A Caixa e o Corinthians



Segue dando o que falar o acordo entre a Caixa Econômica Federal e o Corinthians. O banco estatal irá patrocinar a camisa do clube paulista, exibindo-a já no clássico do final de semana, contra o Santos, e no Mundial de Clubes do Japão.

Dirigentes de clubes rivais e alguns especialistas em marketing esportivo lembram que o estádio do Corinthians está sendo viabilizado com dinheiro público e questionam o fato de uma empresa do governo dar preferência a uns e não a outros. Vêem protecionismo do governo em relação ao time paulista.

Em relação à forma como a construção da arena corintiana está sendo viabilizada fui e continuo sendo contra, pois não defendo recursos e benefícios públicos para estádios particulares. Mas encaro o patrocínio da Caixa de outra forma. O Corinthians, apresentando Certidões Negativas de Débito, pode perfeitamente receber recursos do banco, para o qual se associar ao time paulista pode gerar ótimos dividendos.

Por que só bancos privados poderiam patrocinar times de futebol? Estatais não? Qual a lógica? E nada mais natural que o escolhido tenha sido o Corinthians, clube cuja torcida tem o maior potencial de consumo do país e que está em evidência, tendo vencido a Libertadores e obtido vaga para o Mundial.

Vejo como um provável ótimo negócio para a Caixa e bom para o Corinthians também. Afinal o clube, que sonhava em receber até 50 milhões de reais por ano com o patrocínio máster, não conseguiu chegar a tanto e vai ter que se contentar com valores na casa dos 30 milhões de reais. O que já está bom, como insistia o presidente Mário Gobbi, que convenceu Luís Paulo Rosenberg a diminuir a pedida e concordar com o valor oferecido.

Para quem questiona os investimentos que a Caixa já faz no futebol, patrocinando Atlético-PR, Avaí e Figueirense, respondo que se trata da estratégia do banco que deve ser respeitada. E que os valores são muito menores do que os negociados com o Corinthians, por motivos mais do que evidentes.

Para quem não se lembra, durante 25 anos a Petrobras, estatal como a Caixa, patrocinou o Flamengo, só interrompendo a parceria devido à inadimplência do clube com o governo federal. A Eletrobras, cujas ações estão em baixa, patrocinou em 2012 o Vasco, clube que enfrenta enorme crise financeira.

E agora vem a Caixa com o Corinthians num projeto bem ambicioso. Especialistas no mercado já falam de 750 mil a 1,5 milhão de novos cartões de crédito do banco devido à parceria. Que, até prova em contrário, acho legítima, por mais que tenha descontentado muita gente.



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