Financiamento das organizadas



Depois do caso Oruro, onde um adolescente morreu atingido, segundo a polícia local, por um sinalizador naval atirado por um torcedor corintiano, uma das principais questões a esclarecer é quem bancou o sujeito na Bolívia. E muito mais do que isso: a relação entre clubes, jogadores e organizadas. Quem as sustenta? Como elas vivem? Quais suas fontes de financiamento? E a relação com clubes e diretores? E com jogadores e comissão técnica?

Fico me perguntando como um trabalhador consegue ir para a Bolívia acompanhar o time no primeiro jogo da Libertadores e depois seguir vivendo em função do Corinthians, viajando aqui e acolá, fazendo disso profissão? No mínimo precisa de recursos para se manter e manter os custos, que não são poucos, de viagens, hospedagem, ingressos…

Sou contra a extinção das organizadas, ato unilateral tentado, sem sucesso, nos anos 90 e feito por quem queria espaço na mídia. Medida populista, enfim. E autoritária. Mas a polícia e o Ministério Público deveriam investigar as entranhas de torcidas profissionais que contam com integrantes que causam problemas, marcam brigas por redes sociais, depredam patrimônio público, ferem e matam.

Punido pela Conmebol, tomamos ciência de que o Corinthians jogará sem torcida na Libertadores. Em casa terá portões fechados, fora, nada de cota de ingressos. O clube, que já havia vendido quase 85 mil entradas para seus jogos na primeira fase, terá que devolver o dinheiro para cada torcedor. Mas deveria refletir sobre eventuais privilégios que tenham os uniformizados. Porque uma coisa é sócio-torcedor, um programa que, no caso corintiano, tem dado certo, outra é a relação com as organizadas.

Punição ao Corinthians à parte, há muitos outros pontos a esclarecer, pontos que não se limitam às organizadas. O policiamento no estádio não falhou? O San Jose, como mandante, ofereceu condições de segurança para seus torcedores e os adversários? Porque a responsabilidade não é só do Corinthians.

No ano passado sinalizadores eram usados à vontade e a Conmebol não dizia nada. Uma tragédia já poderia ter acontecido e a punição ao Corinthians não resolve o problema. Insisto que o mundo do futebol tem de ir mais a fundo. Investigando, vale repetir, a relação entre clubes e os chamados torcedores profissionais, que se consideram donos dos times, quando não são. Ou não deveriam ser.



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