A meia-entrada no futebol



Depois de muito tempo de cada um por si, representantes dos principais clubes de futebol do Brasil devem se reunir no início do ano para discutir a questão da meia-entrada em eventos esportivos e tomar uma posição a respeito de projeto de lei que tramita na Câmara em regime de urgência.

Ao lado de artistas e produtores culturais ligados ao teatro, a espetáculos musicais e à indústria cinematográfica, eles reclamam que o governo estabelece um benefício a estudantes e cidadãos com mais de 65 anos, mas quem paga a conta é o setor privado _no caso, quem organiza o evento.

O projeto determina um teto para o desconto, que seria de no máximo 40% dos ingressos colocados à venda. Os dirigentes, ainda assim, temem que ele possa prejudicar programas como o Sócio-Torcedor, que no caso de alguns clubes, especialmente Corinthians, Grêmio e Inter, têm preenchido boa parte das arquibancadas, seja no torneio que for. Além do mais, ainda segundo os clubes, a meia-entrada os obriga a colocar o preço da entrada lá pra cima a fim de compensar o pagamento, por estudantes e idosos, da metade do preço.

Cadeias de cinema fizeram um levantamento que indica que mais de 60% dos bilhetes são vendidos para quem tem o benefício, enquanto no teatro a porcentagem é maior: 80%. Os clubes ainda não fizeram o seu.

Uma outra questão que eles levantam é quem tem, de fato, direito à meia-entrada, já que alguns municípios e estados do país dão o benefício também a outras “categorias”. Sem falar em denúncias de fraude em emissão de carteirinhas de estudante, que se concentra nas mãos da União Nacional dos Estudantes, uma entidade partidária, como temos visto em muitas ocasiões, e dependente da taxa cobrada para fazer a carteira.

A discussão promete e é legítimo que os clubes participem dela. Mas eles têm que rediscutir também _e é o que pretendem fazer a partir do encontro de janeiro_ como fazer para pagar as dívidas com o governo _seja municipal, estadual e federal. Porque não dá pra ficar rolando a conta permanentemente, dependendo de uma Timemania que até agora não vingou ou fazendo mais gastos que não têm como quitar.

Que a reunião realmente aconteça e traga frutos positivos. O futebol precisa de novos ventos e os clubes necessitam firmar posição, discutir calendário, mudanças na CBF, cujo debate, como tenho insistido, tem de ganhar força também na sociedade civil e no governo, até porque a CBF administra um dos principais produtos nacionais como se fosse seu. E o administra mal, diga-se de passagem.



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