O futebol já esteve pior



Membro do Comitê Organizador Local da Copa, Ronaldo continua achando que o futebol brasileiro vive seu pior momento, declaração que Luiz Felipe Scolari e Carlos Alberto Parreira preferem não comentar.

Eu discordo do ex-atacante. Acho que já vivemos dias piores. Posso citar aqui apenas alguns exemplos:

1) A preparação para a Copa de 1990, que foi conturbada, o racha no grupo durante o Mundial da Itália e o desempenho decepcionante, que praticamente encerrou a carreira de Sebastião Lazaroni _foi, aliás, a primeira Copa do Brasil nas mãos de Ricardo Teixeira;

2) As eliminatórias para a Copa de 1994, quando perdemos para a Bolívia, fora de casa, e passamos a correr sério risco de não nos classificarmos para o Mundial dos Estados Unidos. Aturdido, Carlos Alberto Parreira pensou em pedir demissão logo após a partida e quase foi às lágrimas depois da primeira derrota da história do Brasil nas eliminatórias;

3) E quando tínhamos um Brasileiro para cem ou mais clubes a fim de contentar políticos de diferentes regiões, cidades e estados?

4) E a Copa João Havelange, uma das maiores viradas da história do futebol brasileiro, que foi uma tremenda confusão e parou na Justiça?

5) Para o Mundial de 2002, o próprio Felipão foi convocado de emergência cerca de um ano antes para tirar o Brasil do buraco, ameaçado que estava de nem se classificar para a Copa Coreia/Japão que viria a ganhar nas mãos do novo treinador…

Por incrível que pareça, houve alguns avanços no futebol brasileiro, como dez anos de um Nacional cuja fórmula todos conhecem, sem virada de mesa nas Séries A e B, insisto que a safra atual de jogadores é boa, tanto a de veteranos como a de novatos, vide Neymar, Oscar, Lucas, Ganso, Bernard e Cia., a de técnicos e dirigentes que não…

A questão é que há muito a avançar. Não dá pra termos na CBF a dupla Marin/Del Nero, herança de Ricardo Teixeira, de quem Ronaldo, aliás, era fiel escudeiro. Não dá pra termos no Comitê Organizador Local um Bebeto, que está lá apenas para sair na foto. Não dá pra termos o calendário brasileiro como ele é hoje, com os grandes perdendo quase quatro meses com Estaduais que não despertam o interesse de praticamente ninguém. Não dá para a seleção ser tão maltratada como tem sido desde 2006, quando, aliás, era dirigida pelo próprio Parreira e viu o grupo se dividir na Alemanha, sem nada conseguir fazer.

Se dias melhores virão, não sei, espero que sim, mas acho que nosso futebol já viveu dias piores. E depois da Copa, como tenho dito, muita coisa vai mudar. Não sei se pra melhor ou pra pior, mas vai. Inclusive com movimentos de oposição na CBF, algo que não tínhamos há quase três décadas. Mas que a disputa não fique apenas entre Marco Polo Del Nero e Andrés Sanchez, que surja uma terceira, uma quarta e até uma quinta via, por que não? Quanto mais disputa e novas ideias, melhor.



MaisRecentes

Fernando Diniz na berlinda



Continue Lendo

Deuses da Bola



Continue Lendo

Galo pega fogo



Continue Lendo