Fla/Flu e o Maraca



O edital de concessão do Maracanã, que será lançado depois de consulta pública marcada pra 8 de novembro, tem pontos positivos, embora eu continue muito crítico em relação ao processo.

Um dos pontos de que gostei foi a ideia de obrigar os clubes interessados, caso de Flamengo e Fluminense, a firmar parcerias com empresas se quiserem participar da administração do estádio. Outro é que a arena não será de exclusividade de nenhum time do Rio, podendo receber jogos também de Botafogo, que já tem a concessão do Engenhão, e do Vasco, o único grande carioca com estádio próprio. Um terceiro é a garantia de que a seleção brasileira também poderá atuar no local. E o quarto é a proibição da venda dos “naming rights” do estádio, que continuará conhecido como Maracanã.

Na essência, no entanto, sigo contra a concessão. Não tem cabimento o governo gastar quase 1 bilhão de reais pra refazer o Maraca e entregá-lo de bandeja pra iniciativa privada _o grupo do empresário Eike Batista é o maior interessado no negócio.

Podem argumentar que quem ganhar a concessão, que será de 35 anos, terá de investir cerca de 470 milhões de reais no complexo, incluindo demolição e reconstrução em outro lugar do estádio Célio de Barros (atletismo) e do Parque Aquático Júlio Delamare. Podem dizer também que terá de pagar outros 7 milhões de reais por ano ao governo do Rio, mas acho pouco. A estimativa, afinal, é de que as receitas poderão chegar a 154 milhões de reais por ano, enquanto as despesas seriam de 43 milhões de reais.

Por que o ônus da reforma do estádio fica todo com o governo e o bônus passa pra iniciativa privada? Argumentam que nenhuma empresa colocaria 1 bilhão de reais _ou pouco menos do que isso_ pra reconstruir o Maracanã, como fez o governo do Rio. Mas por que, então, na hora em que o negócio pode dar lucro, ele passa pra iniciativa privada? Por que o estado é mau gestor? Não faz sentido. Se tem dinheiro pra fazer a reforma deveria ter competência pra gerir a arena.

É uma pena que o exemplo do Engenhão, que parou nas mãos do Botafogo a troco de banana, seja repetido com o Maracanã. Pois quem pagou _e caro_ pra construir o estádio que leva o nome de João Havelange para o Pan foi a Prefeitura do Rio. E quem o administra é o Botafogo. Não acho que seja este o caminho. Nem pra um (Engenhão) nem pra outro (Maracanã).



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