As patadas de Muricy



Sábado e domingo estive no Pacaembu acompanhando Corinthians 2 x 2 São Caetano e Santos 1 x 3 Paulista. Depois, pelo rádio, escutei as entrevistas de Tite e Muricy Ramalho, o primeiro explicando o empate corintiano, o segundo dando patadas na imprensa, irritado que estava com o fiasco santista.

Sem querer defender os jornalistas que estavam trabalhando e questionando o técnico sobre a atuação e o atual momento do Santos, não consigo entender o comportamento de Muricy, extremamente grosseiro e com seu habitual mau humor. É um desrespeito, a meu ver, não só com quem faz as perguntas, mas com o torcedor que quer saber mais sobre o que está se passando com seu time.

Quando uma repórter fez uma pergunta, salvo engano sobre uma alteração promovida pelo técnico, ele respondeu dando a entender que ela não entende nada de futebol. Pelo jeito quem só entende é ele, que levou um baile do time de Jundiaí em pleno Pacaembu.

Se Muricy ficou irritado com a diretoria de seu clube _e ficou_, já que queria ter jogado sábado e não no domingo de Carnaval, não tem que jogar suas frustrações em terceiros. Tem que tentar resolvê-las com a direção do Santos, que, aliás, deu-lhe um ótimo time para 2013 e o paga muito bem para comandar a equipe e se comunicar com o público, inclusive via imprensa. Se não fosse o caso, estariam vetadas as entrevistas coletivas do treinador. Participar delas, quer ele queira, quer não,  faz parte do seu trabalho.

É  um comportamento bem diferente do de Tite, que trata todo mundo com respeito, educação e tenta entender o lado, as funções e as obrigações do outro. E dialogar.

Muricy não. Acha que só ele entende de futebol, desrespeita quem o contraria, virou especialista em patadas. Mesmo quando levou de quatro do Barcelona e ficou estático no banco de reservas, num momento triste para o futebol brasileiro, saiu da partida sem aceitar questionamentos sobre seu trabalho e a atuação de seu time, que simplesmente assistiu aos espanhóis jogarem. Saber perder, assim como saber ganhar, é uma arte que pelo jeito Muricy desconhece. Já Tite, não. Talvez por isso tenha chegado aonde chegou, campeão mundial em 2012, depois de uma tremenda temporada pelo Corinthians.



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