seja, todos os grandes do Rio e a Seleção poderão usar o local. Menos mal também que o futuro gestor não possa vender os “naming rights” e que o estádio não será batizado com outro nome, bem como a autorização para que empresa estrangeira participe da concorrência. Sei que o Estado se mete em projetos demais, mas ceder ativos apenas pra se desfazer deles, como a Prefeitura fez com o Engenhão, acho discutível.”



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