Ameaças no futebol



A recente onda de ameaças no futebol, envolvendo especialmente o Palmeiras, são um caso pra polícia, embora traga outras questões para discutirmos. Uma delas é a psicologia no esporte, que continua sendo relegada a segundo plano e pouco utilizada pelos clubes.

Como cada jogador reage diante de pressão? Há os que crescem, mas há os que caem de produção, não dormem direito, rendem bem menos do que poderiam, começam a errar lances fáceis… A cabeça do atleta é trabalhada? Acho que não, no máximo com palestras motivacionais e pitacos de autoajuda, quando a psicologia no esporte é muito mais do que isso e deveria ser individualizada. Porque cada atleta é único e reage de uma maneira específica.

No caso do Palmeiras, três dos jogadores que mais caíram de rendimento depois que as ameaças, atos de vandalismo, pichações etc. etc. etc. começaram foram Artur, João Vitor e Maurício Ramos. Segundo conselheiros da oposição, foram deixados de lado. Se quiserem cuidar da cabeça, que façam por conta própria. Se quiserem segurança, que contratem particulares. Assim fica difícil.

Mesmo no Flamengo, clube que aconselhou terapia a Adriano, o estafe do jogador passou a alardear que esse tipo de trabalho não é feito na Gávea, pelo menos não com os profissionais que atuam no Brasileirão. Ou seja, se o Fla valorizasse tanto a questão psicológica, teria um ou mais especialistas no setor para cuidarem de seus jogadores, algo que, pelo jeito, não faz.

Tantos reclamaram de suposta falta de preparo emocional de atletas brasileiros na Olimpíada, mas se o trabalho não é feito na base e de antemão, na hora h não adianta reclamar.

A psicologia e o esporte deveriam andar de mãos dadas. Basta ver o exemplo do tênis, modalidade em que um mínimo descontrole pode colocar tudo a perder. Não acho que seja por acaso que o brasileiro Thomaz Bellucci tem dado muito trabalho para os tenistas de ponta, como Roger Federer, e praticamente entregado o jogo quando se espera mais dele, diante de rivais menos badalados. Foi o que aconteceu na semana passada, quando não passou da primeira rodada do Masters 1.000 de Paris. Acabou atropelado pelo sul-africano Kevin Anderson por 2 sets a 0, parciais de 6/2 e 6/1, em pouco mais de uma hora. Não deve ser por acaso que quando joga sem pressão de vencer atua de uma forma e quando o favoritismo é dele, costuma entrar na quadra de outra.

Isso vale para o tênis, para o futebol e para tantos outros esportes. É um trabalho diário _o da cabeça. Um trabalho que deveria começar na base, mas se nem no alto rendimento ainda é levado a sério, fica difícil.

Por mais que o tempo passe, ainda há preconceito com a atividade _a psicologia. Principalmente no esporte. Mas as barreiras estão aí pra serem quebradas. E uma hora serão. Espero.

Volto a postar na próxima quarta, dia 14, mas até lá continuarei, na medida do possível, respondendo os comentários de vocês. Desde já um bom final de semana e uma excelente semana a todos, Janca



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