Torcedores no STJD



O Superior Tribunal de Justiça Desportiva deve discutir nos próximos dias um código de conduta entre seus integrantes. A ideia é que quem tiver ligação com determinado clube ou jogador não participe de julgamentos ligados a eles.

Vejo a discussão como tentativa de resposta do tribunal em relação ao caso Ronaldinho Gaúcho, suspenso do jogo contra o Inter  semana passada.

O auditor do caso torcia pelo Flamengo e é acusado de ter postado imagem zombando do atacante, que saiu da Gávea para defender o Galo. Curiosamente o auditor/torcedor pediu dois jogos de expulsão para o atleta, que nem amarelo havia recebido contra o Grêmio, no lance com Kléber que acabou no STJD. Detalhe: o árbitro, que nada marcou, foi absolvido.

Continuo achando natural auditores torcerem, são gente como a gente. Se jornalista pode torcer _e pode_, por que não o auditor?

O que não pode é a torcida por A ou B influenciar ou balizar suas decisões, aí tem que se considerar impedido de julgar o caso. Alguém não pode julgar se tem mágoa ou raiva de Ronaldinho Gaúcho, por exemplo.

E acho que quem está no tribunal deve julgar casos que envolvam seu clube de coração tendo isenção para fazê-lo. Sem isenção não pode julgar nada.

Claro que cada um de nós tem uma formação, uma subjetividade e uma visão da vida e do mundo que balizam nossas decisões e isso sempre vai ser assim. Há uma dose de parcialidade em tudo o que fazemos, decidimos ou pensamos, pois cada ser é único. Mas se o auditor não tem condições emocionais para avaliar um caso que envolva Ronaldinho Gaúcho ou Atlético-MG, por ter contratado o jogador, ou o próprio Flamengo, talvez por amá-lo demais, questiono se tem condições de ser auditor.

Acredito que essa seja a questão que o tribunal deva discutir. O resto parece conversa pra boi dormir, até porque muitos casos até podem não envolver diretamente seu time de coração, mas podem afetá-lo indiretamente ou afetar seus rivais. E aí vai poder julgar o quê? Nada? Então o que fazer no tribunal? São questões relevantes levantadas a partir do caso Ronaldinho e a sociedade e o torcedor esperam por uma resposta. Pois o STJD, cujo Pleno é comandado por Flávio Zveiter, já deu muitas dores de cabeça ao nosso futebol. Como tenho insistido, assim como Executivo e Legislativo têm de repensar seu papel, o Judiciário há temos deveria estar rediscutindo o seu. E será que está? Sei não, sei não…



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