Força à Seleção



Reproduzo abaixo coluna que publiquei ontem no LANCE!. As colunas continuarão saindo no diário todas as terças, acompanhada da seção Três Toques, e a partir de novembro apenas em casos excepcionais as reproduzirei neste espaço. Lá vai, então:

“Tenho visto muita gente criticando a Seleção Brasileira, que estaria “roubando” jogadores dos clubes, desfalcando-os em momentos importantes do campeonato nacional e até atrapalhando suas campanhas em torneios internacionais.

Não acho que estejam errados, muito pelo contrário, mas podemos ter mais cuidado com a Seleção, ainda mais tendo em vista que seremos a sede da Copa de 2014, que encaro como um divisor de águas. Depois do Mundial muita coisa vai mudar, não sei se pra melhor ou pra pior, mas vai.

Não fosse a Seleção e a exposição que ela dá aos jogadores duvido que Neymar teria continuado no Santos. Talvez já estivesse na Europa, inclusive porque o próprio estafe do atleta diz que o principal motivo pra seguir na Vila foi o projeto 2014. E agora já discute a ideia de permanecer pelo menos até 2016 por conta do inédito ouro olímpico, que pela primeira vez na história disputaremos em casa. Muitos dos contratos publicitários que permitem ao atacante seguir por aqui talvez não tivessem sido assinados se ele fosse dispensado da Seleção pra não desfalcar o Santos.

Uma bela atuação do Brasil no Mundial (e temos talentos suficientes pra isso) pode reaproximar o torcedor da Seleção, valorizar nossos clubes e campeonatos e torná-los mais atraentes para o mercado internacional. Interessa não só à CBF, mas a todos os que trabalham direta ou indiretamente com o futebol brasileiro.

A grande questão, no entanto, é a CBF cuidar melhor da Seleção, algo que não vem fazendo de 2006 pra cá, e reformular o calendário do futebol nacional, deixando-o compatível com a agenda da equipe de Mano Menezes. Tenho insistido que um dos caminhos pra melhorar o calendário e torná-lo mais racional passa pela redução da participação dos grandes nos falidos Estaduais, torneios que despertam pouco interesse e não têm a mesma graça dos anos 60, 70 ou 80. Cabe à CBF discutir a questão com clubes e federações, lembrando que as últimas não querem perder seu filão e também votam pra eleger o presidente da entidade. Mas a CBF não pode viver como hoje, fazendo média aqui e acolá. Deveria, com apoio dos clubes, enfrentar as federações.

Como deveria rediscutir o contrato assinado por Ricardo Teixeira, antes de deixar o cargo, com uma empresa da Arábia Saudita que marca amistosos pro Brasil. Se na época dos jogos da Nike, que por contrato exigia que a Seleção tivesse determinado número de titulares nos amistosos marcados por ela, isso foi renegociado, por que agora não seria? Não faz sentido enfrentarmos Gabão, Iraque e outros times de naipe parecido quando poderíamos ter enfrentado uma França, por exemplo, e não o fizemos. Fora que temos jogado em estádios bem modestos, como na Suécia, estádios que nem cheios ficam.

Todas essas questões deveriam ser discutidas inclusive pelo governo, que pode não dar dinheiro à CBF, ao contrário do que faz com o COB, mas sabendo que ela administra um dos principais produtos nacionais. E, infelizmente, administra cada vez pior.”



MaisRecentes

A matemática do futebol



Continue Lendo

A melhor do mundo



Continue Lendo

Aprender a perder



Continue Lendo