Corinthians padroniza discurso



A diretoria corintiana pediu a jogadores e comissão técnica que tenham cuidado ao abordar a morte do garoto Kevin Douglas Espada, 14, atingido por um sinalizador que teria sido lançado pela torcida do time. O objetivo é martelar a tese de que foi uma fatalidade e que o Corinthians não tem responsabilidade por quem atirou o artefato, não podendo ser punido pela ação de uns poucos torcedores _pelo menos outros dois foram encontrados com sinalizadores navais, que podem matar em estádios de futebol.

Ontem o zagueiro Paulo André foi quem fez o discurso que deve ser adotado daqui para a frente, dizendo que “não há nada que pague uma vida” e que “uma punição, sem que se preocupe em oferecer segurança, pouco vai mudar”. O gerente de futebol Edu Gaspar, que chegou a chorar em Oruro e teria pedido desculpas pelo ocorrido, bate na tecla da “fatalidade”, dizendo que conselheiros corintianos também poderiam ter sido atingidos pelo disparo.

A maior preocupação foi com a declaração de Tite, na coletiva depois do jogo, considerada pela cúpula corintiana inadequada, já que pode dar a entender que o clube teve culpa, sim, pelo episódio. O técnico afirmou que só tinha que pedir que o desculpassem e que trocaria o título mundial pela vida do menino.

A diretoria jurídica do Corinthians não considera o clube responsável pelo ocorrido e acha que se alguém tem que se desculpar é a segurança do San José, que foi falha e deixou torcedores entrarem com artefatos que podem matar. Ela recorreu da punição de o time jogar com portões fechados em casa e não ter direito à cota de ingressos em jogos no exterior, insiste que foi um caso isolado e que o torcedor que atirou o sinalizador e matou deve ser preso. A instituição Corinthians não teria relação com ele nem com o episódio em si, não cabendo, neste sentido, pedido de desculpas seja de Tite, seja de Edu Gaspar.

O lateral esquerdo Fábio Santos também deve amenizar o discurso depois de ter dito ser totalmente favorável à expulsão do clube da Libertadores se a medida for necessária para acabar com as mortes no torneio. Pelo regulamento havia várias sanções possíveis, sendo a menor delas multa de 200 reais, a maior, a expulsão da competição.

Apesar de não se considerar responsável pelo acidente, o time, em sinal de respeito pela família do garoto e devido à tragédia que aconteceu na Bolívia, vai entrar de luto amanhã contra o Bragantino e quarta, diante do Millonarios, no Pacaembu.



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