Ceni, o frango e a água



Os rivais gostam de pegar no pé de Rogério Ceni, indiscutivelmente um dos jogadores que mais chamam público, mídia e atenção nessa temporada. Pelo menos aqui no Brasil. E que pode pendurar as chuteiras no final do ano, deixando saudades. Para o bem ou para o mal, lá está Ceni, há quase duas décadas titular no São Paulo.

Tive a oportunidade de conviver com o goleiro na Copa das Confederações, na Árabia Saudita, em 1997, quando cobria o torneio pela “Folha” e ele havia sido convocado por Mario Jorge Lobo Zagallo. Mostrou personalidade nos bastidores, rebelando-se, inclusive, contra aquela ideia ridícula de os jogadores cortarem o cabelo uns dos outros e ficarem todos carecas. Uma atitude que poderia, em vez de unir, desagregar.

Cabelo de lado, não discuto o frango que Ceni levou contra o Ituano, faz parte do jogo e mesmo ele, um dos melhores goleiros em atividade, está sujeito ao erro. E tem muito mais acertos e milagres, no gol ou em cobranças de faltas, do que erros. Nessa ou em temporadas passadas.

O que me deixa com um pé atrás em relação a Rogério é quando ele joga a responsabilidade em um ou outro companheiro e não assume sua própria participação na ação, como aconteceu não contra o Ituano, mas contra o Atlético-MG, pela Libertadores.

No primeiro gol, aquele em que ele foi dar água a Ronaldinho Gaúcho e o atacante, em seguida, recebeu a bola da lateral (onde não há impedimento) e fez rapidamente a jogada do primeiro gol do Galo, Rogério, no intervalo, reclamou da defesa. Minimizou o episódio, dizendo que o gol fora legítimo (e fora), mas que algum zagueiro do São Paulo deveria estar atento a Ronaldinho. Como se a culpa fosse da defesa e ele, Rogério, não tivesse tido participação no lance, oferecendo água ao adversário e tirando a atenção de sua própria zaga. Rogério tampouco pediu para que marcassem Ronaldinho.

Se foi premeditada a ação do atacante ou não _acho que não foi_, ele levou vantagem e Rogério foi ingênuo no lance, o que faz parte do jogo. Mas não dá para culpar apenas a zaga depois do ocorrido. E como Ceni tem força na imprensa e no clube, tem de ter mais cuidado em determinadas declarações. Como na do primeiro gol do Galo.

Já em relação à defesa do São Paulo, esquecendo a estreia na Libertadores, acho que está com problemas.  Rhodolfo e Lúcio estão longe do entrosamento ideal e Rafael Tolói segue como opção. E pra mim é uma boa opção, talvez melhor do que Rhodolfo nas atuais circunstâncias. Questões para Ney Franco resolver, assim como a de Ganso, reserva ou titular. Terá dois “amistosos” pelo Paulista antes de o time voltar à Libertadores, aí com a obrigação de vencer. Que tenha sorte e sucesso nas suas escolhas.



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