Castelo de areia



Um dos pontos que chamaram minha atenção nas eleições à Prefeitura de São Paulo foi a desconstrução da candidatura de Celso Russomanno (PRB), candidato que não tinha projeto de governo. Suas propostas não passavam de um castelo de areia para inglês ver. O eleitor, no final, optou pela velha polarização entre PT e PSDB, cujos candidatos passaram para o segundo turno, um segundo turno que promete.

Fico pensando quantos Russomannos não temos comandando ou em cargos importantes no mundo esportivo do Brasil. Candidatos que são eleitos por seus pares sem propostas e projetos por simples troca de favores. E que podem se perpetuar no cargo indefinidamente pelo “toma lá dá cá” ou pelo “é dando que se recebe”, citado ontem pelo suplente de Marta Suplicy no Senado, candidato a novo mandato na Câmara de São Paulo, Antonio Carlos Rodrigues (PR).

Quem votou na Marta para senadora não terá sido traído? Tudo bem, talvez tenha sido um risco calculado, mas mal calculado. Quem entra no lugar dela para representar São Paulo? O suplente, que é de outro partido, tem outras ideias e defende o velho “é dando que se recebe”, lembrando, sem citar, o falecido deputado Roberto Cardoso Alves (PTB).

Os tempos passam e de vez em quando ou de vez em muito parece que as coisas não mudam. No que diz respeito ao esporte as mudanças são pontuais. E muitas vezes para pior. O COB, por exemplo, não apresenta resultados positivos nos Jogos Olímpicos de 1996 para cá. Mas consegue muito mais recurso público e Carlos Arthur Nuzman é reeleito pela quarta vez.

Parte para o quinto mandato, dizendo que em 2016 seremos “top 10” nos Jogos do Rio, como se isso fosse o principal, quando não é. Como chegar lá? Certamente vai pedir mais e mais dinheiro público e preparar as desculpas caso não atinjamos à meta.

Na CBF, qual era o plano de trabalho de Ricardo Teixeira, que se perpetuou no poder de 1989 a 2012 e só largou o osso devido às denúncias de corrupção que não paravam mais? E ao tão comentado recebimento de propina da ISL, parceira da Fifa que faliu e teria dado boa grana pra ele e seu ex-sogro, João Havelange. Em quem Nuzman, aliás, se espalha.

Entra José Maria Marin, o vice mais velho que dá um salário para Teixeira ser seu consultor, com que agenda de trabalho? Com quais propostas? Alguém sabe? Imagino que não, porque talvez ele seja tão vazio, em termos de propostas, como Russomanno.

Russomanno, com a candidatura desconstruída, caiu fora. Mas e Nuzman, Marin e tantos presidentes de federações e confederações que se agarram ao poder e se recusam a sair? Não está na hora de mudarmos o quadro, com a rotatatividade de poder e limitação de mandatos sugerida por Aldo Rebelo, do Esporte? Não está na hora de o governo parar de dar verba pública e cobrar resultados do COB, que às custas das tetas do governo sustenta e paga regiamente seus executivos? Não está na hora de o governo rediscutir o monopólio da CBF sobre a seleção brasileira, um dos principais produtos nacionais? Acho que sim. Mas será que eles acham? Duvido. Apesar dos pesares, boa semana a todos, Janca



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