Adriano e a lâmpada



Como o tema segue gerando discussão, reproduzo aqui coluna que publiquei no LANCE! na última terça-feira sobre o atacante do Flamengo e a dificuldade de lidar com a fama:

“O caso Adriano, que voltou às manchetes por suas dificuldades fora dos gramados, traz à discussão um velho assunto que não se restringe só ao esporte: a dificuldade que muitos têm de lidar com a fama e o sucesso.

Na biografia de Leonardo DiCaprio lançada recentemente por Douglas Wight, o ator, que ficou mundialmente conhecido por “Titanic”, mas cuja obra é muito maior do que isso, basta citar os filmes “Prenda-me Se For Capaz”, “O Aviador”, “Revolutionary Road” e “J. Edgar”, não cansa de lembrar do outro lado da fama: a quantidade de pessoas que se aproxima das celebridades para tirar o que elas têm e não têm. Gente que não tem a menor preocupação com a essência do outro, apenas no que ele pode oferecer. A duras penas DiCaprio diz ter aprendido a lição e conta que começou a questionar todos que estão a seu redor, a perguntar como chegaram perto dele e a considerá-los culpados até se provarem inocentes. Antes do sucesso era o contrário.

O ator conta ainda que entrava de olhos fechados nas relações e que demorou a perceber o quanto estava sendo usado pelas pessoas. Levou um tempo para perceber o processo. Diz que foi devastador. O primeiro choque foi quando filmava “Gangues de Nova York” e Dana Giachetto, que cuidava de suas finanças e das economias de outras celebridades, virou alvo de investigação. Acabou admitindo ter desviado cerca de 35 milhões de reais de clientes, entre os quais o próprio DiCaprio, deixando-o estupefato, embora, agora, de olhos abertos.

Viver não é fácil. E o que aconteceu com DiCaprio ocorre também com muitos jogadores de futebol, que na hora da fama ganham mil e um amigos e na hora do ostracismo ou da baixa, ficam com um ou dois e olhe lá.

Perdidos, não são poucos os que organizam festas e pagam tudo para os “amigos”, os que partem para a noitada e se descuidam do físico, os que recorrem ao consumo abusivo de bebida alcoólica. Consumo abusivo que prejudicou a carreira de muitos atletas e tende a se tornar ainda maior quando eles deixam os gramados. O caso mais emblemático talvez seja o de Garrincha, morto em 1983.

Também acho que Adriano precisa de ajuda, como afirmou a direção do Flamengo na semana passada. Mas não precisa de ajuda só agora. Precisava quando saiu da Itália, em 2008, pra tentar recomeçar a carreira no São Paulo, precisava em 2010, quando não conseguiu voltar como queria ao futebol europeu, precisava no início do ano quando saiu do Corinthians acusado de ter faltado a “n” sessões de fisioterapia… O problema do Adriano não é de hoje e talvez esteja ligado à carência afetiva, à dificuldade de lidar com pressão e às próprias pessoas que o cercam. Mas não é possível ajudá-lo à força. Como diz a famosa piadinha sobre psicanalistas, é necessário apenas um para trocar uma lâmpada, mas a lâmpada tem que querer ser trocada. E tem que querer muito.”



  • Luiz Marfetan

    esse pessoal ganha muito dinheiro o que atrae muito “aba”, não amigos.

    • janca

      Nos últimos dias li uma ótima reportagem no LANCE! sobre o Morais, ex-Vasco e Corinthians, que decidira encerrar a carreira precocemente, devido a problemas pessoais, e agora resolveu retomá-la. Há um momento da entrevisa curioso. Ele cita um dos problemas dos jogadores que começam a ganhar fama e dinheiro, que são os “amigos”. Eles surgem do nada, aproximam-se, tiram uma lasquinha, mais uma e outra e quando o jogador percebe foi passado pra trás. Lidar com situações como essa, de falsos amigos, não é nada fácil. Nada fácil. Abs. e bom final de semana, Janca

  • sandrofla

    Assim como eu todo flamenguista gosta do Adriano e lamentamos muito a sua situação. Mas pensando friamente, sem paixão, ele já é um ex jogador de futebol. Não se pode pensar em resgatar o Imperador e sim o homem Adriano.
    Abraço Janca.

    • janca

      É bem possível que você tenha razão, se bem que, mesmo se jogar poucas vezes pelo Flamengo, o Adriano é muito talentoso e pode fazer a diferença numa dessas partidas. Já sobre o ser humano, como você coloca, tem de tentar se ajudar, embora não seja fácil. E precisa de apoio, claro, e preparação emocional para parar, pois uma hora vai ter que parar a carreira de jogador. O que não significa a morte e sim a possibilidade de uma nova vida. Uma outra vida. Abs. e bom sábado pra você, Janca

  • Bruno

    Adriano não tem mais prazer em jogar futebol, mas não consegue se desapegar das coisas que a bola proporciona (mulheres, companhias, dinheiro, festas reconhecimento etc.).

    Ele está tomando um rumo perigoso na vida. Como jogador: acabou em 2009. Como homem: está caminhando a passos largos para também acabar.

    ST

    • janca

      Não acho que ele tenha acabado como jogador. Talvez, arrumando a cabeça, ainda possa reunir condições de jogar. E infelizmente ele está tomando um rumo complicado na vida há tempos. A vida não é fácil e espero que ele consiga se ajudar e que seja ajudado por pessoas que realmente se interessem por ele. Não pelo jogador, mas pelo ser humano. Até por isso não sei se o Flamengo é o melhor lugar pra ajudá-lo, pois ajuda a gente não impõe e um clube de futebol espera retorno. Acaba colocando ainda maior pressão no Adriano. Talvez, na hora h, fiquem apenas as pessoas que de fato se interessem por ele e com seu estado emocional. E por mais que elas sejam contadas nos dedos, espero que existam na vida do atacante e possam auxiliá-lo. Abs.

  • Vaz

    Boa tarde Janca!
    Infelizmente enquanto todos estiverem preocupados em recuperar o atleta Adriano e não o homem Adriano, nada vai acontecer. Trabalhei muitos e muitos anos em Cipa’s de uma grande empresa estatal hoje privada (de onde me aposenteino) na área de energia, a maior preocupação ano após ano era o alcolismo. Pessoas competentes arrastadas pelo álcool, onde ficavamos atentos já que trabalhavem em tensões de até 700.000 volts. De tanto trabalharmos com o assunto verificamos que o único caminho no tartamento destas pessoas, é afastá-lo (se ele quiser é lógico) do meio onde vive e que o leva a dependência. Não adianta conselhos se a pessoa vive no meio de caras que só querem saber da “gandáia”. São os amigos, as mulheres, o lugar que frequenta e principalmente nos dias de hoje, da Gávea. Nada contra o Flamengo mas hoje na recuperação do ser humano Adriano, o que menos interessa é se vai jogar pelo Flamengo ou quem quer que seja. Esta linha de racíocinio de manter o atleta jogando é que acabou com a vida do grande Mané Garrincha.
    Alcolismo assim como outras dependências é uma doença grave mas infelizmente tem muita gente que acha “sem-vergonhice” ou se aproveita do dependente e depois o larga na miséria. Infelizmente se não cair na real e estiver cercado de gente que o queira bem como ser humano, logo logo estaremos realizando jogo beneficente para o atleta.

    • janca

      Você tocou num ponto certo. Não tenho dados pra dizer se Adriano foi pego pelo alcoolismo ou não, mas também acho que manter o atleta jogando até não aguentar mais não o ajuda, não. E muita gente acha que depressão, alcoolismo e outras coisas mais são falta de vergonha na cara, como você bem colocou, quando não são. E não falta aproveitador, inclusive na medicina e psiquiatria. Há sempre os bons e os maus profissionais, como em todas as atividades. Só espero que o Adriano mantenha o patrimônio que construiu e se aproxime das pessoas certas, aquelas que de fato se preocupam, como temos dito aqui, com o ser humano e não com o jogador. Abs.

  • Marcos Vinícius

    Olá,Janca. É sempre um prazer participar do seu blog.

    Na semana passada os jornais do Rio publicaram,em dias diferentes,três manchetes relativas a Adriano,com três frases ditas por pessoas diferentes.

    1o-“Agora está entregue nas mãos de Deus,pois eu não sei mais o que fazer”.

    2o-“Eu falo com ele,digo para ele maneirar,mas ele não ouve ninguém,e quando começa não quer parar (de beber)”

    3o- “Na sexta,quando dá meia noite,quem me viu,me viu,e quem não viu não me vê mais. Vou pra noite e não sei a hora que volto”

    A primeira frase é de D.Vanda,avó de Adriano,dizendo que não sabe mais o que fazer para que o neto retome o caminho do profissionalismo e largue o do álcool. D.Vanda é uma referência para Adriano,o próprio diz que se ele chegou onde chegou deve muito a ela,que vendia salgadinhos para custear o treino e o lanche do neto.

    A segunda frase,Janca,acredite ou não,é de um traficante do Morro do Chapadão,na Pavuna,subúrbio do Rio,que foi preso. No interrogatório foi perguntado se conhecia Adriano,e qual era sua relação com ele. Disse que o conhece,que ele frequenta constantemente “sua” favela,e que quando começa a beber não tem limites.Veja a que ponto o rapaz chegou: Um traficante,uma pessoa que vive à margem da lei,o aconselha a diminuir o álcool.

    A terceira frase é do próprio Adriano.Ele assume que,digamos,tem um fraco muito forte pela noite do Rio,suas boates,e também pela bebida. Admite,subliminarmente,que é irresponsável e alcoolatra.

    Adriano já disse em entrevista anterior que sabe que algumas pessoas,principalmente mulheres,se aproximam dele querendo tirar proveito.Não sei se é,e não acho que seja,para desviar dinheiro de sua conta ou para tomar seus bens. Mas veja o caso da moça que foi baleada dentro do carro do jogador. Como era Adriano,rico e polêmico,que estava envolvido,ela pensou que podia se dar bem,processando o rapaz.

    Gente igual a essa moça tem aos montes por aí. Gente pra se dar bem as custas dos outros também tem,e nem precisa ser rico. Mas o fato é que Adriano não quer mudar,não aceita largar a vida desregrada e irresponsável que leva,não admite ter uma conduta profissional.

    A passagem recente de Adriano pelo Corinthians (que para mim teve dedo do Ronaldo) e o que ele tem feito no Flamengo deixam claro que Adriano é um ex jogador em atividade.Ou quase.

    • janca

      Talvez seja mesmo um ex-jogador em atividade ou quase, como você bem colocou, Marcos Vinícius, mas todo mundo tem que se preparar para a hora de parar e recomeçar. A vida é feita de altos e baixos, interrupções, paradas, mudanças. Tinha lido a terceira frase que você citou, não sei se o Adriano chegou a confirmá-la, chegou? Desconhecia as duas primeiras, mas a segunda tem de ser analisada com prudência. Será que o sujeito realmente disso isso? Será que de fato conhece Adriano? Porque falar todo mundo pode. Imagino, pelas próprias declarações dele, Adriano, que a situação esteja complicadíssima, mas naõ está perdida. Torço muito por ele e espero que encontre um caminho e siga a vida em paz. Ou pelo menos com menos turbulências. Abração e bom final de semana, Janca

      • Marcos Vinícius

        Janca,Adriano não confirmou…mas não negou! E,como dizia meu pai,quem cala consente. Se ele viesse a público e negasse isso,daria margem para dúvidas. Mas ele não negou.

        Quanto a segunda frase,está sendo noticiado em alguns jornais do Rio que Adriano anda frequentando o Chapadão,e o próprio confirmou. Mas uma coisa quanto ao comportamento do jogador tem que ser dita : Conhecer bandido não faz dele um. Para quem anda em favela e é famoso é,infelizmente,normal que conheçam alguns elementos que os pais não recomendem como companhia.Mas isso não faz de Adriano um marginal.

        Essa notícia foi veiculado pelo jornal Meia Hora,do Rio de Janeiro.

        • janca

          Não, não estava duvidando de você, Marcos, e segundo comentário de um dos internautas a frase do Adriano teria saído no próprio LANCE!. Apesar de não ser tão adepto do “quem cala consente”, concordo com você que conhecer bandido não faz de dele um. Abs.

  • lee

    Sinceramente, janca? Quem se diz deprimido, nao vive na esbórnia, na night se divertindo. O que ele faz é se divertir…

    Esse cara usa a faceta de vítima, cara de cachorro mal cuidado e dengoso pra reverter todas as situações ruins.

    Sabe que todo mundo gosta dele, que todo mundo dá carinho..pra ele, que todos dão outras chances e porquê?

    Ah, na moral! Outro dia no lance vi uma reportagem onde o adriano dizia no vestiário que depois da meia noite ficava maluco.

    Pô, o cara tem tudo, mas ele gosta é da farra e certamente os familiares ficam dizendo pra ele se empenhar, pq pela idade, ainda teria tempo. Há 4 anos, 5, ele fica nesse papo que vai voltar a ser o Imperador, mas a idade passa, e o dinheiro dele nao vai acabar pq é muito, e bancar churrasco em laje é pinto pra ele!

    Se fosse antigamente, certamente terminaria na pobreza, mas aqui o caso é grave!

    Ele é vagabundo e gosta de sair. A noite vicia e ele gosta disso!

    Vicia pq tem mil pra ele catar e ele gosta. Quem nao gosta? No caso dele..a fama, boa a aparência, com certeza o faz ficar atiçado pra gandaiar e nao adianta tentarem ajudar o cabra.

    Ele gosta da noitada mesmo e o resto é papo furado! Deem um inchada e zerem a conta do banco..pra ver se ele nao pega fácil no batente.

    Doente é a gente.. é o povo sofrido. Isso aí é uma piada, que anda de mercedes e nao tá nem aí pra hora do Brasil!

    • janca

      Oi Lee. Opinião é opinião. Nesse caso divergimos, embora eu não conheça o Adriano, só de entrevistas, é impressão de alguém que está de fora, como imagino que também seja o seu caso. O que penso é que não é por ele ter ganho muito dinheiro ou ser famoso que não pode ser problemas ou estar diante de um forte sofrimento psicológico. Gente rica também sofre, às vezes até mais do que gente com poucos recursos financeiros. Tudo depende da forma como nos estruturamos e levamos a vida. E depende da sorte ou do acaso ou circunstâncias da vida, sei lá. Como já disse Nelson Rodrigues, que completaria cem anos este ano, com sorte atravessamos o mundo, sem sorte não atravessamos a rua. A vida é muito mais do que a condição financeira de alguém. Adriano que o diga.

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