Lance Armstrong?!?



Acabei de assistir no Discovery a primeira parte da entrevista em que o ciclista Lance Armstrong, 41, finalmente confessa ter usado drogas ilícitas para melhorar seu desempenho, tornando-se vencedor da Volta da França por nada mais nada menos do que sete vezes.

Não sei o que aqueles que acompanharam a entrevista acharam, mas fiquei com a impressão de que Armstrong se abriu pouco, não deu nome aos bois, não parecia arrependido, uma personalidade muuuito estranha… Mais do que eu imaginava.

Ainda há muita coisa mal explicada na história e que Oprah Winfrey não conseguiu arrancar do atleta agora banido do ciclismo. A doação para a UCI (União Ciclística Internacional) para, pelo menos oficialmente, usar o dinheiro para combater o doping, quando já havia suspeitas e acusações de que o próprio Armstrong fazia uso de substâncias proibidas. A saída do Departamento de Justiça norte-americano do caso… A entrada tardia da Usada, a agência norte-americana antidoping. O doping na Volta da Suíça de 2001, que só veio a público recentemente. O uso do câncer que teria atingido Armstrong como estratégia de marketing para o esportista. O que ele não quis responder sobre a doença ou o que teria dito no hospital a respeito da utilização de hormônios, esteróides e drogas para melhorar a performance…

Segue tudo nebuloso e não senti o ex-ciclista, que parecia envelhecido, mas seguro de si, acuado. Ele seguia no ataque, como sempre. Querendo vencer, como sempre.

E não é só o ciclismo que continua em xeque. A luta contra o doping é complicada, luta de gato e rato, já que quanto mais eficientes e eficazes se tornam os exames para detectá-lo maiores também os avanços da indústria química.

A ânsia por heróis, recordes, conquistas, feitos inéditos etc. etc. etc. é gigantesca e interessa a muitos que seja um sucesso. Pois heróis geram lucros, histórias, imagem e vendem… Há muito dinheiro envolvido. E quanto mais dinheiro… No mundo de aparências em que vivemos, onde todo mundo quer se fazer de feliz, mostrar-se interessante, viajado, cheio de amigos, realizado, coisa e tal, é a imagem que vende. E quando um herói se desfaz, colocam logo outro no lugar, pois pessoas e objetos viraram descartáveis.

Pegaram Armstrong, mas isso deu ou dará em alguma coisa? Mudará algo, de fato, no esporte? Na luta contra o doping? Na era de consumismo que chegou, creio que não. Até porque Armstrong é parte do problema. Se acharem que é O problema a coisa irá mal. Ele está longe de ser uma peça isolada na operação. E se há gente abaixo dele envolvida, por que não haveria acima? Afinal trata-se de um esquema gigantesco, que inclui tráfico das drogas para o esporte.

Sinto que a névoa continua aí. Sob Armstrong, que não quis se expor, um direito dele, sob o caso, sob o ciclismo, sob o uso de doping, sob o esporte em geral. Que hoje é business, como se diz. Money, money, money.



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