A Fifa e a BBC



O presidente da Fifa, Joseph Blatter, quer aproveitar a crise da BBC para se reaproximar da principal emissora britânica.

O dirigente vinha reclamando que sofria perseguição política da TV, que teria ficado contrariada com a derrota dos ingleses na disputa para abrigar uma Copa do Mundo _a de 2018 ficou com a Rússia, a de 2022, com o Qatar e a emissora fez várias denúncias sobre compra de votos e fraudes no processo eleitoral.

Blatter não conseguiu mostrar a lisura da votação, tanto que o Comitê Executivo teve membro expulso acusado de participação no propalado esquema e a própria Fifa admitiu mudar o processo e ampliar seu quadro eleitoral, o que, por si só, não acabaria com a possibilidade de fraude.

Blatter, no entanto, sempre insistiu que a BBC só passou a atacá-lo depois da derrota dos ingleses, não restringindo a ofensiva às suspeitas de fraude na escolha das sedes, mas questionando as relações comerciais da Fifa, a contabilidade e até pagamentos e recebimentos de propina, vide os casos Teixeira e Havelange.

Mas agora, com a emissora britânica envolvida ela própria em gravíssima crise que derrubou a cúpula do jornalismo, o suíço tenta fazer as pazes e manter uma nova relação com a BBC. Uma relação que seja conveniente para ele e para a Fifa, claro.

Para quem não acompanhou a crise, o diretor-geral da emissora pediu demissão por conta de uma reportagem com uma falsa acusação sexual contra um político britânico. Depois a diretora e o vice-diretor do jornalismo foram afastados. No mês passado houve ainda a descoberta de que um dos principais apresentadores da BBC, que morreu no ano passado, abusou sexualmente de vários menores de idade durante quase 40 anos. O programa “Newsnight”, um dos mais conhecidos da emissora britânica, investigava o caso, mas por ordens superiores teria parado as apurações. Um editor sênior do programa foi demitido e o diretor-geral do canal na época, Mark Thompson, disse que não sabia de nada.

Detalhe: Thompson foi contratado para comandar o “The New York Times” e passou a ser questionado pela ombudsman do jornal, levando a crise à América. Com toda razão, aliás. Não é só no esporte que muita coisa fede, na mídia também. O poder…



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