O direito de calar



Reproduzo abaixo, como faço vez ou outra, coluna que publiquei no LANCE!  ontem:

“A Fifa estuda usar Miroslav Klose na campanha pelo “jogo limpo” com vistas à Copa de 2014 no Brasil. Para quem não se lembra, o atacante alemão foi manchete no mundo todo mês passado ao avisar o juiz que o gol que acabara de marcar contra o Napoli fora feito com a mão. O árbitro, então, anulou o lance e o jogador da Lazio passou a ser visto como exemplo de honestidade no futebol, recebendo parabéns de Joseph Blatter.

Não sou a favor do “jogo sujo”, mas não gosto de ver o “politicamente correto” tomar conta do futebol. Tampouco acho que o lance por si só demonstre a honestidade de Klose ou de outros atletas e técnicos que fizeram coisas parecidas no passado, ao contrário do que pensa Blatter.

O jogador tem, sim, o direito de se calar como fez Henry na partida que classificou a França para o último Mundial. A bola não tocou em seu braço na jogada em que os franceses fizeram o gol, deixando os irlandeses revoltados e fora da Copa de 2010? Tocou. Ele nada disse e a França se classificou. Entendo a revolta da Irlanda, mas faz parte do futebol, esporte que vive de erros e acertos, polêmicas, diferentes interpretações e discussões que duram semanas, meses e anos.

Minha dúvida em relação à atitude de Klose é saber se ele faria a mesma coisa caso o jogo entre Lazio e Napoli valesse o título do Italiano. Ou se fosse a favor da Alemanha na final da Copa de 2002, ganha pelos brasileiros em Yokohama. Faria Klose o mesmo gesto? Tenho sérias dúvidas e acho que ele mesmo não saberia responder.

Na Copa de 1962, Nilton Santos cometeu pênalti no espanhol Enrique Collar, deu dois passos pra trás, saindo da grande área e confundindo o árbitro Sergio Bustamante, que marcou apenas uma falta, ajudando o Brasil na conquista do bicampeonato Mundial. Nilton Santos passou a ser desonesto por conta disso? De jeito nenhum. E o que seria de Maradona se tivesse pedido para o juiz anular seu gol contra a Inglaterra, na Copa de 1986, aquele marcado com a “mão de Deus”? E de Túlio, que também anotou um gol com a mão contra a Argentina, em jogo que eliminou os “hermanos” da Copa América de 1995? Marcou e ficou quieto, o que é um direito do atleta. O atleta é pago pra jogar, não pra apitar a partida. Essa função é do juiz que, percebendo a infração, como um gol marcado propositalmente com a mão, por exemplo, deve punir severamente o jogador. Como Bustamante deveria punir Nílton Santos se tivesse percebido a jogada do brasileiro.

Também é interessante nisso tudo ver o presidente da Fifa defendendo o chamado “jogo limpo” ou o politicamente correto dentro de campo, mas deixar tanta coisa acontecer fora dele. As denúncias de corrupção que pesam sobre a entidade e alguns de seus integrantes e ex-integrantes que o digam.”



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