Guardiola no Brasil



Outro dia li uma nota no “Estadão” dizendo que um brasileiro havia encontrado Pep Guardiola em Nova York e comentado que seria muito bom tê-lo no comando da seleção brasileira em 2014. O espanhol respondeu que até agora não recebeu convite.

Não é que a cena se repetiu com outro casal brasileiro? Viram Guardiola em Times Square, pediram pra tirar uma foto com ele e perguntaram o porquê de estar parado e se haveria chances de dirigir o Brasil. A resposta? Está parado pra curtir um período sabático, parte do qual resolveu passar em NY, frequentando aulas/seminários na Columbia e na NY University, duas das principais universidades norte-americanas, mas uma hora retorna ao futebol. Ida pra seleção? Se for chamado, por que não?

Não sei se o ex-técnico do Barça já voltou à Espanha ou se segue nos Estados Unidos, mas que está aberto a convites pelo jeito está. Continuo achando, por mais que o Brasil tenha apresentado um futebol melhor contra o Japão, no último amistoso que disputamos, que precisamos de um choque no comando. E o choque poderia ser Guardiola, que entende muito de futebol, inspirou-se no estilo brasileiro de jogar pra montar o Barcelona e poderia devolvar a seleção a suas raízes. Um futebol mais alegre e menos burocrático.

Pena que a CBF continue jurássica e não se mexa, talvez com receio de experimentar um técnico estrangeiro numa Copa no Brasil. Acho que o torcedor receberia bem o Guardiola, pois quer alguém competente, com experiência, capacidade de liderança e trabalho. Não vejo nome melhor do que o dele. O desafio, pra Guardiola, seria enorme e ele parece propenso a conversar. O problema é saber se a CBF está. E me parece que não.



  • marcos

    Seria muito bom tê-lo no comando da seleção, apesar de achar pouco provável que ele aceite um convite da CBF, pois em uma reportagem ele disse que o barça faz o que o Brasil já fez, e também não acredito em um título logo na primeira competição. Trazer uma filosofia ao nosso futebol seria muito bom.

    • janca

      Oi Marcos. Também acho que seria muito bom tê-lo à frente da seleção e não acho improvável que ele aceitasse o convite, pelo contrário. O que acho improvável é a CBF fazer o convite. Ele era fã do futebol brasileiro, aquele jogado nos anos 70 e 80, no qual o Barça se inspirou, e por isso acho que poderia nos ajudar a resgatar as origens do nosso futebol, futebol que anda tão burocrático. Traria uma nova filosofia à seleção e aos clubes, poderia ficar mais tempo por aqui e não precisa ganhar a Copa de 2014, como Mano tampouco precisa. O que precisamos é voltar a jogar futebol de verdade, pois nossa safra de jogadores segue sendo boa. Já a de técnicos… Abs. e boa terça pra você, Janca

      • Concordo, em parte, tanto com você Janca, quanto com o Marcos. Resgatar essa filosofia futebolística à seleção canarinho seria magnífico; que saudade daquele time do Telê!
        Observo que aquilo era um time, não uma seleção.
        O problema é que o tempo urge, a Copa 2014 já está aí.
        Creio que, estando Guardiola no comando e mesmo com um fracasso, já que o tempo e outras questões, digamos, burocráticas sejam grande empecilho para o êxito, valeria a pena. Mas valeria a pena somente se o trabalho pós 2014 fosse continuado.
        Aí eu me pergunto: 1- “será que o Pepe estaria disposto a correr este risco?”; 2- “para a CBF é melhor deixar como está, considerando que ainda tem chance de êxito, se desculpar no final, em caso de fracasso, empregando aquelas máximas de que “futebol é assim mesmo”, “nem sempre o melhor ganha”, “é uma caixinha de surpresas”, ou, apostando neste novo empreendimento os riscos serão maiores?
        Sei não! Torço para que aconteça, mas duvido!

        • janca

          Sabe que não sei se para a CBF é mesmo melhor deixar como está? Porque corremos o risco de fazer um papelão na Copa, ainda mais com o discurso derrotista do Mano Menezes, que fala como se estivesse dirigindo uma seleção de segunda quando não está. Vejo a CBF _e José Maria Marin_ perdida. Seja em relação à seleção, seja em relação ao calendário nacional, seja em relação à arbitragem.

    • Luiz Fernando Sigolo

      Olá Marcos, eu também acharia bom se o Guardiola viesse pra Seleção Brasileira, mas também acho pouco provável que isso aconteça, infelizmente o tecnico parece que a CBF já definiu, que é o Mano, agora o jeito vai ser torcer pro Neymar estar bem durante a Copa.

      • janca

        Também já começo a achar que teremos Mano Menezes até a Copa, apesar dos erros que demonstrou em competições como Copa América, onde passamos vexame, e nos Jogos de Londres.

  • Eduardo Junior

    Quem dera!

    Mas acho que ele se queimaria aqui, ou pediria conta quando ver a burocracia, a covardia, e deslealdade das convocações que só servem para atender aos interesses financeiros da cúpula da CBF.

    Quando se depará com esse balcão de negócios ele pede as contas, fora a pressão do povo brasileiro de resultados imediatos, mas acredito que se tratando dele a galera terá mais paciência.

    Técnico igual, ou melhor que ele, não existe mais, o último foi Telê Santana que deu uma aula particular para ele no mundial de clubes entre SPFC e Barcelona, onde ainda era jogador. Tenho certeza que dali surgiu sua inspiração de ser treinador de futebol.

    vou falar uma para vc Janca! antes perdendo a copa no Brasil jogando com os melhores e apresentando um futebol bonito, como aquela seleção de 82, do que ganhar com os “selecionados ” da CBF jogando um futebol burocrático como tem jogado.

  • Rafael

    Janca,

    Seria realmente muito bom ter o Pep no comando da seleção!
    Mais do jeito que a CBF é.. daqui a pouco vão querer colocar o Tite!
    Enquanto não trocar a cúpula da CBF, cortar o mal pela raiz, não adianta ficar trocando de técnico!
    Se bem que o pep ia fazer esse time jogar bola hein?

    O que acha Janca?

    Abraços

    • janca

      Ah! Confio no trabalho dele e daria uma outra cara pra seleção, Rafael. Mas a cúpula da CBF e a estrutura da entidade teriam de mudar. Do jeito que está ela não tem conseguido gerenciar a seleção brasileira que, como costumo dizer, está cada vez mais desvalorizada. E a seleção é um produto e um patrimônio nacional, a CBF trata como se fosse dela e faz o que bem entende, até ceder nossos amistosos para uma empresa na Arábia Saudita administrar. Não dá. O contrato, assinado por Ricardo Teixeira antes de renunciar, interessa a quem? Certamente não ao futebol brasileiro. Abs.

  • Mario

    com ctz ter Guardiola na seleção seria uma evolução ou uma volta a nossas origens realmente , mas temo q ele sofreria muita encheção de saco com setores da nossa impressa q iria querer resultados imediatos e cobrar ele loucamente p/terem midia .

    • janca

      Que seria cobrado, seria, mas ele tem boa estrutura _e ótimos resultados no passado_ para responder os críticos.

  • Vaz

    No dia seguinte a contratação seria o dia do armagedon. Janca a idéia seria revolucionária pois como você já cansou de ler meus cometários penso que o atual estado de coisas no futebol brasileiro, da falta de profissionalismo da grande maioria dos “atores” envolvidos no dia a dia nosso. O futebol brasileiro precisa para ontem de um choque de modernidade, de abandonar “dogmas” e crendices mas ao contratar o Guardiola teríamos algo pior que o furacão Sandy. Nossos dirigentes, técnicos, comentáristas (a turma do boleiro/torcedor), jornalista tacanho que ainda restam e a cartolada vai entrar em pé de guerra. Se com técnico brasileiro os caras querem puxar o tapete no primeiro dia imagino com “gringo”.
    Gostaria de ver esta mas infelizmente não é só a CBF Ju

    • janca

      Eu concordo. TEmos de abandonar o velho paradigma, como diriam alugns, ou dogmas e crendicis e contratar o Guardiola. Precisamos de um choque no nosso futebol e Guardiola seria uma enorme mudança. Mas com os dirigentes atuais fica difícil imaginar a contratação do espanhol.

  • Vaz

    desculpe mas deu problema no meu computador. Concluindo; Não é só a CBF que está no Jurásico mas a maioria dos personagens do futebol está é no Cetáceo. Continuamos discutindo a mesma coisa a décadas e não muda e seria um choque de mudanças mas sei não as reações seriam desastrosas. Gostaria de ver.

    • janca

      Por maior que fosse (ou que seja) a reação a uma eventual contratação do Guardiola, precisaríamos de alguém com peito pra bancá-la. Chega de mais do mesmo.

  • Fabio

    Boa tarde Janca.

    Desculpa fugir do assunto, mas você leu a coluna do Damato sobre pessoas de fora vendo o jogo na TV e auxiliando os árbitros?
    É a isso que me referí naquele post antigo, do quarto árbitro ver o jogo na TV e auxiliar, mas não só em lances capitais, em faltas também, para diminuir as simulações.

    Manjo pra caramba de futebol hein, rsrs…..só falta a FIFA se modernizar. Abraço
    Obs: se a moda pega Santos e Curintia tão na roça…kkkk

    • janca

      Li, claro, mas isso não é permitido, Fabio, aí está o “x” da questão. Ou se usa a tecnologia ou não. E ela não é permitida, não o uso de imagens de TV, digo.

  • Lucas Araújo

    O mundo hoje é algo completamente interligado. Culturas diferentes cada dia mais interagem entre si e se completam, evoluem com as idéias que adquirem umas com as outras. Só que a CBF ainda não absorveu isso. Ainda acha que o Brasil por si só ainda é a potência-mor, que ainda pode resolver tudo com soluções caseiras. NÃO! Pra início de conversa, o esquema que o Mano introduziu (4-2-3-1) é de escola européia, muitos times da Europa o utilizam e o aprimoraram. Prova inequívoca de que precisamos pensar diferente, precisamos reciclar os pensamentos, necessitamos aprender com outras metodologias, culturas e profissionais que obtiveram sucesso. E o Guardiola é um deles. O mundo é muito grande, é necessário ampliar os horizontes, a mente. Mão-de-obra (jogadores) nós temos de sobra, só que não adianta nada mão-de-obra se os comandantes não sabem que rumo tomar.

    • janca

      É o movimento da globalização, Lucas, mas apesar dele acho que temos de pensar nas raízes de cada lugar, pensar “localmente”, não só “globalmente”. A globalização, a meu ver, tornou o mundo muito chato e padronizado. Não que não tenha pontos positivos _tem e muitos_, mas deve ser tratada com mais calma. E por mais paradoxal que possa ser acho _e continuo achando_ que um técnico estrangeiro como o Guardiola poderia nos ajudar a reencontrar nossa essência em relação ao futebol. A escola brasileira, que não é pior nem melhor do que a europeia. É diferente.

  • Cairia como uma luva na Seleção, e seria bem recebido pelo povo brasileiro, por ser um vencedor !

    • janca

      Eu também acho as duas coisas: cairia como uma luva e ele seria bem recebido pelo torcedor, que quer ver o Brasil jogando um futebol bonito.

  • Francotimão

    Ola Janca, confesso a vc q não tenho uma opinião formada (favoravel ou não) a presença de guardiola no comando da seleção brasileira, estou disposto a aceitar essa solução até msm em nome de mudanças, como vc msm ja disse “chega do msm”, mas estou reticente qto a isso ocontecer neste momento ( antes da copa de 2014), penso seria melhor essa experiencia ocorrer depois da copa, é claro imediatamente após, vençamos ela ou não…abs!!!!!!!

    • janca

      Entendo sua posição, mas pra mim seria melhor que ela _a troca de treinador_ fosse feita antes da Copa. E seria um baita desafio pro Guardiola comandar o Brasil numa Copa aqui no nosso país.

  • Ton

    Janca,

    Não é de hoje que defendo a ideia de um técnico estrangeiro no comando da seleção. Quando o Luxemburgo saiu em 2000, na minha opinião o substituto teria que ser o sérvio Bora Milutinovic que tinha experiência no comando de várias seleções ou então o Bianchi que dirigia o Boca na época e era o atual campeão da libertadores e o escolhido foi o Leão, então técnico do modésto Sport (sem querer faltar com respeito ao Sport). O que quero dizer é que, infelizmente a CBF é um poço de incompetência para definir um cargo tão importante como é o de comandante da seleção penta campeã do mundo. Se o Mano caísse, o nome ideal seria o do Guardiola pela filosofia de jogo que ele implantou no Barça se assemelhar á cultura do futebol brasileiro, mas entendo que ele não seria escolhido porque sempre há outros “interesses obscuros” envolvidos. Por que o Dunga ( que nunca tinha sequer treinado um clube) foi escolhido como substituto do Parreira? Eu acredito que o Ricardo teixeira queria alguém submisso ás suas vontades lá e embora, pelo bem do futebol, ele não esteja mais no comando, não concedo crédito nenhum ao Marin e toda sua corja de idosos obsoletos que colocam interesses pessoais acima dos interesses da nação. É parecido com que ocorre na política . Afinal, o problema é cultural. Espero viver o suficiente para um dia ver o “merecimento” prevalecer na hora de alguém ocupar determinados cargos, postos e etc. Abs.

    • janca

      Do Bora nunca gostei muito, em termos profissionais, mas o Bianchi era um baita nome. Temos a cultura de que o técnico da seleção tem de ser brasileiro, mas será que isso não pode mudar? Na cabeça do torcedor, cada vez mais afastado da seleção por culpa, em parte, da CBF e também da atual comissão técnica, acho que há boa vontade com nomes estrangeitos de gabarito, caso do Guardiola. Abs.

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