A graça dos europeus



Não vou discutir que os principais campeonatos nacionais da Europa são muito mais organizados que o Brasileiro, com estádios repletos, grandes estrelas, clubes preocupados com a questão financeira etc. etc. etc., só que dizer que mais interessantes… Acho que não são, não.

No Brasileirão temos pelo menos cinco ou seis times que entram com boas chances de se tornarem campeões, vide o equilíbrio dos times nacionais que vão disputar a Libertadores. Atlético-MG, Corinthians, Fluminense, Grêmio e São Paulo entram, os cinco, com boas chances de fazer bonito no torneio sul-americano e levar o caneco. Só o Palmeiras, que depois do episódio Barcos deixou claro que Libertadores não é prioridade, corre por fora e é uma incógnita.

No Campeonato Brasileiro também é assim. Antes de começar o torneio é difícil apontar quem será o campeão. Além dos cinco que citei acima, há o Santos, o Inter, o Cruzeiro… No ano passado havia o Vasco. Flamengo e Botafogo, candidatos em outros anos, especialmente o primeiro, estão, no momento, um patamar abaixo, pelo menos a meu ver.

E na Europa? Peguemos o Espanhol. Depois de 23 de 38 rodadas, o Barcelona aparece como virtual campeão. Tem nada mais nada menos que 12 pontos de diferença em relação ao segundo colocado, o Atlético de Madrid, e 16 em relação ao Real, que é o terceiro. Qual a graça? Podem dizer que é a disputa pelas vagas para a Liga dos Campeões ou a disputa para se livrar do rebaixamento, por exemplo, mas isso é pouco quando o campeão é conhecido antes mesmo de o torneio começar.

Na Alemanha muda muito? Não. Com 21 rodadas de 34 já disputadas, o Bayern tem 15 pontos de vantagem sobre o Borussia Dortmund, vice-líder. Ganhou 17 jogos, empatou três e só perdeu um. É campeão desde a primeira rodada…

O Inglês está mais equilibrado? De jeito nenhum. Antes de o torneio começar já sabíamos que o troféu seria do Manchester United. E pelo jeito será. Não tem adversário. Com 26 de 38 rodadas completadas, está 12 pontos à frente do City.

Na França, depois da era Lyon, parece que o PSG, irrigado pela grana dos árabes, pode se impor por anos.

Só na Itália há certa graça, com Juventus e Napoli disputando a primeira colocação, embora o time de Turim, com cinco pontos de vantagem, siga favorito. Mas cadê o terceiro colocado? Está lá longe, vendo por binóculo a liderança da Juve. A Lazio tem 44 pontos e se quiser ser campeã tem que tirar 11 pontos _sim, 11 pontos_ de vantagem da Juventus, uma tarefa nada fácil.

Dizem que no Brasil, graças à negociação dos direitos de TV, o mesmo poderia acontecer com Corinthians e Flamengo, dominando o mercado como fazem Barça e Real na Espanha. Duvido. O Corinthians de fato se estruturou bem nos últimos tempos e tende a crescer ainda mais, especialmente depois que seu estádio ficar pronto. Mas tem muitos rivais e o futebol brasileiro, uma série de variáveis. Não consigo enxergar o time entrando num campeonato já como campeão, como acontece com o Barcelona, na Espanha, o Bayern, na Alemanha, e o United, na Inglaterra.

Aqui pesam muito os fatores regionais, ao contrário do que acontece na Europa, onde os países são menores. Por mais que tanto falem do eixo Rio-São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul são fortíssimos e os times de Porto Alegre, vale lembrar, foram os primeiros a se estruturar em termos de marketing no país, ao lado do São Paulo.

Quando o potencial de outras regiões, como o Nordeste, que tem uma torcida fanática, for mais explorado, podemos ter uma maior descentralização e sair apenas do Sul e Sudeste. Mas se ficarmos só nessas duas regiões veremos que há pelo menos 10 times com bom potencial de crescimento. Basta saber aproveitá-lo. E os direitos de TV estão longe de ser a única fonte de receita de um clube.

Por mais que, com a globalização, muitos dizem preferir os campeonatos nacionais da Europa, sigo tendo bem mais interesse pelo Brasileiro. Não vejo a graça que outros veem no Velho Continente. Ah! A Liga dos Campeões e a Eurocopa (de seleções), claro, são outro papo. Estamos falando de campeonatos nacionais…



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