O direito de calar



Reproduzo abaixo, como faço vez ou outra, coluna que publiquei no LANCE!  ontem:

“A Fifa estuda usar Miroslav Klose na campanha pelo “jogo limpo” com vistas à Copa de 2014 no Brasil. Para quem não se lembra, o atacante alemão foi manchete no mundo todo mês passado ao avisar o juiz que o gol que acabara de marcar contra o Napoli fora feito com a mão. O árbitro, então, anulou o lance e o jogador da Lazio passou a ser visto como exemplo de honestidade no futebol, recebendo parabéns de Joseph Blatter.

Não sou a favor do “jogo sujo”, mas não gosto de ver o “politicamente correto” tomar conta do futebol. Tampouco acho que o lance por si só demonstre a honestidade de Klose ou de outros atletas e técnicos que fizeram coisas parecidas no passado, ao contrário do que pensa Blatter.

O jogador tem, sim, o direito de se calar como fez Henry na partida que classificou a França para o último Mundial. A bola não tocou em seu braço na jogada em que os franceses fizeram o gol, deixando os irlandeses revoltados e fora da Copa de 2010? Tocou. Ele nada disse e a França se classificou. Entendo a revolta da Irlanda, mas faz parte do futebol, esporte que vive de erros e acertos, polêmicas, diferentes interpretações e discussões que duram semanas, meses e anos.

Minha dúvida em relação à atitude de Klose é saber se ele faria a mesma coisa caso o jogo entre Lazio e Napoli valesse o título do Italiano. Ou se fosse a favor da Alemanha na final da Copa de 2002, ganha pelos brasileiros em Yokohama. Faria Klose o mesmo gesto? Tenho sérias dúvidas e acho que ele mesmo não saberia responder.

Na Copa de 1962, Nilton Santos cometeu pênalti no espanhol Enrique Collar, deu dois passos pra trás, saindo da grande área e confundindo o árbitro Sergio Bustamante, que marcou apenas uma falta, ajudando o Brasil na conquista do bicampeonato Mundial. Nilton Santos passou a ser desonesto por conta disso? De jeito nenhum. E o que seria de Maradona se tivesse pedido para o juiz anular seu gol contra a Inglaterra, na Copa de 1986, aquele marcado com a “mão de Deus”? E de Túlio, que também anotou um gol com a mão contra a Argentina, em jogo que eliminou os “hermanos” da Copa América de 1995? Marcou e ficou quieto, o que é um direito do atleta. O atleta é pago pra jogar, não pra apitar a partida. Essa função é do juiz que, percebendo a infração, como um gol marcado propositalmente com a mão, por exemplo, deve punir severamente o jogador. Como Bustamante deveria punir Nílton Santos se tivesse percebido a jogada do brasileiro.

Também é interessante nisso tudo ver o presidente da Fifa defendendo o chamado “jogo limpo” ou o politicamente correto dentro de campo, mas deixar tanta coisa acontecer fora dele. As denúncias de corrupção que pesam sobre a entidade e alguns de seus integrantes e ex-integrantes que o digam.”



  • Renato Bastos

    Acho que a hipocrisia está tomando conta do mundo, niguem é politicamente correto o tempo inteiro , somos humanos e movidos por emoção então voce pode ter diferentes atitudes para um mesmo caso dependendo do seu estado e visão na hora, acho que no dia ele estava em um dia feliz e tomou a atitude correta para aquele momento, mas como voce mesmo disse se fosse em uma final e o gol dele vale-se o titulo será que faria? acho que não e falo isso sabe porque, porque eu mesmo nao falaria e isso nao me torna um mau carater como não a atitude dele nao o torna o Deus dos bons costumes….acho que as pessoas tem de se preocupar em ser o melhor que conseguem, julgar menos os outros e tentar concertar sempre os proprios defeitos, Blater devia começar o jogo limpo pelos dirigentes da fifa, das confederações, dos empresarios o exemplo sempre vem de cima….

    obs: nao tive a oportunidade de comentar seu bloq ontem mas li hoje e vi os comentarios, é impressionante como tem gente hoje em dia que sabe ler e nao sabe entender o que esta lendo, tive um professor que disse que são os analfabetos do futuro, eles tem a capacidade de ler as palavras mas nao de interpretar…e mesmo com todas a ofensas voce respondeu a todos os posts como mereciam, Parabens pelo seu trabalho e pela ateção que voce da aos seus leitores, inclusive ate para os que nao merecem. Abraçao!!!

    • janca

      Oi Renato, concordo com você sobre podermos ter atitudes diferentes em relação a um mesmo caso, já que nosso estado emocional, o momento, as circunstância, enfim, o contexto, tudo isso influencia na tomada de uma decisão. E também acho que o exemplo deveria vir de cima, então que o Blatter começasse o “jogo limpo” pelos dirigentes da Fifa, empresários da bola, porque sabemos que nessa parte da pirâmide não faltam denúncias de corrupção e muita coisa é jogada pra baixo do tapete. Sobre o post de ontem tenho lido muito sobre jovens que entram na universidade e são analfabetos funcionais, isso é impressionante e talvez reflita o momento que vivemos, tomado pela internet, que tem seus lados bons, mas os ruins também. Quando dizemos que navegamos ou surfamos (no caso da internet), estamos dizendo que ficamos na superfície. Não nos aprofundamos em muitas coisas. A leitura está cada vez mais superficial e a escrita, idem. Abs. e boa quarta pra você, Janca

  • Leonardo

    Janca, me explique uma coisa, vc é contra a simulação por ação e a favor da simulação por omissão?? Qual a diferença entre um jogador que se atira cavando um pênalti e um cara que faz gol de mão, ou o cara que finge ter feito a falta fora da área? Simular é mascarar a realidade! A FIFA dentro de campo tem coesão, pois é contra qualquer espécie de simulação, seja comissiva ou omissiva. Não entendi a sua lógica, pois no caso da bolada do Luis Fabiano, você foi categórico: toda simulação deve ser punida.

    • janca

      A questão é muito mais complexa do que ser a favor disso ou daquilo, Leonardo. O que estou defendendo é o direito de o jogador se calar. No caso do Nilton Santos o que ele fez em 1962, caso o árbitro tivesse notado, claro que era motivo pra punição. Como o Luis Fabiano deveria ter sido punido se o juiz tivesse visto o que ele fez. O STJD até analisou o caso e achou que não. É uma questão de interpretação, analisou como se ele tivesse colocado a mão no rosto com a intenção de se proteger, não foi a minha interpretação, já que a bola foi contra a sua barriga. Mas interpretação cada um tem a sua e é isso o que faz do futebol algo interessante. Imagine se agora todo jogador quiser dar uma de “honesto”, parar o jogo e disser: “Acho que fiz falta, juiz”. E quem tiver sofrido a suposta infração responder: “Não, não foi nada, pra mim foi lance de jogo.” Quem tem de apitar é o juiz. O jogador que marca o gol com a mão não é obrigado a contar para o árbitro. Mas se o juiz sentir que o toque foi proposital tem de punir o atleta. E continuo dizendo que não é sinal de honestidade ou desonestidade o cara fingir que sofreu um pênalti, uma falta, o que for. Mas o árbitro percebendo que ele fez isso tem de punir. Hoje, com toda a parafernália tecnológica, está cada vez mais difícil o atleta enganar o torcedor. E insisto que ele não tem de apitar o jogo, simular, o que for. E justamente por não ser obrigação dele apitar pode até simular falta ou cotovelada (imaginária) no rosto, por exemplo. Só que a arbitragem percebendo cabe punição severa, por que não?

    • janca

      Sem falar que muito jogador brasileiro pensa ser o mais esperto do mundo, quando não é. Hoje as câmeras estão aí pra mostrar, o que não acontecia (ou não acontecia tanto) nos anos 60, por exemplo. E o brasileiro parece ter se especializado em simulação, algo que vemos menos em campeonatos europeus. Mas é diferente de você fazer um gol com a mão e não dizer nada e virar sinônimo de honestidade. É muito relativo. Aliás, tudo é. Continuo perguntando caso fosse em final da Copa se Klose faria o mesmo. Não sei e duvido que ele mesmo saiba. Temos que ver o contexto, Leonardo.

      • Leonardo

        O que eu quis dizer é facilmente ilustrado em duas situações. Imagine que o jogador se atira na área e cave o pênalti. Outra situação, seria se o jogador tropeçasse no buraco ou nele mesmo, caísse e o juiz, então, daria pênalti. Nos dois casos o juiz incorreu em erro. Contudo, no primeiro a desonestidade do jogador é na ação, ao passo que na segunda hipótese a sua desonestidade é omissiva, pois, em princípio, ele não quis falsear, mas percebendo a vantagem quedou-se silente.

        Repiso o que disse, a FIFA tem mantido coerência, dentro do campo, cobrando conduta ética dos jogadores. Pois, há desonestidade nos 2 casos.

        • janca

          Eu entendo o que você quer dizer, Leonardo, é um ponto de vista interessante, mas eu vejo uma diferença nos dois exemplos. Se ele tropeça num buraco e cai, como você, diz e o juiz dá o pênalti, não o condenaria se não dissesse nada. Acho que ele tem o direito de não abrir a boca, o que não quer dizer que seja desonesto. É diferente, pelo menos a meu ver, de você receber um troco a mais no supermercado, perceber e ficar calado. Agora se ele simula, jogando-se na área pra tentar cavar o pênalti a história, pelo menos pra mim, repito, muda um pouco de figura. O juiz percebendo tem que punir. No seu primeiro exemplo se ele, árbitro, der o pênalti terá cometido um erro. Mas sem intenção. Em relação à Fifa discordo de você porque acho que ela não tem muita coerência, não. Como vai cobrar uma conduta que você chama de ética dos jogadores se não dá o exemplo? Ou você acha que a gestão do Blatter é um exemplo? Mas você tocou num ponto importante, que é o “x” da questão do meu texto. Eu não estou colocando em discussão a honestidade ou falta dela por parte dos jogadores. Não acho que Nilton Santos tenha sido desonesto ou que Klose seja um exemplo de honestidade pelo que fez. Não estou contestando a honestidade ou falta dela de ninguém. Não acho que um lance de futebol mostre que alguém é honestou ou desonesto, não acho que Klose seja necessariamente mais honesto ou defensor do “jogo limpo” do que Henry, por exemplo. Repito, no entanto, que respeito sua opinião, não é a mesma que a minha, mas de repente, por que não?, eu posso mudar de ideia. Volta e meia mudo, inclusive. O ser humano não é estático. Abs.

          • Leonardo

            Claro, concordo inteiramente. E aproveito para lhe parabenizar pelo blog com temas muito relevantes não só ao futebol, mas também à vida social. Sempre deixo claro que as ideias podem briga, mas as pessoas jamais.

            Abs.

          • janca

            Obrigado pelas palavras e pelos comentários pertinentes, acho legal “discutir” com pessoas que tenham visões parecidas ou não sobre algum assunto, o diálogo é fundamental, ainda mais quando feito com respeito _e você se coloca aqui sempre com respeito, o que é muito legal. E gosto de usar o futebol como uma metáfora ou mesmo um pano de futebol que pode suscitar outras dicussões. Grande abs., Janca

  • Rafael

    Janca,

    De fato o jogador não é obrigado a avisar o juiz que o gol foi com a mão!
    Se ele fez o gol com a mão e o juiz percebeu, tem que ficar quieto! o que não pode é reclamar com o juiz estando completamente errado.
    O Juiz recebe para apitar os jogos, aliás existem 5 árbitros no jogo, é o cúmulo o jogador ter que avisar.

    O que acha Janca?

    • janca

      É isso o que pensa, Rafael, o jogador não é obrigado a avisar o juiz que o gol foi com a mão. Se o juiz perceber que foi com a mão e achar que o toque foi intencional, que puna o atleta. E que puna o que fingir que foi atingido no rosto _se ele perceber que é encenação_, que puna o que se atira na área e finge que sofreu uma baita falta, quando na verdade não houve nada. Mas o árbitro tem que estar ciente da simulação e de que houve simulação. Pois há muito jogador que cai na área, apesar de não ter sofrido falta (no caso, pênalti), e que não está simulando nada. Apenas caiu pelo choque, pelo contato com o adversário, enfim, mas não simulou nada. Esse não deve receber punição, era só o que faltava. Enfim, cada caso é um caso e tem que ser analisado assim. Abs. pra você e uma boa quarta, Janca

      • Rafael

        Será que a tecnologia não ajudaria nesse caso Janca?
        Ou vc acha que o futebol ficaria chato?

        Eu acho que seria uma boa… iria inibir os atletas a simularem.
        O que tem q ser estudado é quando usar a tecnologia, pois isso iria atrasar e muito o jogo.

        • janca

          Sem dúvida que a questão do uso da tecnologia é um assunto em pauta e que deve ficar cada vez mais na ordem do dia. Pra saber se a bola entrou ou não acho válido. Até pra lances de impedimento, contanto que não atrapalhe o ritmo do jogo, também. Mas há lances que são subjetivos e dependem de interpretação. Essa é a graça do futebol. Tem que continuar assim. Se não vira um esporte de robôs _rs. Pelo menos é o que eu acho, Rafael.

  • Vaz

    Dentro desta visão penso então que ninguém mais deve punir, excluir ou satanizar os árbitros. Este cidadão não pode errar e esta é a realidade caso contrário é crucificado e chamado das piores coisas, já o santo jogador pode ser deliberadamente desonsesto e tudo bem? Tá bom que não deva ter obrigação de avisar o árbitro mas quem o faz não deve ser motivo de rídicularização e tratado com suspeição, com segundas intenções. O atleta que faz gol de mão é esperto se fica quieto, se fala é suspeito. Acho que neste caso estamos invertendo valores. Não podemos encarar a desonestidade como algo tolerável. Se o fizermos estamos abrindo a porta para toda sorte de simulações e desonestidades e não podemos reclamar.
    Ok! Concordo que o excesso do politicamente correto cheira a enganação ou marketing já que não somos perfeitos mas não podemos duvidar de atitudes honestas e sim aplaudi-las caso contrário estamos aceitando que as coisas são assim mesmo. O erro de um árbitro em uma situação normal (interpretação) pode ser causa de discuções e polêmicas que são naturais mas aquelas provocadas não podem ser encaradas com a mesma naturalidade.
    Vamos pensar um pouco. Este racíocinio é o mesmo de quem acha uma carteira e mesmo com informações de seu dono não a devolve e é tachado de esperto quem a devolve é otário?Se ninguém viu ele encontrar a carteira então não tem obrigação de devolver? É o famoso levar vantagem. Não dá para fingir que é normal, que é moralmente correto mesmo com todos vendo que está errado. É, a lei do Gerson

    • Leonardo

      Concordo, Vaz. Guardada suas devidas proporções, é a diferença entre o furtador e aquele que acha a carteira de um terceiro identifacado ou identificável. Não podemos admitir a postura do: “quem mandou ser descuidado e perder a carteira”. No bom e velho: o prejuízo do bobo é o lucro do malandro, mandamento central da lei de Gerson.

      • janca

        Eu penso diferente, embora como vocês não veja diferença entre quem furta e quem acha a carteria de um sujeito identicado ou identificável e não entregue pra ele. Mas insisto que tudo tem de ser contextualizado e prefiro fugir de conclusões simplistas. Veja uma diferença de quem governa e rouba os cofres públicos e de uma mãe com fome, sem dinheiro nenhum, sem teto, nada, e que pegue um litro de leite (roube, seja lá o termo que você quiser usar) de um supermercado pra alimentar seu filho. Você pode achar que os crimes são iguais, eu não acho. O do “colarinho branco” acho muito mais sério. Puniria o primeiro e provavelmente absolveria a segunda. Mas felizmente não sou juiz…

    • janca

      Mas eu não estou duvidando da atitude do Klose. Estou apenas relativizando-a, pois não sei se ela, por si só, representa o que chama de “jogo limpo”. E claro que os árbitros têm de ser punidos caso estejam fora de forma, cometam seguidos erros grotescos, assim como o jogador pego em simulação ou que agrida adversários. Não acho que se trate da Lei de Gérson, não. E não escrevi em nenhum momento que Nilton Santos é esperto, que Henry é malandro ou que Klose é otário, Vaz. Jamais escreveria uma coisa dessas.

      • Vaz

        Não foi intenção atribuir a você algo que não está escrito (me expressei mal, me desculpe) o que quero dizer é que a situação que envolveu o Nilton Santos (e não atribuo a ele desonestidade mas sim uma reação do tipo “fiz bobagem. E agora? “) repercutia até a algum tempo atrás como simbolo da malandragem do jogador brasileiro o que nunca foi intenção do ilustre campeão do mundo (que por diversas vezes se manifestou sobre o assunto) já na atualidade vejo sujeitos querendo fazer pós graduação em simulações e faz de conta. São os famosos ‘Migué”.
        Não vejo no seu texto alguma concordância com estas atitudes não me entenda mal.
        Infelizmente estes fatos positivos caem no esquecimento enquanto a farsa é mostrada todos os dias principalmente nos nossos campeonatos. É esta situação que me assusta já que vários órgãos de imprensa usam estes fatos para ilustrar reportagens sobre estas situações como algo folclórico até de certa forma realçando o “feito” ai você assiste divisões de base um monte de garotos se jogando, simulando e agora deram de sair na porrada. São estes exemplos negativos que se somam todos os dias e acabam mostrados a exaustão enquanto as atitudes honestas não repercutem por tanto tempo. Acho que por serem raras.

        • janca

          Ah! Agora entendi melhor o que você quis dizer, Vaz, e concordo que, infelizmente, parece que temos jogadores com mestrado, doutorado e pós-doutorado em simulação, tem toda a razão. E isso não deve ser tratado como algo folclórico, também concordamos neste ponto, porque parece que começa a fazer parte da “escola brasileira de jogar”. E quem está na base acaba copiando o exemplo, o que é uma lástima. Abs.

  • Luiz Felipe

    Tive a impressão que vc quis dizer aquele ditado: “a ocasião faz o ladrão”.

    Que exemplo vc daria aos seus filhos?

    • janca

      Teve a impressão errada. O exemplo que eu daria aos meus filhos é que as coisas não são tão simples como parecem. É muito fácil julgar e há muita coisa por trás de determinados casos. Por exemplo: o uso político que a Fifa está fazendo do gol anulado de Klose. Como se ela, dona Fifa, defendesse de fato o “jogo limpo”. E que o próprio Klose poderia agir diferentemente em outra ocasião. O mundo não é apenas A ou B, como se só houvesse dois caminhos possíveis quando não há _há sempre outras alternativas_, e ele não deve ser dividido entre “bonzinhos” e “malvados”. É uma visão muito simplista, pelo menos a meu ver, das coisas.

  • rodrigo

    Janca

    dá de novo uma olhada no lance no Nilton. O espanhol se jogou. Foi dentro da área, mas não foi falta.

    http://www.youtube.com/watch?v=0WqokY5ExaQ

    (ignore a teoria da conspiração que o vídeo apresenta)

    • janca

      Oi Rodrigo. Veja como as coisas são complicadas… Você teria anulado o gol de falta do Ronaldinho Gaúcho? Num primeiro momento eu não entendi o que fez o juiz. Num segundo, talvez num terceir ou quarto, entendi e acho que ele acertou. A gente gosta muito de julgar sem se colocar na posição do outro. E teorias da conspiração há várias, desde a que envolve a Copa de 1962 até a de 1998. Quando de repente a França venceu o Brasil simplesmente porque foi melhor e talvez tivesse mesmo um time superior ao nosso. E que estava em um dia mais propício…

  • Francotimão

    Janca, entendi mais uma vez perfeitamente sua posição com relação ao caso em epigrafe, geralmente todo “mundo” é hosneto, ao menos basicamente, diz a teoria q ninguem nasce bom ou ruim e, sim ao longo da vida torna-se bom ou ruim, desta forma um fato não pode determinar uma verdade absoluta e, principalmente no caso da FIFA q sabidamente não é geradora de bons antecedentes ( no caso da FIFA por ser ela a detentora de formalizar a boa ação do klose, embora a ação do klose foi honesta me parece q ela se torna desnonesta, só pelo fato o blatter te-la enaltecida..rsrsrrs!!!), diria mais, q o klose deveria se sentir envergonhado pela ação dele após ser acampada pela FIFA..abs!!!!!!!..moral da história: Quando alguem é ruim e enaltece um ato bom, ele (o fato) imediatamente passa a “cheirar mal”…

    • janca

      Oi Franco, você me chamou a atenção para um ponto que nem tinha percebido direito, pra ver como são as coisas. De fato o Klose não deveria ficar muito satisfeito de ver seu gesto ser usado como o exemplo do que a Fifa considera “jogo limpo”, dado o histórico da entidade. Nem tinha pensado nisso… Receber atestado de honestidade de Joseph Blatter, que trabalhou pra João Havelange e foi aliado de Ricardo Teixeira durante tantos anos, e que só jogou os dois às feras quando eles não o interessavam mais, digamos assim, é no mínimo complicado… Abs.

  • Augusto

    Acredito que estas ações da Fifa para o jogo limpo, tem mais haver com a imagem do produto Futebol no mundo, já que ações desonestas maculam o esporte como um todo, no tênis os jogadores não podem se falar durante a partida, pois, era só palavrões para desestabilizar emocionalmente o adversário, creio que esta historia de politicamente correto, tem haver com a ética no esporte, para ser minimamente civilizado, sem tantos racismos, preconceitos, dopins e apelações para se ganhar a qualquer custo, já que de certa forma não é essa a ideia que o esporte quer passar, mas infelizmente esta recheado de exemplos negativos e são poucos e raros os casos positivos como do Alemão Klose. Me parece que ser honesto nos dias de hoje e cada vez mais errado, enquanto mais desonesto mais querido, realmente os valores na sociedade estão deturpados, aonde isso vai parar?

    • janca

      E o esporte virou um grande negócio. E um grande negócio para alguns, Augusto. A Fifa que o diga. Abs.

  • Fabio

    É Janca, você me surpreendeu neste post. Inicialmente entendi que você estava sendo conivente com a desonestidade em campo, mas nas suas respostas você defende o direito do jogador se calar.
    Na minha opinião, discordo da colocação, uma vez que antes do direito de se calar, o jogador agiu de má fé e é isso que está estragando o futebol brasileiro. A tecnologia existe, mas ela não está ajudando arbitragem, como sugeri que fosse feito em outro post seu. Lembra, do arbitro auxiliar assistir o jogo pela tv e em tempo real opinar ao juiz principal, como já é feito em outros esportes.
    Assisto a todos jogos do São Paulo, e acho absurdo como todos adversários simulam faltas demais, rolam no chão até o juiz dar cartão, ai levantam e saem andando !!!!??? São raros os lances que os árbitros não se sentem pressionados e não apitam a “falta” ou não mostram cartão.
    Alguns argumentam que o arbitro não é medico e não pode adivinhar se o jogador está simulando ou não. Ora, se ele está no chão gritando, deveria pelo menos ficar fora de campo alguns minutos.
    O fato da FIFA não prestar, não anula ou suja a demonstração de fair play do Klose, como comentaram acima. Ainda, como meu sampa nunca teve cai-cai igual Valdivia, Neymar ou Jorge Henrique, graças a Deus, nunca vou concordar com a dobradinha de joelho e o direito de não falar.

    • janca

      Risos. Mas convenhamos que há jogadores do São Paulo que também fazem suas simulações, nenhum time está imune a isso. E bem que você gostaria de ver o Neymar no Morumb. Ou não? Mas de fato não estou defendendo a desonestidade em campo, de jeito nenhum, embora ache que o jogador tem o direito de calar e continuo achando. E tem o direito até de simular falta, pênalti ou agressão que não houve _mas neste caso acho que o árbitro, percebendo, tem de ser bem rigoroso. E lembro sim da sua sugestão. Até acho que a tecnologia tem ajudado a arbitragem, hoje os árbitros se comunicam por aparelhos eletrônicos, talvez um de fora vendo o jogo e podendo avisar o juiz na hora não deixe de ser algo interessante. O que não pode é atrapalhar a arbitragem, porque muitos lances dependem mesmo de interpretação. Podemos ficar eternamente discutindo se um jogador teve ou não intenção de colocar a mão na bola, se houve mesmo pênalti, se não houve. Agora que a teconologia deixa mais evidente os erros do árbitro também deixa. Como deixa mais claro pra todo mundo quando um jogador está fazendo teatro. E concordo que a Fifa entrando ou não na parada não tira o mérito do gesto do Klose. Mas ainda acho que se ele não tivesse dito nada para o juiz nem por isso seria um sujeito mais ou menos honesto. Inclusive porque teve gente que até viu no ato uma forma de desmoralizar o árbitro, o que não foi o meu caso. Abs. Janca

      • Fabio

        Cada um tem seu jeito. Sei que parece absurdo ou mentira aos olhos de quem lerá isso, mas quando raramente um arbitro marca penalti que não foi pro sampa, torço pro cobrador errar, porque não vejo graça nenhuma em ganhar algo sem merecer. E pode ser final de campeonato.

        Infelizmente, todos meus amigos pensam ao contrario e cerca de, vamos dizer 95%, do povo também.
        O Maradona achou legal fazer gol de mão e batizar a água do Brasil, disse isso há um ano em entrevista. Pra mim, pessoa ignorante, sem estudo, cultura, educação, famíla, moral, etc…E se não jogasse cheirado, no máximo era um Tevez.

        Sei lá, sou ingênuo, bobinho, ou o resto do mundo tb pode estar errado.

        Abraço.

  • Vinicius Posterari

    Janca,

    Acho louvável a atitude do Klose, independente de qual seria a reação dele fosse um jogo que valesse algo maior.

    E nos tempos atuais, em que a cada rodada acompanhamos uma avalanche de reclamações contra a arbitragem, jogadores que adoram simular, falta de fair-play, etc, acredito que seria uma saída pra moralizar a situação. Por que esses treinadores chorões, muito bem simbolizados pelo Cuca, não instruem seus jogadores a fazerem o mesmo, seja qual for o jogo?

    Se passarmos a sermos coerentes, a chance de melhorar a situação aumenta. Tem treinador leviano, sendo o Cuca novamente um excelente exemplar, que mete a boca todo jogo, inclusive quando não aconteceu nada, mas se cala quando é beneficiado. Isso não tem nada a ver com estar isento de arbitrar, mas sim de querer puxar pro seu lado. E quem joga bola, principalmente naquela quadra com os amigos, ou mesmo num jogo contra caras não tão amigos assim, sabe que se faltar o respeito e se tiver leviandade o jogo acaba mal.

    Mas, infelizmente, duvido que isso ecoe no Brasil. Como já falei aqui outra vez, não vejo como possa imperar o fair play num país em que o cara paga propina pra não tomar multa e depois reclama da corrupção. Coerência não existe no Brasil.

    Abs.

    • janca

      Não julgo a atitude do Klose, não disse que ela não foi louvável, o que acho é que ele teria o direito de não falar nada, não seria mais ou menos honesto por conta disso, lembrando que, devido a seu gesto, ganhou muito mais repercussão internacional do que se tivesse feito o gol com a mão e pronto. Não acho que, necessariamente, todo jogador tem que chegar pro árbitro e dizer que não sofreu falta, que acha foi lance casual, jogo de corpo etc. etc. etc. Quanto às reclamações contra a arbitragem não são exclusividade do Cuca. Viu o Luxemburgo contra o mesmo Flu? Deveria ter sido expulso, pelo menos a meu ver. Reclamou acintosamente o jogo todo…

  • loko2014

    eu acho que fazer gol com a mão sem o arbitro perceber tambem é arte e futebol tem um pouco de malandragem , o arbitro é pago para ver e estão muito mal preparados , se continuar assim futebol vai ficar chato , não vai poder comemorar porque ofende o adversário , não pode fazer gol de mão porque é falta de fair play , futebol virou coisa de frutinha , qualquer esbarrão no NEYMAR agora é violencia , tem falta de jogo e tem falta feia que deve ser punida com cartão , tem gol de mão que nós temos que ver vinte vezes pela televisão para ter certeza que foi com a mão , isso é arte e o jogador que fez não é obrigado a falar que foi com a mão e sobre esse jogador que falou para o arbitro que o gol foi com a mão se ele é exemplo de jogo limpo ele não devia ter feito o gol com a mão é só não ´por a mão na bola e pronto

    • janca

      Por isso que acho que o politicamente correto tem limites e levado ao excesso aniquila o futebol, tira toda a espontaneidade do jogo. O atleta tem que se preocupar em jogar, cabe ao árbitro apitar, neste sentido penso como você.

  • Vamos ver se o futebol de Klose aguenta até a próxima Copa, em 2014. Se chegar até lá, vai ter a chance de igualar e bater o record do Ronaldo Fenômeno, de 15 gols em Copas do Mundo

    • janca

      Vamos ver…

  • reinaldo

    Janca, fazia muito tempo que não dava uma olhada na sua página, porém fiquei orgulhoso em perceber que ainda é a melhor que existe no mundo futebolístico. É uma das poucas que paro para ler…parabéns!!! Ah, concordo com o seu posicionamento de maneira integral.

    • janca

      Pô, obrigado, Reinaldo, se bem que sobre futebol tem gente muito mais competente do que eu pra opinar, mas realmente acho que o esporte é bacana porque, a partir dele, podemos discutir uma série de outras questões. A periferia do mundo da bola, o que o cerca, enfim, é o que mais me atrai no jogo. Abs. e uma boa quinta procê, Janca

  • Marcos Peixoto

    Janca, o jogo Brasil 2×1 Espanha, em que ocorreu o lance envolvendo Nílton Santos ao qual você se reporta, na verdade ocorreu na fase de grupos do torneio (terceira rodada), não pela semifinal da Copa do Mundo de 1962. Na partida semifinal derrotamos os chilenos (donos da casa) por 4×2, com uma das maiores atuações de Garrincha, que jogou com quase 40 graus de febre (imagina se estivesse 100 por cento???) Um abraço!!!

    • janca

      Pô, é verdade, Marcos, obrigado pela correção, você tem toda a razão, vou acertar no post. Aliás o Garrincha arrasou naquela Copa depois de termos perdido Pelé. Eu não acompanhei o Mundial, pois nem havia nascido, mas li muito sobre ele e muito sobre o Garrincha, cuja trajetória e história de vida me interessam muito. A biografia do Nelson Rodrigues sobre ele é incrível, não sei se você já leu, se não, vale a leitura. Mas obrigado mesmo pelo puxão de orelha, vou corrigir o post. Grande abraço, Janca

  • striknight

    Futebol sempre foi isso malandragem , malicia , jogo sujo por isso é tão apaixonante .

    Vejo que num futuro isso vai ficar chato , imagina se o time fiver um gol e avisar o juiz que não foi gol porque houve um impedimento ou uma falta .

    Tomo mundo fala do Neimar que é cai cai o muleque apanhja demais se for firme em todas as jogadas os caras quebram a perna dele , mais futebol é isso sem pre foi isso , é xingamento dentro do campo , provocação ou ninguem se lembra do lugano falando , do Sheik na final da libertadores isso sempre fez parte desse esporte ate o Pelé que deu uma cotovela no outro jogador imagina se ele fala pro juiz me explusa porque eu dei uma colovelada nele.

    Vejo que isso esta se tornando chato , futebol é alegria , malicia .

    Temos que parar com esse mundo de ilusão do mundo perfeito , sempre vai existir algo que va de contra o sistema

  • Vinicius

    Jogador não apita e vive do futebol. Se muito ou se pouco, é o que paga suas contas. Eu como jogador jamais teria a atitude que teve o Klose, pois se conhece o ser humano nas cirscuntâncias que o fazem agir, e não na comodidade que o evento proporciona para que ganhe notoriedade por tão sublime atitude. As consequências não foram comprometedoras ao seu clube e ainda por cima ganhou status de honesto, assim fica fácil. Fosse uma final de Champions League ou Copa do Mundo, tenho certeza que sua honestidade ficaria em segundo plano, prevalecendo o espírito de equipe, no caso, beneficiando a sua, obviamente. O que não concordo é com o baixo nível da arbitragem brasileira em si. Uma coisa é você atropelar um pedreste porque a coluna do carro atrapalhou sua visão, outra completamente diferente é você atropelar porque confundiu o freio com o acelerador. Esse último tipo de bizarrice vem sendo cometida toda rodada em nosso campeonato nacional. A falta de critério é gritante. O zagueiro do Corinthians Chicão levou um chute no rosto em uma partida conta o Coxa no Brasileirão do ano passado e o infrator levou amarelo. Cabe mesma penalidade ao jogador que supostamente “provocou” a torcida adversária?! (WTF!!!) Outro exemplo de idiotice que eu acho é ficar criticando o Neymar de ele é cai cai ou não. Os arbitros não têm critério para aplicar punições pela entrada que o zagueira dá e põem a culpa em quem apanhou. Quando ele se joga, ninguém dá amarelo pra ele como simulação, então incentiva o cai cai. Da mesma forma a violência é incitada quando ele toma porrada e nada é feito, pois ele é cai cai mesmo. Amo o futebol pois encurta em um simples lance a fronteira entre o céu e o inferno, ai meu amigo, honestidade deixa de ser prioridade. Lembrando que isso fale para os jogadores, é claro, pois a primeira justificativa quando eles tentam retomar o controle do jogo é dizer: “Quem apita sou eu!” Então apita amigo, não apito amigo 😉

    • janca

      Oi Vinicius. Um ponto interessante que você levanta aí é a tênue distância, seja no futebol ou fora dele, mas especialmente no futebol, entre o céu e o inferno. E como você não acho que a “honestidade” de um atleta _ou a falta dela_ possa ser medida por um lance como o do Klose. Mas é questão de opinião. Abs.

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