Fifa x agentes da bola



O que está por trás da empreitada da Fifa contra os empresários de futebol? Uma tentativa de reduzir os valores pedidos para contratar jogadores e tornar menos inflacionado o mercado, cortando intermediários. Da pressão dos clubes, especialmente os europeus, veio a atitude da federação que controla o futebol no mundo.

A Fifa pretende criar um sistema de informação, conhecido como GPX (ou Sistema de Transferência Global de Jogadores), serviço secreto de dados ao qual somente os clubes teriam acesso. Não os agentes. Todas as informações sobre duração e condições do contrato, multa rescisória etc. etc. etc. estariam lá disponíveis para serem consultados por qualquer clube interessado. Funcionaria ainda como uma espécie de classificado de “procura-se jogador” e “vende-se atleta” do qual os empresários ficariam de fora.

Longe de defender o papel dos agentes, principalmente no Brasil, onde muitos mantêm relações questionáveis com dirigentes e técnicos de futebol, são acusados de explorar atletas da base, com contratos nocivos aos jogadores, sem falar que se tornaram quase que donos (se não literalmente donos) de alguns times e clubes de futebol, acho que a situação tem que ser vista com muita cautela. E não adianta apenas demonizar o agente.

A medida pode interessar aos clubes, principalmente os europeus e especialmente os mais fortes, mas interessa aos menores? Interessa aos de outros continentes? Interessa aos atletas? Não será que eles podem virar simples mercadoria como já foram um dia? Não há empresários que defendem seus interesses? Que são seus representantes e exercem bem o papel?

Por essas e outras vejo com muita cautela a medida, já que tirar o empresário da jogada pode ser uma boa para o clube, que negociaria diretamente com o atleta e/ou time ao qual ele está ligado. Mas será que o clube vai pensar no que é melhor para o jogador? Quem é que vai estar a seu lado, defendendo seus interesses?

Se existem os maus agentes _e o mercado, inclusive o brasileiro, está cheio deles_, não dá pra colocar todos no mesmo saco. E não sei se a saída passa pela solução encontrada pela Fifa, que quer fazer uma espécie de Ebay para contratação de jogadores de futebol.

Deixar mais transparente os negócios, inclusive criando um órgão regulador para as transferências, pode ser interessante, já que muitas são suspeitas, como a origem dos recursos de alguns clubes, suspeitos de lavagem de dinheiro. Mas precisamos de muita calma nessa hora. A guerra apenas começou.



  • Mario

    maior mentira essa dos clubes europeus.

    é impossivel tirar os empressarios/agentes do sistema por q muitos tem fatias dos jogadores alem de terem ligação forte com cartolas alguns são donos de clube como Assis e Juan Figer e irão ter acesso a todos os dados tambem.

    eles querem é saber todos dados p/poder aliciar os jogadores com mais facilidade e tirar dos clubes menores ou de fora da europa armas p/negociar melhores vendas.

    se os europeus querem pagar menos é simples parem de negociar compra de jogadores com agentes e vai direto com os presidentes ou parem comprar os super faturados .

  • renato sá

    Janca, todo mundo reclama e condena os altos salários dos jogadores. A grande frase é comparar o salário de um médico, de um professor ou engenheiro (os anos de estudos desses profissionais) aos mega ultra salários dos jogadores. OK, acho um absurdo um professor ganhar pouco. Mas não acho absurdo um jogador ganhar milhões.

    Há uma bola de neve de valores, mas que não foi criada pelos jogadores, e sim por clubes, Tvs e patrocinadores. Quanto o Real Madrid ganha em cotas de TV, patrocínio e exploração da imagem de seus atletas? Quanto um patrocinador não vende a mais por estampar seu logo na barriga do C. Ronaldo? Ou a Tv lucra com anunciantes sempre que transmite um jogo pro mundo todo do Real? Agora, quem são os reais operários que movem a engrenagem do futebol, para que todos (dirigentes, médicos, empresários, patrocinadores, empresas de TV, anunciantes de TV, jornalistas….) tenham uma porcentagem deste movimento? Oras, se não o mais justo são os jogadores ganharem bem.

    Errado está um engenheiro que vara a noite realizando um mega projeto que irá colocar nos cofres da construtora alguns bilhões e só levar poucos mil reais. Errado está o peão de obra que corre o risco de morrer soterrado ganhar um salário mínimo. Errado está um jornalista ganhar uma miséria enquanto o dono do veículo de comunicação embolsa milhões…. O professor então… coitado.

    E voltando ao post, como você disse, isso é coisa dos grandes clubes europeus, que querem diminuir seus custos as custas das mazelas dos pequenos… vide o La Coruña, que neste início de ano já pediu concordata…. Os grandes clubes europeus são as maiores mazelas do futebol…. e aqui há o projeto “Global” de transformar o brasileiro num espanhol….

    • renato sá

      PS.: no termo “(dirigentes, médicos, empresários, patrocinadores, empresas de TV, anunciantes de TV, jornalistas…)” ao referi-me “médicos” quis dizer os departamentos médicos dos clubes, e os funcionários do clube.

    • janca

      Também não vejo problema nenhum em ver jogadores faturando fortunas. Se faturam milhões é porque há quem pague e porque a indústria do futebol movimenta muito dinheiro.

    • janca

      E o que você chama de bola de neve de valores, concordo que existe, não é mesmo responsabilidade dos atletas, como você bem apontou.

  • Tri mundial doom

    Mas esse GPX iria ser visto por alguém de algum clube, que pode simplismente mostrar a um agente que tem amizade outrabalha defendendo os interesses de algum jogador e o jogador vai ter uma copia de contrato em maos e é só mostrar ao agente….
    O jogador pode querer ter um agente também ou pior, um advogado, aí sim, se fizerem um contrato nocivo ao atleta,ele vai mover uma ação contra o clube e possivelmente contra propria FIFA que tirou o direito de defesa do jogador, exercido pelo agente. O jogador da base do clube pertence ao clube, mas pode e deve ter alguem que saiba negociar os contratos pra ele, senao vai ter Garrincha de novo fora de campo…

    Essa FIFA deveria perder o tempo dela unificando s calendarios, facilitando a vida do juiz om alguma forma de diminuir os erros de arbitragem e nao querendo ferrar o jogador que pode ser semi-analfabeto ou nao querer pensar em contratos. em prol dos clubes que muitas vezes tem dirigentes mal intencionados!!!

    • janca

      E ter um advogado e ser bem representado é um direito do jogador. A Fifa tem que ver o lado dos clubes, combater os maus agentes, mas não pode se esquecer dos atletas, que são os que fazem o espetáculo.

  • Oscar de Melo

    Janca,já tinha ouvido falar sobre esse assunto,mas me pareceu que a FIFA tinha só a intenção de proibir investidores com direitos econômicos de jogadores.Com um controle também sobre os agentes que negociam no mundo do futebol,e a FIFA,se é que entendi,sendo um elo de ligação nos negócios entre os clubes,acho que o futebol só tem a ganhar com isso.A escravidão já acabou para o jogador,hoje os contratos não são perpetuos como antes,e quem virou refem foi o clube,basta ver que os jogadores e empresários estão milionários e os clubes falidos.Qualquer tentativa de desinflacinar o futebol,penso ser válido.

    • janca

      Oi Oscar. De fato a Fifa tinha e tem a intenção de proibir que investidores detenham parte dos direitos econômicos dos jogadores, mas também lançou ação contra os agentes, muitos dos quais detêm justamente parte de tais direitos. Alega querer facilitar as transações entre os clubes, formando um banco de dados sobre os contratos e formando um elo de ligação, como você mesmo diz, entre os próprios clubes. Mas, pelo menos a meu ver, acaba prejudicando o jogador _ou pode fazê-lo_, deixando toda a força com os clubes. O jogador, de certa forma, volta a ser tratado como mercadoria, por maior que seja seu salário. Entendo quando você diz que o clube hoje virou refém de empresários, mas há os bons e os maus e não é coibindo a atuação de todos e restringindo o campo dos atletas, que podem contar com agentes, empresários, advogados e familiares para defendê-los, que acabará com a inflação no futebol. Que aliás é criada pelos próprios clubes, não pelos jogadores.

  • Cristiano Andrade

    Oi Janca
    O projeto da FIFA não proíbe que os agentes que realmente defendem seus clientes (jogadores) continue a atuar. O que ele faz é mudar sensivelmente o papel do agente. Hoje o agente funciona como intermediador entre 3 partes (2 clubes e um jogador). Com o projeto ele teria o papel de defender os interesses de uma parte apenas (o jogador). E acredito que, ainda assim, muitos jogadores ainda buscariam a assessoria de agentes para negociar ou renegociar seus contratos salariais. Nos EUA os agentes fazem exatamente isto (e os contratos de trabalho e seus detalhes, entre eles salários e tempo de contrato, são abertos a todas as equipes das ligas até porque elas sempre impõem tetos e pisos), além de também representar os atletas em negociações de contratos de patrocínios individuais.
    Ainda mais, sem a assinatura do atleta (ou de seu procurador legal, que pode muito bem ser o agente) nenhuma negociação é concretizada! Isto é fundamental para entender que o atleta só se tornaria uma “mercadoria” como sugerido por sua própria vontade.
    Um abraço,
    Cristiano

    • janca

      Não há proibição oficial para que os agentes continuem a atuar, inclusive trabalhando para os clubes. Mas há uma tentativa de afastá-los pouco a pouco do esporte, criando tal banco de dados, Cristiano, e facilitando o contato de um clube com o outro, especialmente os mais fortes e com maior poder econômico. Tanto que os agentes estão se mobilizando contra o projeto e alguns jogadores europeus já protestaram, pois não querem ver expostas, da forma que for, cláusulas de seus contratos profissionais. E sem elas o banco de dados serviria pra muito pouca coisa, já que a multa rescisória e a duração do contrato isso todo mundo já sabe. Abs. e boa semana procê, Janca

  • Ton

    Olá janca. Eu também acho que não iria funcionar porque duvido muito que os clubes conseguiram manter os dados sobre sigilo, com certeza teríamos vazamento de informações!
    Sinceramente, eu sinto saudades do tempo em que o passe era do clube. Não acho que o jogador era escravo como dizia o senhor Edson Arantes do Nascimento! O clube forma o jogador e investe em um profissional sem garantia de retorno e o jogador sempre tinha o seu percentual na transações de “venda do passe” SEM INTERMEDIÁRIOS!
    Hoje o jogador parece um pedaço de pizza com seus direitos econômicos fatiados. A lei pelé é uma droga e só beneficiou empresários!

    • janca

      Oi Ton. Divergimos um pouco (ou um muito) aqui. Não sinto saudades do tempo do famigerado passe, o jogador tem o direito de sair do clube desde que a multa rescisória seja paga. Antes não era assim. Era uma espécie de escravo dos tempos modernos. O clube que investe na formação do jogador tem de ser reembolsado por isso, um dos problemas é o assédio de outros clubes nas categorias de base e dos próprios empresários. Só que a solução não passa, pelo menos a meu ver, por essa ideia da Fifa. Inclusive porque os dados, penso nesse sentido como você, poderiam acabar sendo vazados ou vendidos a terceiros, nunca se sabe. Mas as mudanças na lei não beneficiaram só os empresários. Beneficiaram jogadores e podem beneficiar so próprios clubes desde que saibam trabalhar direitinho.

      • Ton

        Penso que os clubes ficaram em um beco sem saída. Se vc aposta no garoto da base e estipula um multa alta, o jogador pode “micar”. Se não coloca um multa alta no contrato, vem o rival e leva.

        Veja, dois jogadores que passaram pela base do Corinthians Lulinha e Lucas.

        O Lulinha era apontado como um dos jogadores mais promissores da época, o clube fez um contrato com um multa milionária e o jogador não vingou.

        Se alguém pudesse “prever”, teria feito um contrato nos moldes do Lulinha com o Lucas, porque esse sim vingou e gerou um ROI para o rival São Paulo.

        Não há garantias que um talento da base vire um talento profissional, é um chute no escuro.

        • janca

          Eu entendo, mas você está pensando apenas no lado do clube e jogador não é uma mercadoria. Concordo que é difícil estipular o valor da multa _que depende do salário acertado_, mas investir na base pode trazer ótimos frutos a um clube, desde que o investimento seja bem realizado. Agora que há riscos há. A vida é feita deles.

  • Daniel Rodrigues

    Muitos talentos se perderão sem o “empresário”aquele que descobre, paga passagens , hospedagens e testes para os futuros atletas.

    Os clubes no geral não estão preocupados com os atletas, é só pegar um clube de série B e parte de baixo da tabela da Série A e ver quando terminam os contratos dos atletas das categorias de Base… Respondo: “No ultimo ano de Júnior” ou seja, se o clube não quiser o Ex-Base, ele não se tornará Profissional sem a “caridade” de outro clube.

    Quanto aos Agentes, esses diferentes no papel dos empresários, acredito que qualquer um poderia dever assinar as transações.

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