Novos tempos no Fla?



Mal ganhou a eleição, Eduardo Bandeira de Mello tem que descobrir, como principal desafio imediato, a real situação financeira do Flamengo. Que não é nada boa, todos nós sabemos, mas o tamanho do buraco segue desconhecido.

O último balanço aprovado, assim mesmo com ressalvas, foi o de 2010. Ou seja, transparência zero ou, se houve alguma, foi muito, muito pouca. O passivo é enorme, as dívidas, inclusive com as contratações de alguns jogadores, caso de Vágner Love, são preocupantes, assim como possíveis derrotas em processos na Justiça, caso de Ronaldinho Gaúcho. Elas podem aumentar o rombo, que já fez a diretoria atrasar o pagamento de salários neste ano.

Uma pena que a dirigente que sai, Patrícia Amorim, acabe não sendo responsabilizada pelos estragos feitos por sua gestão ao clube, já que acabam repassados ao novo presidente. Um dos males do Brasil e de nossa legislação esportiva. Os clubes têm estatutos que protegem seus presidentes e acabam prejudicando as instituições. Há mandatários que os administram como se fossem seus feudos, só que sem a preocupação com o longo prazo. Fazem loucuras, contraem dívidas, buscam resultados imediatos, que muitas vezes não conseguem, e jogam o prejuízo aos sucessores.

Espero que Eduardo Bandeira se saia bem, formando um conselho gestor, como prometera, com um diretor-geral remunerado, executivos nas mais diversas áreas e devendo satisfação e resultados ao próprio conselho.

Há rubro-negros abnegados, que há tempos começaram a se encontrar e reunir num restaurante do Jardim Botânico, no Rio, muitos dos quais são “apenas” torcedores, não sócios, a maioria de sucesso em seu setor de atuação e que querem colaborar e apoiam Bandeira de Mello. Sou a favor da colaboração de “notáveis” para ajudar o Fla, que tem a maior torcida do país, algo em torno de 40 milhões.

Com a derrota de Patrícia Amorim, que confessou numa entrevista ao jornal “O Globo” não ter visão empresarial, a situação pode começar a mudar. Zico, desprezado por ela, ganha força de novo e, com sua experiência no mercado e no futebol, sem falar na ligação que tem com a Gávea, pode desempenhar papel importante nessa fase de transição. O futebol tem que ser tratado com visão empresarial, que a ex-presidente de fato não tinha, não de maneira amadorística, e as finanças e o marketing merecem atenção especial.

Com todo respeito, não dá para o Flamengo receber menos com contratos publicitários e ações de marketing do que o Inter, por exemplo, cuja torcida é menor e mais limitada à região Sul. A diferença é que há tempos os gaúchos _o Grêmio é outro bom exemplo_ se preocupam com seus torcedores, têm estádios próprios, sabem que o marketing é essencial e boa fonte de recursos, algo que os cariocas estão demorando a entender. Que seja diferente agora com novos ares da Gávea. Fica aqui pelo menos meu desejo de um futuro melhor. O Flamengo e o Rio merecem.



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