A missão do advogado



O advogado da Gaviões da Fiel, Ricardo Cabral, tem a missão de convencer a polícia e as autoridades brasileiras e bolivianas de que o garoto de 17 anos que se apresentou ontem à Vara da Infância e Juventude de Guarulhos foi mesmo o autor do disparo do sinalizador que matou Kevin Espada, de 14 anos.

O Ministério Público, a polícia e a imprensa boliviana seguem questionando a autoria do disparo, lembrando que um vídeo da TV local apresenta corintianos apontando outro indivíduo pelo ato _um dos 12 detidos em Oruro. Lembram ainda que, pela Constituição brasileira, por ser menor de idade, o rapaz que se diz autor do disparo pode passar um tempo na Fundação Casa, ser submetido a trabalhos socioeducativos e nada mais que isso.

Veem, enfim, na estratégia de Ricardo Cabral e da Gaviões da Fiel, uma forma de tirar a responsabilidade da organizada. O advogado, que quer provar que o garoto que, pelo menos em tese, defende, é de fato o autor do disparo, diz que ele viajou com autorização da mãe e que a torcida não sabia que estava com sinalizadores. Afirma, ainda, que o rapaz comprou seis sinalizadores sem o conhecimento da Gaviões, que seria contra o artefato no estádio e proibiria seus integrantes de usá-los.

Sigo não sendo contra a existência das organizadas, pois acho que as extinguir e proibi-las, enfim, é uma medida não só arbitrária, mas que impede o direito de livre associação. Acredito, no entanto, que elas _e não só a Gaviões_ deveriam sofrer uma devassa da polícia e do Ministério Público, que têm a obrigação de esclarecer à sociedade seu modo de funcionamento e fontes de financiamento. Assim como várias escolas de samba, aliás, há as suspeitas de ligação com o crime organizado, o que, se comprovado, não pode ficar simplesmente como está. É o momento de mudar muita coisa ou de deixar cair no esquecimento, algo, aliás, em que somos PhD no Brasil.



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