Vale Esporte descartado



O Ministério do Esporte chegou a cogitar lançar um Vale Esporte, tendo como molde o Vale Cultura, dando 50 reais por mês a trabalhadores em regime de CLT que ganhem até cinco salários mínimos para gastar em eventos esportivos pagos, como jogos de futebol.

A ideia, que chegou a ser discutida com a CBF, organizadora do Brasileirão, porém, acabou descartada. De um lado porque nem todos os clubes, especialmente os que já adotam o programa sócio-torcedor, são favoráveis, de outro porque o próprio governo considerou o valor baixo e achou que a medida teria pouco efeito prático e que sua aplicação seria complicada.

Na Cultura, a ministra Marta Suplicy anunciou o vale para o setor, mesmo criticada por parte da classe artística e por um grupo de economistas, que acham o projeto demagógico. Os vales, cujo uso será vetado em supermercados, podem ser acumulados para que o consumidor compre um produto cultural mais caro. Vale lembrar que há peças de teatro por 80 reais, filmes em cinema por 31 reais, espetáculos de música clássica por 100 reais e shows recentes no país, especialmente de artistas estrangeiros, que chegaram a ter ingressos por 700 reais. Vale lembrar também que a empresa que aderir ao programa terá isenção de imposto de 45 reais por vale.

No caso do esporte e do futebol, acho que a pasta de Aldo Rebelo fez bem em deixar na gaveta um projeto que não chegou a sair dali e a questão passa por uma política de preços para o setor. Que não tem de ser determinada pelo governo, mas debatida pelos clubes e pelos organizadores dos espetáculos, que muitas vezes definem o valor da entrada baseado no velho “chutômetro”. Tentam lucro no curto prazo e se esquecem do longo prazo. Mas isso pode estar mudando e espero que esteja. Inclusive com o sócio-torcedor, que tende a ser aprimorado cada vez mais. E deve ser.



  • Mario

    nossos politicos e suas genias ideias furadas , tem q fazer um reforma tributaria p/aliviar os impostos e depois aumentar o salario minimo do povo p/poder ter acesso a jogos de futebol e outras atividades culturais.
    sempre bom lembrar a frase da Marta FDP Suplicy sobre a crise aerea qnd era Ministra do Turismo “relaxa e goza” .
    em um pais serio essa Marta Suplicy , Aldo Rabelo e Marin não seriam nem sindico de predio da boca do lixo.

  • Catarro

    Futebol.. futebol… futebol…

    Tem que cortar 70% do dinheiro destinado ao COB e implantar uma política esportiva séria. O COB nunca deu resultados, fecha esse órgão e cria outra estrutura com pessoas competentes.
    Tira o Aldo e coloca gente séria no ministério dos esportes.
    Investe no esporte social, que é o mais importante, danem-se as medalhas.

    • janca

      Acho que o esporte de alto rendimento não pode ser deixado de lado, dá pra incentivá-lo, inclusive porque o papel dos ídolos esportivos é importantíssimo, sem se esquecer do que você chama de esporte social. O que não dá é para o COB viver às custas de dinheiro público e manter o monopólio do esporte olímpico brasileiro. Sem rotatividade de poder, diga-se de passagem, e com resultados pífios se compararmos as campanhas entre os Jogos de 1996 e os de 2012. Não temos, de fato, uma política esportiva no país. Nem por parte do governo nem por parte da CBF ou do COB.

      • Catarro

        Grande Janca, nessa foto você está parecendo o Kleber machado… rs.
        Esporte social é o cidadão ter acesso aos mais variados tipos de esportes, é querer jogar tenis e ter uma quadra pública no bairro dele, é ter quadras de basquete, piscinas para treinar natação, ter pistas de skate, paredes de escalada, locais para patinar, pistas de atletismo públicas, é ter acesso aos equipamentos esportivos a um preço justo, pois os equipamentos importados (tipo bikes) são caros em virtude dos altos impostos, é o idoso ter um parque para fazer sua ginástica com orientação de professores de educação física… é conectar a educação com o esporte para os jovens cresçam praticando esportes na escolas, colégios e universidades.
        Abraço.

        • janca

          Não sou contra o esporte social, pelo contrário, mas isso não quer dizer que não possamos e não devamos também incentivar o alto rendimento. Só que não do jeito que é feito hoje, com o COB desperdiçando, a meu ver, boa parte da grana pública que recebe com burocracia.

      • Bob

        Janca, desculpe eu me intrometer, e já me intrometendo. Eu acho que a solução para o esporte brasileiro seria adotar uma política de incentivo não ao COB, ou outras federações e dirigentes corruptos, mas à empresas que investissem no esporte, principalmente universitário e escolar. Esse modelo de esporte universitário e escolar é que fez do esporte aqui dos Estados Unidos a força que é.
        O governo poderia enviar um projeto de lei ao congresso extendendo os benefícios da Lei Rouanet (da cultura) para o esporte. Então, as empresas que investissem em patrocínios ao esporte, poderiam decontar do imposto de renda devido até 6%, sendo que o valor do investimento tem 120% de peso. Desse modo, se uma empresa investisse 5% do valor total por ela devido ao Imposto de Renda, ela poderia deduzir 6% do imposto a ser pago. Vou lhe dar o exemplo de uma empresa que tem seus balanços públicos pois é negociada em bolsa, a divisão Aperam (antiga Acesita) da ArcelorMittal. A Aperam teve como imposto de renda à pagar no exercício 2011/2012, o valor de 560 milhões de reais. Se ela investir 5% em esporte, estariamos falando de 28 milhões de reais de patrocínio, sendo que ela receberia um desconto total do IR de 6% ou 33.6 milhões de reais, portanto uma economia para empresa de mais 5.6 milhões de reais. 28 milhões podem significar não uma, mas várias vilas olímpicas e estádios universitários através do Brasil, e a formação de atletas de alto nível nas universidades e escolas. Até mesmo a indústria do futebol se beneficiaria desse fortalecimento do esporte universitário e escolar. Outro ponto, já que o governo cria quota para tudo, porque não reservar uma quota de 10% das vagas nas universidades e escolas secundárias para atletas em formação com comprovada capacidade atlética de alto nível? Assim funciona aqui nos EUA, onde os atletas de alto nível em formação são recrutados desde o High School e recebem bolsas para estudar nas Universidades de ponta (não existem universidades gratuitas aqui, como no caso do Brasil).
        O segredo está em um esporte escolar e universitário forte capaz de gerar gerações após gerações de grandes atletas, além de oferecer oportunidades aos jovens mais carentes de ascenderem através do esporte.

        • janca

          Acho que o esporte universitário deveria ser muito incentivado. E o esporte nas escolas também, inclusive públicas, que hoje mal quadras têm, muitas vezes nem mesmo salas de aula. Tratei muito disso durante os Jogos de Londres, lembrando do modelo coreano, que é considerado um sucesso. Abs.

        • Bob

          Só para complementar: imagine um esporte universitário fortalecido com infraestrutura mantida através de patrocínios privados, sendo estes patrocínios resultado de uma política de isenção fiscal mínima (6%, o governo perde 10 vezes isso com sonegação…)?
          Imagine uma final do campeonato brasileiro de futebol universitário entre os Leões da USP contra os Falcões da UFRJ? Como os bowls universitários aqui dos EUA. Imagine esses jovens veteranos em suas universidades, se formando em economia, ou educação física, ou direito, ou jornalismo, e com seus 21/22 anos, sendo contratados pelos grandes clubes de futebol profissional do Brasil, com um evento como um draft universitário, como o que acontece aqui nos EUA? 21/22 anos é a idade normal para que um atleta saia definitivamente das categorias de base e suba a profissional em um clube. Só que esses atletas, além da formação esportiva de alto nível em seus times escolares e universitários, também sairiam formados, com uma profissão, para que, após o fim de suas carreiras como profissionais do futebol, por volta dos seus 36/37 anos, pudessem se dedicar a carreira na qual se formaram na faculdade, como acontece aqui nos EUA.

          • janca

            Mas o COB, inundado por verbas federais, acaba mal indo atrás de patrocínio privado. Teria condições de conseguir muito mais e não ficar dependendo das tetas do governo. As faculdades, pouco a pouco, até têm ido atrás, mas num ritmo muito lento, a educação ainda parece estar longe de ser parte da cultura brasileira. E da política. Precisaríamos trabalhar melhor a base, algo que não é feito no Brasil, e o alto rendimento também.

  • francotimao

    Ola, Janca, vejo este “programa” do governo, como mais um, senão vejamos: A incompetência do governo em proporcionar um salario minimo com valor digno pro trabalhador é recorrente e para “amenizar” a situação ficam inventando esses vales, pra mim isso jamais poderá ser considerado como politica social, é sim um atestado de incapacidade e fico profundamente deprimido e envergonhado ao me lembrar desses “atalhos” políticos pra enganar o povo, não passa de engodo e afago profundamente “populista” e ao me ver é até desumano este estado de coisas, chega a me causar asco…Abs!!!!!!!

  • Flavio Rodrigues

    Apesar de achar que não é a melhor solução, longe disso, não sou contra a política social do PT, como o bolsa família, etc, pq atinge camadas muito carentes num país onde a mão de obra é barata demais na minha humilde opinião… mas esse vale esporte aí é piada…

    • janca

      Pelo menos foi uma ideia que surgiu e não saiu do papel, pois concordo que é uma piada. Com tanta coisa a ser feita…

  • Edson – Santo André

    Olá Janca! O problema é que, mais uma vez, o poder publico, seja Governo deste ou daquele partido, procura “soluções” populistas ao invés de combater o problema pela raiz: Priorizar Educação, educação e mais educação. Através dela podemos melhorar nosso IDH, com melhores empregos, salários, moradia, lazer, saúde, etc, não precisando de ajuda de Governo nenhum. É lamentável vermos esse câncer chamado bolsa disso, bolsa daquilo que faz muitas pessoas se acomodarem, não prepara ninguem para o mercado de trabalho, dá o peixe (um lambarizinho bem pequenininho), mas não ensina a pescar. Junta-se isso com a enorme passividade de uma grande parcela da população Brasileira. Emquanto não há mudança nessa mentalidade, tome bolsa neles…

  • Rafael

    Janca,

    Na minha opnião..a idéia da marta é boa sim… o ruim vai ser implementa-lá!
    Cultura é sempre bom para todos!
    Museus, Shows, teatros, isso concerteza ajuda e muito a população.

    O que acha Janca?

    • janca

      Claro que acho que ajuda, o povo precisa de cultura. Mas vejo no Vale Cultura uma medida populista e com pouco efeito prático. Até por isso fico satisfeito que pelo menos o Vale Esporte nem do papel saiu. Abs.

  • renato sá

    Uhmmmm…. “Vale-Esporte” ou “Vale Circo”? Que tal um “Vale Quadra” ou “Vale Piscina” ou “Vale Pista”… ganha-se um valor pra poder locar o espaço (pois hoje só existe privado, campo público, quadra pública e piscina esportiva pública são raridades). Loca-se o espaço e pratica-se o esporte.
    No máximo o “vale-esporte” poderia valer para esportes menos difundidos. Nada de futebol, volei, automobilismo… esses já estão estruturados (em seus topos) e espetacularizados. Já deixaram de ser esportes para ser qualquer outra coisa, mas não esporte. (digo mas sou apaixonado por futebol e automobilismo).

    No Vale cultura vejo uma boa razão de existir, apesar do chororo dos atores globais, que só querem saber de captar dinheiro (do povo) em leis de incentivo e em troca cobrar R$100 numa peça.

    • janca

      E eu, que tinha dito que há salas de cinema cobrando 31 reais o ingresso, descobri que há outras, com sessões normais, cobrando 49 reais a entrada. E numa segunda-feira.

      • renato sá

        se duvidar de filme brasileiro… que recebe incentivo fiscal a perder de vista….

        R$50,00 é muito….. (fora estacionamento, pipoca, deslocamento… passeio de quase 100 conto, sozinho)

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