A gafe de Felipão



A declaração de Luiz Felipe Scolari sobre a pressão de dirigir a seleção brasileira segue causando polêmica, mesmo que a direção do Banco do Brasil considere o episódio superado.

Ao comentar sobre ter concordado em assumir a seleção com a obrigação de ser campeão mundial em 2014, Felipão afirmou que, se fosse para trabalhar sem pressão, iria para o Banco do Brasil, sentaria numa mesa e não faria nada. Como se fosse fácil o trabalho de bancário…

Ok, o técnico já se retratou, mas acho que o comentário merece uma reflexão maior. Inclusive sobre a cultura brasileira, já que não são poucos os que acham que trabalhar em banco ou escritório não exige pressão. Como bem colocou um representante dos bancários, a profissão também é estressante. Há metas absurdas e quem muitas vezes paga a conta são os gerentes e _o que é muito grave_ os clientes, que acabam comprando produtos enganosos.

Tem muita gente no meio do futebol que age como se pressão fosse uma coisa inerente só ao esporte e às pessoas públicas. Não é. Há muitas outros setores, como o da educação, saúde e segurança pública que são tão estressantes quanto. Se não mais. O que não dizer da aviação? Da psicologia? Dos lixeiros, que muitas vezes nem são vistos pela sociedade, despersonalizados pelo uniforme e fazem um trabalho digno, mal remunerado e extremamente necessário?

Aqui não se trata de ser politicamente correto ou não, inclusive porque o politicamente correto cansa e leva a muitos exageros, a questão é outra. Acho que há muita gente que pensa como Felipão, que por mais que diga ter a obrigação de vencer em 2014, sabe que não tem. Se perder (e ninguém é obrigado a vencer, derrota faz parte do jogo), já deve estar com o discurso pronto na língua. E um dos argumentos é que terá tido pouco mais de um ano e meio para preparar a seleção. Em caso de fracasso, pode dizer que não foi o suficiente.



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