O gênio de Barcos



O argentino Hernán Barcos tem sido, ao lado de Marcos Assunção, o principal nome do Palmeiras na temporada.

O atacante foi importantíssimo para a chegada do Palestra à final da Copa do Brasil e sua participação tem sido fundamental na luta para fugir do rebaixamento no Brasileirão. Oportunista e com bom senso de colocação, foi ele quem marcou os dois gols sábado na vitória contra o Cruzeiro.

Apelidado de “Pirata”, é um dos ídolos da torcida, que volta e meia o homenageia usando tapa-olhos e chapéus. Além das boas atuações, porém, acho que um dos pontos positivos de Barcos é a forma como lida com a imprensa, recusando-se a levar desaforo pra casa.

Na chegada ao Brasil ele se irritou mais de uma vez com a forma como alguns jornalistas “brincavam” com ele, comparando-o a A, B ou C, entre os quais o comediante e ator Pedro de Lara, morto em 2007, pela semelhança física entre os dois. Insistia que estava no Palmeiras para jogar futebol e não para ficar fazendo gracinha e sendo alvo de deboche ou o que fosse.

Barcos mostrou que tem gênio e temperamento fortes e soube enfrentar a pressão da mídia e a desconfiança da torcida logo na chegada.

Zizao, do Corinthians, estrangeiro como Barcos e também vítima de deboche, tem uma postura diferente, que deve ser respeitada. Dá a impressão de ser um garoto  ingênuo que ainda tenta entender a cultura brasileira. Jogou pouco mais de 10 minutos contra o Cruzeiro e já recebeu algumas críticas, como se não tivesse nascido pra jogar bola, o que não é verdade. Foi avaliado e julgado por cada minuto em que ficou em campo. E para meu espanto até do seu português teve gente caçoando depois do jogo, como se brasileiro que vai à China em poucos meses aprendesse a língua local.

Espero que pouco a pouco Zizao consiga se impor, jogando a bola que esperam dele ou não, pois respeito é fundamental em qualquer circunstância, como deixou claro Barcos quando chegou ao Brasil.

A crítica é um direito de todos, já o deboche pode ser questionado e enfrentado, como fez o argentino no início do ano. Um exemplo que fica para Zizao, que não é palhaço de ninguém.



MaisRecentes

Nova caminhada



Continue Lendo

O desabafo de Cuca (ainda)



Continue Lendo

As críticas de Cuca



Continue Lendo