O papel de Andrés



O diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez, tem dito que foi voto vencido na decisão da CBF de demitir Mano Menezes. Não é verdade. Ele nem direito a voto teve, pois a saída do técnico havia sido tomada em conjunto por José Maria Marin e Marco Polo Del Nero sem consultar o ex-presidente corintiano. Apenas o comunicaram da demissão.

Não custa lembrar que Andrés foi escolhido para o cargo por Ricardo Teixeira, que via nele um possível sucessor depois da Copa de 2014 e queria um escudo junto ao time e à comissão técnica enquanto ele próprio se defendia de uma série de denúncias de corrupção, entre as quais o recebimento de propina na Suíça.

Com a saída de Teixeira, Marin, o vice mais velho, e Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol, tomaram conta da entidade e fizeram de Andrés uma espécie de “rainha da Inglaterra”. Nunca esconderam o descontentamento com o trabalho de Mano, que tinha todo o apoio de Andrés. Só não descartaram o ex-presidente corintiano porque ele ainda pode trazer dividendos políticos à CBF.

Assim como fizera com Teixeira, a presidente Dilma Rousseff tem evitado contatos com Marin, que iniciou sua trajetória política na ditadura. Apesar de ele próprio ter trânsito em Brasília, Marin sabe que Andrés, que é próximo do ex-presidente Lula e petista de carteirinha, pode ser uma peça importante numa tentativa de aproximação do governo federal. Como diretor de seleções, no entanto, seu papel segue bem esvaziado. Quem manda na área é Marin ao lado apenas de Del Nero. Não se trata de um triunvirato, mas de um dueto. Por enquanto Andrés tem apenas dito amém. Até quando?



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