O caso Pistorius



A grande história da Olimpíada de Londres, pelo menos pra mim, foi a participação de Oscar Pistorius nos Jogos, tornando-se o primeiro atleta biamputado a competir no evento. O atleta sul-africano, que aos 11 meses ficou sem as duas pernas na altura do joelho, acabou na última colocação nas semifinais dos 400 metros rasos e foi homenageado pelo primeiro colocado, Kirami James, de Granada, que trocou o número com o concorrente, como fazem jogadores na saída do campo.

Na Paralimpíada, no entanto, ele decepcionou ao não aceitar a derrota para o brasileiro Alan Fonteles, comportando-se mal após a corrida e tendo que pedir desculpas por seu comportamento depois. Acusado de ter assassinado sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp, Pistorius pode estar jogando não apenas sua carreira, mas sua vida _como a de tantas outras pessoas ligadas a ele próprio e a Reeva_ no lixo.

É um momento chocante que pode fazer a sociedade refletir. Seja sobre os ídolos que temos, muitos de barro, muitos humanos (ou desumanos), seja sobre o que não conhecemos a respeito do próximo, seja sobre a vida, a morte, a existência de cada um de nós. Se tem uma palavra de que não gosto é superação, como já dizia uma amiga minha. Outra, blindagem. Duas palavras que viraram modismo e devem ser repensadas. De tanto usadas, saturaram.

Não vou entrar no mérito da acusação, que é gravíssima, mas quero tocar no campo esportivo. Esteróides teriam sido encontrados na casa do sul-africano, assim como um taco de críquete ensanguentado. Já há quem diga que os primeiros, que seriam usados para melhorar a performance de Pistorius, podem ser a causa de suposto comportamento agressivo do atleta, resultando no assassinato da modelo. Causa de agressividade ou não, mais um atleta de elite teria competido sob efeito de doping? Depois de tudo o que vimos no caso do ciclismo, com o caso de Lance Armstrong, aonde tudo isso vai parar? Existe esporte limpo? O que faz a Agência Mundial Antidoping nessa cruzada? O mundo esportivo, independentemente do que acontece em Pretória, que é caso de polícia, precisa de respostas. Se vai tê-las ou não já é outra história.



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