Torcida por Dunga



Dada a repercussão da coluna que publiquei no LANCE! anteontem, como faço, aliás, todas as terças-feiras, reproduzo excepcionalmente hoje aqui o que escrevi sobre Dunga, uma figura controversa do nosso futebol. Para os que concordam e especialmente para os que discordam da minha posição. O que entendo, aliás, e respeito:

“Fico satisfeito com a decisão de Dunga de voltar ao futebol, comandando o Internacional. Apesar de ele ter sido massacrado depois da eliminação do Brasil nas quartas de final da Copa-2010, considero seu trabalho como técnico da Seleção positivo.

Se tivermos um olhar mais abrangente e analisarmos o conjunto da obra, veremos que Dunga teve muitos méritos. Sob seu comando, levamos a Copa América de 2007, liquidando a Argentina na final com convincentes 3 a 0. Ganhamos o direito de disputar a Copa das Confederações e novamente fomos campeões, derrotando os norte-americanos na final, em jogo emocionante, uma virada histórica para 3 a 2.

Sob o comando de Dunga fomos os melhores nas eliminatórias e conseguimos resultados expressivos e um futebol vistoso, como nas vitórias contra Chile (3 a 0), Argentina (3 a 1) e Uruguai (4 a 0), todas fora de casa. Em amistosos também tivemos atuações que não podem ser esquecidas, como contra Portugal, 6 a 2, e Itália, 2 a 0.

Houve tropeços, claro, indefinições, polêmica por não termos levado Neymar e Ganso ao Mundial, críticas pela falta de experiência do treinador e muitos atritos com a imprensa. Num mundo onde a mídia tem fortíssimo poder e em que todo brasileiro se considera técnico de futebol, natural que Dunga tenha saído sob fortes críticas ao perder a Copa após sofrermos uma virada da Holanda.

Na ocasião eu fazia com três amigos um documentário intitulado “Sobre Futebol e Barreiras”, todo filmado em Israel e territórios palestinos, e um dos personagens, o ex-jogador de futebol e comentarista Zahi Armaly, um árabe que defendeu a seleção israelense e torcia pelo Brasil, profetizou a vitória holandesa ainda no intervalo, quando vencíamos por 1 a 0. Ele dizia que o primeiro tempo costuma ser dos jogadores, o segundo, do técnico, demonstrando pouca confiança em Dunga. E de fato a Holanda faria dois gols na segunda etapa e sairia classificada para as semifinais. Não concordo muito com a tese de Zahi e não vejo Dunga como único responsável pela reviravolta que levamos.

Mas como muitos queriam um bode expiatório, lá estava Dunga pra ser criticado. E Felipe Melo, pela expulsão infantil. Mas o goleiro Júlio César, que falhou no primeiro gol holandês, foi poupado. O que faz parte do jogo. Falhas, acertos, vitórias, derrotas, bodes expiatórios… O que não acho bacana, porém, é o massacre a que Dunga foi submetido. Se não fizemos uma grande Copa em 2010 (e de fato não fizemos), tivemos bons momentos quando ele dirigiu a Seleção. Momentos que não devem ser apagados.

Acho que Dunga errou feio no episódio com o apresentador Alex Escobar, de quem sou amigo, aliás, mas foi vítima de “fogo amigo” dentro da própria CBF, inclusive de Rodrigo Paiva, assessor de imprensa da entidade, que não o ajudava na relação com a mídia, muito pelo contrário. Que Dunga tenha aprendido com a experiência e obtenha sucesso no Inter, algo que os últimos técnicos que passaram pelo clube não tiveram.”



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