Com o apito na mão



Volta e meia tenho voltado ao assunto, que me preocupa e muitas vezes irrita: a simulação dos jogadores de futebol no Brasil, tentando enganar a arbitragem e prejudicar o esporte. Reproduzo abaixo coluna que publiquei ontem no diário LANCE!:

“Estive nos Estados Unidos no mês passado e vi uma interessante reportagem na TV local sobre a simulação de jogadores no futebol brasileiro, atletas que fazem o possível e o impossível para tentar enganar os árbitros e jogá-los contra a torcida. Os lances eram hilários. O que tem de jogador fingindo que levou murro ou cotovelada no rosto e desabando no gramado não está escrito. Como mostravam as imagens, em várias oportunidades nem atingidos eles tinham sido. Sem falar naqueles que caem na área pedindo pênalti, uma das grandes mazelas do nosso futebol. Jogador acha que pode tudo e que os outros são idiotas. Quando não conseguem concluir uma jogada, tentam iludir a torcida e cavar uma falta que, se não marcada, vira motivo de reclamação e chiadeira.

O jogador brasileiro quer apitar a partida. Reclama de tudo. Um exemplo disso aconteceu no Canindé, no último sábado, no empate entre Lusa e Atlético-MG. No final do primeiro tempo, os jogadores da Portuguesa reclamaram do lance em que Bruno Mineiro teve um gol anulado, em jogada em que a bola resvalou em seu braço. Se eu fosse o juiz também teria anulado, pois acho que o toque no braço foi decisivo para o artilheiro anotar o gol. No intervalo, revoltado, o meia Moisés colocou em dúvida a conduta do juiz Elmo Resende. Insinuou que se o lance tivesse sido a favor do Galo ele não teria marcado nada e deixado a jogada prosseguir.

No segundo tempo, porém, foi a vez de os atleticanos reclamarem do juiz, achando que ele estava apitando a favor da Portuguesa para beneficiar o Fluminense, líder do campeonato e concorrente direto do Galo na disputa pelo título. Léo Silva marcou para a Lusa e o goleiro Victor e a zaga do Atlético protestaram muito, dizendo que Bruno Mineiro havia feito falta no próprio Victor antes de Léo Silva marcar. Falta que não aconteceu, o goleiro que saiu mal na jogada. Mas jogar a culpa nos outros parece ser uma saída mais fácil do que olhar para o próprio umbigo e tentar corrigir os erros.

Ao invés de atuarem como juízes, simulando faltas, cavando pênaltis e tentando apitar os jogos, os atletas deveriam pensar em jogar bola pois é para isso que são pagos. E os árbitros, por sua vez, poderiam tentar aparecer menos, porque eles também muitas vezes extrapolam e parece que querem ser a estrela do espetáculo. Foi o caso de Leandro Vuaden em Náutico x Atlético-GO, jogo que também aconteceu no último sábado. Não é que o juiz atrasou o início da partida em cerca de 15 minutos por conta de uma faixa da torcida do Náutico protestando contra a arbitragem? A faixa dizia que os pernambucanos não seriam derrotados pelo apito e Vuaden se ofendeu, embora a crítica tenha sido por conta do jogo anterior, contra o Fluminense, quando o Náutico teve pênalti claríssimo não marcado no final. O “politicamente correto” tem limites ou deveria ter. Mas para Vuaden…”



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