Sinalizadores corintianos



Não é de hoje que torcedores corintianos _e não só corintianos_ levam sinalizadores a estádios de futebol, basta nos lembrarmos da final da Libertadores do ano passado, tanto em Buenos Aires, quanto no Pacaembu.

A morte do torcedor boliviano Kevin Douglas Beltrán Espada, que segundo a polícia boliviana teria sido atingido por um sinalizador atirado pela torcida corintiana ontem em Oruro, perdendo massa encefálica e chegando já sem vida ao hospital, não pode passar em vão. Precisamos de muita calma nessa hora, inclusive os bolivianos, que, indignados com o ocorrido, têm chamado os brasileiros de “assassinos” em Oruro, criando um clima de extrema hostilidade.

Tudo tem de ser apurado e cabe uma punição rigorosa. Exemplar. Se o Santos perdeu mando de campo pelas moedas atiradas em Ganso, no clássico com o São Paulo, e perdeu com toda razão, o acontecido na Bolívia é muito, muito mais grave. Envolve o Corinthians, a Gaviões da Fiel, com integrantes detidos na Bolívia, e o policiamento local, que deixou torcedores entrarem com artefatos que podem matar. E um deles, pelo que vimos, matou.

Nesse sentido acho lamentáveis as declarações do diretor adjunto de futebol, Duilio Monteiro Alves, de acordo com o qual o Corinthians não teme punição da Conmebol e que o episódio foi uma “fatalidade”. Também acho lamentável a nota oficial divulgada pelo presidente corintiano, Mário Gobbi, dizendo que o time jogará de luto nos dois próximos jogos, um deles pela Libertadores, sinalizando que ele não tem receio de ser afastado da competição sul-americana.

É preciso aguardar as investigações para depois se tomarem providências. O que não pode é ficar o velho jogo do empurra, pois há tragédias que são anunciadas, como a da avalanche gremista e, por que não?, a dos sinalizadores.

Duvido que houvesse intenção de matar, mas um garoto de 14 anos perdeu a vida. Talvez, não sei, se o clube receber punição exemplar, o torcedor, que é apaixonado por ele, sinta na carne. Não a dor da família do garoto, que deve ser indescritível, mas pelo menos a de ver seu time fora de uma competição importante, por exemplo.

Só que a discussão aqui não pode ser clubística, tem que ser mais ampla, muito mais ampla, porque muitos dos que não gostam do Corinthians vão querer aproveitar o momento para exigir isso e aquilo. Assassinatos têm acontecido por brigas de torcidas em São Paulo, no Rio, em Minas, em Goiás e isso não é de hoje. Uma mancha para o futebol brasileiro, que não deve “apenas” ficar de luto. Tem que se mexer para que o que aconteceu em Oruro não venha a se repetir. Aqui ou na Bolívia. Ou no Uruguai, na Argentina etc. etc. etc., já que conflitos entre torcedores, alguns dos quais assassinos, sim, não são uma exclusividade do nosso futebol.



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