Com o apito na mão



Volta e meia tenho voltado ao assunto, que me preocupa e muitas vezes irrita: a simulação dos jogadores de futebol no Brasil, tentando enganar a arbitragem e prejudicar o esporte. Reproduzo abaixo coluna que publiquei ontem no diário LANCE!:

“Estive nos Estados Unidos no mês passado e vi uma interessante reportagem na TV local sobre a simulação de jogadores no futebol brasileiro, atletas que fazem o possível e o impossível para tentar enganar os árbitros e jogá-los contra a torcida. Os lances eram hilários. O que tem de jogador fingindo que levou murro ou cotovelada no rosto e desabando no gramado não está escrito. Como mostravam as imagens, em várias oportunidades nem atingidos eles tinham sido. Sem falar naqueles que caem na área pedindo pênalti, uma das grandes mazelas do nosso futebol. Jogador acha que pode tudo e que os outros são idiotas. Quando não conseguem concluir uma jogada, tentam iludir a torcida e cavar uma falta que, se não marcada, vira motivo de reclamação e chiadeira.

O jogador brasileiro quer apitar a partida. Reclama de tudo. Um exemplo disso aconteceu no Canindé, no último sábado, no empate entre Lusa e Atlético-MG. No final do primeiro tempo, os jogadores da Portuguesa reclamaram do lance em que Bruno Mineiro teve um gol anulado, em jogada em que a bola resvalou em seu braço. Se eu fosse o juiz também teria anulado, pois acho que o toque no braço foi decisivo para o artilheiro anotar o gol. No intervalo, revoltado, o meia Moisés colocou em dúvida a conduta do juiz Elmo Resende. Insinuou que se o lance tivesse sido a favor do Galo ele não teria marcado nada e deixado a jogada prosseguir.

No segundo tempo, porém, foi a vez de os atleticanos reclamarem do juiz, achando que ele estava apitando a favor da Portuguesa para beneficiar o Fluminense, líder do campeonato e concorrente direto do Galo na disputa pelo título. Léo Silva marcou para a Lusa e o goleiro Victor e a zaga do Atlético protestaram muito, dizendo que Bruno Mineiro havia feito falta no próprio Victor antes de Léo Silva marcar. Falta que não aconteceu, o goleiro que saiu mal na jogada. Mas jogar a culpa nos outros parece ser uma saída mais fácil do que olhar para o próprio umbigo e tentar corrigir os erros.

Ao invés de atuarem como juízes, simulando faltas, cavando pênaltis e tentando apitar os jogos, os atletas deveriam pensar em jogar bola pois é para isso que são pagos. E os árbitros, por sua vez, poderiam tentar aparecer menos, porque eles também muitas vezes extrapolam e parece que querem ser a estrela do espetáculo. Foi o caso de Leandro Vuaden em Náutico x Atlético-GO, jogo que também aconteceu no último sábado. Não é que o juiz atrasou o início da partida em cerca de 15 minutos por conta de uma faixa da torcida do Náutico protestando contra a arbitragem? A faixa dizia que os pernambucanos não seriam derrotados pelo apito e Vuaden se ofendeu, embora a crítica tenha sido por conta do jogo anterior, contra o Fluminense, quando o Náutico teve pênalti claríssimo não marcado no final. O “politicamente correto” tem limites ou deveria ter. Mas para Vuaden…”



  • Flavio Rodrigues

    Janca, bom dia! Eu concordo com o que escreveu, só acho que existe um outro lado… torcedores e imprensa (sem generalizar) jogam tudo nas costas da arbitragem. Os comentaristas da TV são hilários, sem critério algum… descem a lenha nos árbitros sem responsabilidade, quando os comentaristas são especialistas (ex-árbitros) parece que a regra muda toda semana, então eu formo uma ideia de que a falta de critério já vem de muito tempo, pois nem vendo imagens eles conseguem seguir uma linha criteriosa … e aí aparece um monte de coitadinho, que se diz prejudicado pela arbitragem… conveniente para quem gosta de se colocar nesta posição, mas, a realidade é que os árbitros, ruins que são, erram pra todos, e os jogados se aproveitam disso, não digo, “ah, eles vão fazer pq serão defendidos”, não é isso, mas acho que toda essa polemica, gera um clima de desconfiança para a arbitragem que tiram o “moral” dos árbitros, como em uma guerra, eles ficam sem força, não são respeitados, e os jogadores deitam e rolam. A garota que ficou até famosa com a faixa, apareceu na televisão e tudo mais, tem todo o direito de colocar faixa… isso eu tb concordo… mas, que eu acho um saco esse chororô, ah, isso eu acho!

    • janca

      Eu concordo contigo. A imprensa e os comentaristas de arbitragem também têm boa parcela de responsabilidade, porque é muito mais fácil falar depois de ver o lance seguidas vezes do que decidir em campo numa fração de segundo. E como é fácil julgar e condenar… Abs.

      • Thiago

        pq vc nao critica o jogador Fabregas do barça que simulou agressao e conseguiu a expulsao de um jogador do sevilha. simulaçao existe em todos os cantos do mundo, não eh so no Brasil nao.

        • janca

          Claro que não, mas aqui é mais escancarada e menos punida do que na Europa.

  • Hugo Boy

    Janca, na ultima segunda assisti a um programa de tv (talvéz você também tenha visto) onde um comentarista deu uma opinião que faz todo o sentido. O brasileiro tem o ‘hábito’ de tentar manipular tudo, está ligado a cultura do nosso povo. Ludibriar a justiça (no jogo de futebol resumido na figura do arbitro) é comum, porque não há punição, não se tem respeito a autoridade. Vimos um exemplo perfeito de bom comportamento e ética esses dias, quando Klose, um cara consagrado no futebol, disse que botou a mão na bola antes de fazer o gol e este foi anulado. Aplaudiram ele. Se isso acontece no Brasil, temeria pela vida do cara que tivesse esse bom senso.

    • janca

      Não vi, mas talvez você e o comentarista que disse isso tenham razão, talvez faça parte de nossa cultura. Mas sabe que no caso do Klose não sei bem o que dizer? Respeito, claro, a atitude dele, mas se não tivesse dito nada não acharia errado, não. Faz parte do jogo. O que não acho que faça parte é a simulação, por exemplo, e essa tem que ser combatida com mais rigor. Não só pelos árbitros, mas pelo STJD também. As punições para quem faz esse tipo de coisa têm de ser mais severas. Abs.

      • valter

        Janca, bom dia.

        Aceito as opiniões, mas não concordo. Em primeiro lugar, isso(“jeitinho”, tentar levar vantagem em tudo, corrupção, safadeza etc…)não é cultura do povo brasileiro. Pode ser atitude de alguns, mas não do povo. Somos praticamente 200milhões e a maioria, quase a totalidade desse povo é honesto, simples e trabalhador, independente do nível social, cultural e econômico. Também não concordo que jogador profissional, marcar gol com a mão e ficar quieto, faça parte do jogo. Isso é desonesto, no Brasil e em qualquer outro lugar. Não faz parte de nenhum jogo limpo.
        No mais, parabéns pelo comentário.
        Abraços

        • janca

          Temos opiniões um pouco diferentes. Acho que você pode ter razão quando diz que o “jeitinho”, digamos assim, não é cultura do povo brasileiro. Mas é de parte do povo brasileiro. E não sei se a parte representa o todo, acho que não. Em relação a marcar um gol com a mão e ficar quieto não vejo problemas, entendo quem veja, mas eu não vejo. O Maradona marcou um gol com a mão na Copa do México e ficou calado. Acho que é um direito dele. O Túlio, salvo engano, fez o mesmo num jogo contra a Argentina. Foi mesmo o Túlio? Não acho que isso seja desonestidade, mas entendo quem ache que sim. E se uma falta que não aconteceu for marcada no meio-campo, o jogador tem que avisar? Não acho que seja obrigado a isso, não. E entendo e respeito se nada disser. Não acho desonesto. O que acho que tem de ser punido é outra coisa, quando tenta enganar o árbitro de fato, simular pênalti, murro na cara que não aconteceu, coisa do gênero. A punição tem que ser mais pesada porque no futebol brasileiro muitos estão se preocupando mais em fazer isso do que em jogar futebol. E isso sim não é jogo limpo. Mas repito que entendo e respeito sua opinião, apesar de divergirmos. Isso também faz parte do jogo. Abração, Janca

  • Rafael

    Bom dia Janca,

    A atitude do árbitro no jogo do Nautico foi vergonhosa.
    Não é motivo para atrasar o jogo em 15 minutos, apenas para tirarem a faixa.
    No caso das simulações, acho que a cultura do jogador brasileiro fez com que, ao longo dos anos, eles se acostumem a cair em qualquer jogada.
    Vi um jogo do barcelona outro dia, o que o Messi apanha não é brincadeira, e ele não simula nenhuma falta, ele cai e rapidamente tenta se levantar para continuar a jogada.
    O Neymar e o Valdívia deveriam se espelhar nele.
    Na próxima copa, sendo no Brasil, os jogadores (principalmente Neymar), tem que parar de simular, pois os árbitros não vão engolir isso.
    Acho que uma experiência na Europa seria ótima para esses tipos de jogadores.

    O que acha Janca?

    • janca

      Vou ficar no muro. Talvez sim, talvez não. O que acho é que, especialmente no caso do Neymar, as pessoas tendem a pegar muito no pé dele. Não acho o Neymar um cai-cai como dizem. Acho que muitas vezes ele é caçado, isso sim, pelos rivais. Se simula tem de ser punido, sim, mas quando sofre falta _e costuma sofrer faltas bem duras_ o adversário também tem de ser severamente punido. Abs.

      • Janca, o Neymar desiste fácil da jogada quando é tocado. Logo, é um cai-cai.

        Veja o lance do gol do Osvaldo contra o Coritiba: o Lucas é caçado o jogo inteiro também. Só que, ao contrário do Neymar, o Lucas não desiste da jogada – e a bola sobrou pro Osvaldo fazer o gol justamente por causa da insistência do Lucas.

        Agora, o Klose ter sido sincero foi de todo uma surpresa. Bem, estamos num país que, quando recebemos troco a mais, dificilmente devolvemos…

        • janca

          Troco a mais eu sempre devolvo, Rodrigo, mas se estivesse no lugar do Klose possivelmente não teria falado nada, não sei. Não condeno o jogador, como Maradona em 1986, que fica calado ao marcar um gol assim e sai pra galera. Abração, Janca

  • Dorival

    Janca, no Brasil os árbitros na realidade são juízes é por isto que a coisa se complica vou dar um exemplo disto: O São Caetano jogava com o Atlético do Paraná naquele campeonato roubado pelo Eurico Miranda e o Vasco lembra, pois bem houve um pênalti a favor do São Caetano e o arbitro não marcou. O comentarista da rede lodo José Roberto Right afirmou o seguinte; “Foi pênalti claríssimo, mas eu também não marcaria”. Eu perdi meu tempo de mandar e-mail para a rede lodo para o Galvão Bueno e por lá a politica é a seguinte: “Ignora que desaparece”. Naquele momento ele jogou a carreira dele no lixo afirmou com todas as palavras que foi juiz e não arbitro como manda a FIFA, tudo o que ele fez pode ser contestado, pois ele é o SR que decide a sorte das partidas apitadas por ele.

    • janca

      Oi Dorival. Confesso que não lembro do lance nem do comentário. Mas não entendi. Se foi pênalti claríssimo ele não marcaria? Será que não quis dizer que houve pênalti, mas da posição em que estava o árbitro ficava difícil de ver? Abs.

      • Dorival

        O comentário dele não tem nada a ver com a posição do arbitro que estava bem posicionado e só não marcou por se tratar do pobre São Caetano que parou na primeira divisão por uma maracutaia da CBF e jurou não apelar para os tribunais.
        Quando a arquibancada despencou no jogo no estádio do Vasco por direito o São Caetano seria o campeão, mas o Poderoso Eurico mandou repetir o jogo nas férias dos jogadores e a rede lodo aceitou a maracutaia e o São Caetano perdeu o jogo no qual não tinha os mesmos jogadores do primeiro jogo.
        Se o comentário fosse feito em um país serio este SR jamais trabalharia na imprensa, ele continua a comentar até hoje e tudo vai ficar por isto mesmo.
        É difícil ensinar valores morais a quem não tem um pingo de respeito pelas regras estabelecidas.

        • janca

          E lembra do Eurico em campo pedindo para as pessoas saírem rapidamente para o jogo continuar??? Quando parte da arquibancada de São Januário simplesmente despencou e havia muitos feridos???

  • Vaz

    Boa tarde a todos!
    Não vejo muita saída se não implantarmos julgamento de atletas que simulam, usam de práticas ilícitas e anti-éticas. Não é possível mais chamarmos estas práticas de malandragem do futebol brasileiro, isto não é o Brasil. Malandragem é coisa de desonestos de ladrões e não podem nem devem ser mostradas ou até justificadas.
    Sou do tempo que as coisas eram simples: jogador não podia “descolar” o braço do corpo em disputa com adversário ou em direção a bola, caso contrário era falta ou mão na bola, se ergue-se a mão acima dos ombros no momento de cabecear a bola já indicava intensão de desvia-la com as mãos. Hoje ficam interpretando intensões, repetem imagens dezenas de vezes que muitas vezes mostram em um miléssimo de segundo onde um pé estava centimetros a frente ou se o cara tinha a intensão de de fazer falta ou não, isto é rídiculo, é subjetivo. Nem a medicina e a ciência em geral conseguem medir intensões e aí tome toda sorte de simulações já que qualquer coisa pode ou não ser falta, não há critérios do que se vale os “espertalhões”.
    Na Europa o julgamento de simulações e práticas anti-esportivas é punido severamente mesmo depois da partida. O que se pratica em campo por aqui hoje em dia é fraude, farsa.
    O lema que deveria ser aplicado no futebol brasileiro é: “futebol limpo, honesto e sem violência”.
    Me chama a atenção outras atitudes que se somam a esta, como truculência nas disputas (a maioria está confundindo marcação dura com vai ou racha), atletas primeiro vão no corpo e depois na bola, atleta nervosinho pronto para brigar, quando não atropelam tudo (bola, jogador, grama e até bandeirinhas). Bolas disputadas de cabeça estão virando caso de traumatologia (observe que os jogadores já vão para a disputa com a cabeça de lado o que só pode levar a ferimentos), é só verificar a quantidade absurda de choque de cabeças que assistimos neste ano, são uma a cada 3 jogos não passa rodada onde 3 ou 4 jogadores não terminam sendo atendidos por este tipo de choque e com bandagens nas cabeça, isso demonstra a agressividade desmedida com que estão disputando as bolas.
    A pior de todas é a tal “cama de gato” (neste fim de semana o Neymar foi vítima desta jogada que acontece em todos os jogos) e quase termina a sua carreira ali, deu muita sorte mas muita sorte mesmo ao cair com a nuca no gramado e não ter sofrido sequelas), até na liga de futebol americano esta atitude é punida com severidade mas aqui pararam de punir esta prática. Estão esperando o que? Um jogador terminar morto ou em uma cadeira de rodas?
    É por esta razão que ao assistirmos o futebol europeu com 75 a 80 minutos de bola rolando enquanto por aqui não passa na maioria das vezes de 45 minutos (você paga por um e recebe meio) e mais, são poucos os jogadores parados no “estaleiro” por meses devido a truculência e deslealdade.

    • janca

      É isso. O julgamento e a punição são importantíssimos _punição mais dura_ para os jogadores pararem de adotar a prática da simulação. Por isso citei, em comentário anterior, o STJD. Abs.

  • Missori

    Janca, o que está faltando é o jogador brasileiro atuar mais sob arbitragens estrangeiras. Um exemplo cristalino é o do Neymar. O “tina turner” vivia num cai-cai desgraçado por aqui; quando jogou pelo Santos e pela seleção com arbitragens estrangeiras seu cai-cai não deu em nada, ele caia e ficava no chão com cara de cachorro que caiu da mudança com o juíz mandando a jogada prosseguir. Se vc notar bem, verá que o “tina” começou a se atirar menos no chão. E outro exemplo são os jogadores, mesmo brasileiros, que atuam no exterior, aos poucos vão perdendo essa mania estúpida. Muito bom post, parabéns!

    • janca

      Pode ser, Missori, acho uma sugestão interessantíssima, fazer um intercâmbio de árbitros e importar alguns estrangeiros para ampliar os horizontes de nossos jogadores. E acho que você tem razão sobre o Neymar, especialmente antes da Olimpíada, em alguns jogos pela seleção, de fato ele parecia se atirar demais e querer falta em toda jogada, revoltanda juízes e torcedores. Mas muitas e muitas vezes ele cai porque é derrubado. E a violência também tem que ser combatida. Grande abraço, Janca

  • lee

    Ah, eu acho que tudo no brasil tá chegando no limite!

    Li uma opiniao de um jornalista daqui do lance mesmo, o benja, esses dias e o que ele disse é a mais pura verdade:

    Tá muitoo chato o futebol, a sociedade tá muito chata, tudo é bullying, homofobia, policamente incorreto, preconceito, tudo!

    Acho que a CBf deveria é começar a pagar salário fixo pros árbitros, usando o CT dela ou de terceiros ( como o de academias militares) para

    treinnar e profissionalizar os juizes e auxiliares.

    Deveriam também acabar com a cultura dos árbitros brasileiros em apitar tudo ( ja repararam que juizos nacionais qd apitam a libertadores mudam de postura?).

    Eles podiam também usar as câmeras para punir os atores dos gramados, porque realmente está demias.

    Bom, na verdade, tinham é que liberar os juizes pra dar entrevistas, pra participar dos programas esportivos. Se humanizassem o profissional do apito, talvez a situação..poderia melhorar um pouco..

    • janca

      Você tocou num ponto importantíssimo: humanizar a arbitragem. Sabe que nunca tinha pensado nisso? A ideia é interessantíssima. Se não o árbitro fica uma figura obscura… E também defendo _há tempos_ a profissionalização da arbitragem, com salário em dia, direitos trabalhistas etc. etc. etc. Abs.

  • Francotimão

    Penso q esse estado de coisas acontece por malandragem dos atletas, omissão da arbitragem, excesso de valorização de atletas por equipes, midia e diretoria dos clubes, por influencia da midia e por fim pela instituição da Lei de Gerson, essa a mais profunda pois é arraizada no seio da sociedade e passa de pai pra filho…

    • janca

      Talvez um pouco disso tudo, sim. Abs.

  • Fernando Duarte

    Janca, reporto aqui uma experiência interessante. Há tempos atrás, em meio a essa já antiquíssima discussão sobre simuladores x árbitros, eu me perguntei:
    “Afinal, na mesma linha do quem veio primeiro, se o ôvo ou a galinha, quem causou o “fato gerador” ? São os árbitros que não marcam penaltis porque os jogadores simulam, ou os jogadores simulam porque os árbitros não marcam as faltas ?”.
    Para tentar obter uma luz fui entrevistar 2 personagens do futebol. Um ex-árbitro de futebol do RJ das décadas de 60 e 70, e um ex-atacante tb muito conhecido no RJ e atuante nas mesmas décadas. O depoimento do árbitro foi claro. Ele admitiu que dentro da área não marcava “faltinha” porque penalti era coisa muito séria e podia decidir uma partida. E ele como árbitro sofreria enorme pressão dos clubes e da federação local, se marcasse um penalti errado.
    Fui então conversar com o ex-jogador (Janca, detalhe, essas duas conversas foram realizadas há quase 25 anos atrás !!!!!!), que , obviamente não sabia do depoimento do árbitro. E ele disse o seguinte: “Com o tempo, nós jogadores percebemos que os árbitros só marcavam penalti se houvesse fratura exposta !!! Aquela falta sutil que te desequilibra sem que vc caia, mas o suficiente para tirar a precisão do chute ou do passe, era solenemente ignorada pelos “caras”. Ele marcava fora da área, dentro, jamais. A partir daí, eu e quase todos os outros atacantes passamos a nos jogar, na certeza de que em algum momento ele iria marcar.”
    Então veja que essa discussão é mais velha que amarrar cachorro com linguiça, mas a impressão é de que os àrbitros, com o tempo, passaram a induzir e viciar os jogadores nesse tipo de prática. Culpa só dos árbitros ???? Na minha opinião não, mas principalmente pela estrutura que os cerca. Sem a profissionalização da arbitragem, me parece quase impossível que os árbitros se aprimorem e ganhem confiança para exercerem melhor a profissão. Quanto mais suscetível a pressões, pior será a qualidade da arbitragem. Fora isso, claro, as relações se deterioraram tanto entre jogadores, técnicos e cartolas, em termos éticos, de conduta e educação, que resolver isso agora, realmente é complicado. Será que um pacto geral resolveria ? Mandar todos de volta para a escola ? Mão de ferro nas punições (o clássico “disciplinar na marra”) ?
    Sinceramente não sei. O que posso dizer, é que tendo a acreditar firmemente que a falta de pulso e de critério dos árbitros, com o tempo, acabaram incentivando o aparecimento dos jogadores-atores. Abs

    • janca

      Oi Fernando, valeu pela contribuição com informações tão interessantes, que fizeram eu parar para pensar. Interessantíssimo o que disse o árbitro que você entrevistou, também muito interessante o que disse o ex-jogador (e isso há quase 25 anos!!!). Mas algo que acho importante no depoimento do ex-jogador é que na tentativa de exagerar nas cenas mesmo quando de fato derrubados na área a teatralização seja tão grande que confunda a arbitragem e acabe causando efeito contrário. E também há estudos que apontam que existe uma tendência, mesmo que nem seja consciente, de o árbitro apitar favoravelmente, em lances duvidosos, ao time da casa ou ao mais popular, já que um erro contra pode causar repercussão maior. Grande abraço, Janca

  • Everton Martins

    Torso para o São Paulo, mas gosto do Atlético Mineiro….Mas vi alguns jogos do Atlético e chega a dar raiva….em todos os lances os jogadores partem pra cima do juis reclomando e sempre tem empurra empurra com os adversários. Agora alguém tem que orientar o Bernard, pois ele é um bom jogador mas chega dar raiva ve-lo jogar, em todos os lances ele se joga e fica rolando, sem contar que quer arrumar confusão em quase todos os lances…

    • janca

      Já tinha notado isso em relação ao Bernard. Tem que reclamar menos e procurar menos confusões, pois como jogador é talentosíssimo.

  • Fabio

    Janca, que coincidência incrível seu post. Estava a pouco falando sobre isso com um amigo e disse a ele que ia publicar uma idéia aqui, já que você é o único que responde e tem carater (apesar de mais uma vez não ter citado o assalto do arbitro contra meu sampa domingo, aula de simulação do coxa).

    Idéia: colocaram árbitros auxiliares nos gols e não mudou muito. Usar a tecnologia (replays) num pad por exemplo a cada lance duvidoso seria complicado e inviável.
    Quem assisti na tv ve os lances muito melhor que o juiz, inclusive as simulações.

    Simples, coloca um árbitro auxiliar assistindo o jogo pelos angulos da tv e diretamente auxiliando o arbitro principal nos lances através de fone/radio…Os dois conversam em poucos segundos e e tomam as aitudes cabíveis. Pela tv não tem muita discussão, exceto a falta de imparcialidade.

    Q crees?

    • janca

      Oi Fabio. Vamos por partes (rs). Em relação ao São Paulo ia comentar, pois não foi pênalti do Rodolpho em cima do Rafinha, o São Paulo foi prejudicado. Pela TV achei fácil de perceber, mas se estivesse no local (em campo), não sei se teria notado. Mas depois não cheguei a ver o gol do Osvaldo, escutei no rádio e comentaram que ele estaria impedido (por muito pouco, mas que estaria). É fato? Sobre sua sugestão acho interessante, contanto que não atrapalhe o ritmo do jogo. Porque não podem discutir muito para decidir sobre um lance, a coisa tem que ser decidida em frações de segundo, se não tira a essência do próprio jogo. Acho que a tecnologia tem que ser usada com moderação, como o chip na bola, que foi aprovado, podendo apontar se a bola entrou ou não em casos duvidosos. E por mais que usemos tecnologia o erro faz parte e é até legal ver as discussões. Muitas vezes há um lance que gera polêmica que dura horas, horas e horas e não se chega a um consenso. Imagine o árbitro tendo frações de segundo para decidir. Não é fácil. Abração e vamos ver se o jogo do Brasil começa logo, Janca

  • Dorival

    Com relação à tecnologia do replay ela é agora usada no NBA, mas só pode ser usada quando uma grande duvida aparece e um dos times pede revisão, tem uma equipe que analisa e da o veredito a TV mostra também um sem numero de vezes.
    Nesta situação o erro é quase zero, pode ser uma boa ideia poder cada time consultar uma vez cada tempo uma jogada discutível.

    • janca

      O tênis faz algo parecido com sucesso, mas são esportes diferentes, não sei se para o futebol funcionaria.

  • Fabio_palestra

    SOU UM PALMERENSE VIADO, FROUXO E FELIZ, SOU VERDAO.

  • edson

    Na minha opinião, alguns arbitros são totalmente parciais. Pode ter certeza, onde estiver o Fluminense, Flamengo e principalmente o corintians a arbitragem sempre será a favor.. Eles sempre erram contra os mesmos e sempre a favor dos mesmos times.. talvez seja a máfia da CBF que precisa ser extinta.

  • CRAQUE NETO O CAMPEAO DA LIBERTA.

    ……….AO……..AO……………….AO…..SEGUNDA…….DIVISAO…………KKKKKKKKKKKKKK. E NOIS.

  • CRAQUE NETO O CAMPEAO DA LIBERTA.

    CADE O PARMERA…….. TA NO MURUMBA LEVANDO UMA TACA

  • CRAQUE NETO O CAMPEAO DA LIBERTA.

    CHUPAAAAAA PORCAIADA QUEBRADAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

  • CRAQUE NETO O CAMPEAO DA LIBERTA.

    U TE RE RE , SOU PARMERA ATE NA BBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBBB

  • giulio

    Pois é… faca de “dois gumes”. Vamos analisar duas situações distintas, envolvendo arbitros. Uma mais antiga e outra mais recente. Armando Marques – campeonato paulista de 1971 – São Paulo x Palmeiras – anulou um gol legítimo do Leivinha (feito de cabeça, sua especialidade) alegando o atleta tê-lo feito com a mão. É justo lembrar que o São Paulo ganhava o jogo com um gol do Toninho Guerreiro, e o empate dava o título ao time do Morumbi, porém, seu o gol fosse devidamente validado, a história do jogo poderia ter sido outra. O Armando Marques queria aparecer mais que “pavão” em um jogo de futebol, e na época (vamos colocar os times em ordem alfabética) Rivellino (Corinthians), Ademir da Guia (Palmeiras), Don Pedro Rocha (São Paulo) e o Rei Pelé (Santos), ápices, dentre outros excelentes jogadores destas mesmas agremiações e de outras por este Brasilzão afora, eram meros coadjuvantes do espetáculo quando tal arbitro apitava. E de quebra, referindo-me ainda a Armando Marques, não se esqueçam o “imbloglio” que ele fêz na final do campeonato paulista de 1973, errando a contagem das penalidades entre Santos X Portuguesa na Vila, com a FPF resolvendo “salomonicamente” tamanho problema, dividindo o título entre as duas agremiações. Nunca foi um mau arbitro, porém seus erros eram avassaladores. E não havia também, embora “fossem craques ao cubo”, este estrelismo exacerbado dentre quaisquer destes nomes que citei e muitos outros. A bem da verdade, não era comum jogadores quererem “apitar” a partida.
    Carlos Eugênio Simon – campeonato brasileiro de 2009 – Fluminense x Palmeiras, anulou um gol legítimo de Obina (também feito de cabeça) alegando falta do atacante. Tambem é justo lembrar que ambas equipes estavam em situações opostas; o Palmeiras no alto da tabela, lutando pelo título e o Fluminense aguerridamente para não ser rebaixado. Levou o Dr. Belluzzo literalmente “à loucura”…uma pessoa comedida a cometer o “extremismo” de achincalhá-lo publicamente e consequentemente ser suspenso de suas atividades esportivas por seis longos mêses e ser processado pelo referido arbitro. Errar é inerente ao ser humano, cria polêmicas…como você disse…”saudáveis” ao futebol; mas sou de opinião que faltou “personalidade” ao Carlos Eugênio em admitir que errou…criou mais problemas ainda…relatando que o atacante em questão admitiu ter feito a falta…pura invenção. Em suma, erro crasso em função do estrelismo e da intocabilidade dos arbitros de futebol (remete-nos inconscientemente a recordar os “gangsters” de Chicago na década de 30). Da mesma maneira, agora reportando-me aos jogadores – vimos outro dia “um destempero” do Sr. Tite, treinador do Corinthians, outra pessoa na minha opinião, extremamente sensata, assestando baterias contra o Neymar, evidentemente por se sentir prejudicado na oportunidade – ora, não é só o Neymar, que de tanto tomar porrada sem a devida falta ser assinalada, não perde o momento oportuno para “simulá-las”. É absolutamente claro que todos têm a atenção redobrada no Neymar… em evidência não só no Brasil… mas em todos os quadrantes do mundo. Mas muitos jogadores usam do expediente…e pior…sem a qualidade e evidência do Neymar e outros “craques” comprovados e consagrados. O problema passa fundamentalmente pela CBF, verdadeiro “antro” de hipócritas e corruptos que não administram o futebol do nosso País corretamente. Impossível admitir que realmente não saibam reestruturar o campeonato brasileiro (o maior do mundo, segundo a midia); preparando-se para o segundo passo, que é a profissionalização dos arbitros e a implementação adequada da tecnologia ao esporte. Quanto à esta última, acho que temos de creditar na conta da FIFA, por sua agilidade “paquidérmica” em modernizar o esporte. Vide, somente para exemplificar, eliminátórias e Copa do Mundo de 2010. Desta forma, naturalmente conseguiremos separar o “joio do trigo” quanto à arbitros e jogadores brasileiros – e consequentemente ocorrerá a execução fisica do famoso “à Cesar o que é de Cesar e à Deus o que é de Deus”. Arbitros e jogadores, sem dúvidas, saberão portar-se em um verdadeiro espetáculo de futebol. Porém, minhas dúvidas persistem para alcançarmos este estágio…haverá coerência, dignidade e princípios a serem respeitados pelos altos mandatários do futebol brasileiro (leia-se presidentes de clubes e CBF) ???? Por bem, só o tempo que, sabemos, está exaurindo; ou então o povo verdadeiramente consciente de sua força, terá de agir….

  • GUMERCINDO DEL BELLO

    EU FAÇO UM CONVITE. PARA TODOS CONSELHEIROS, DIRIGENTES, EX PRESIDENTES E PRESIDENTE DO PALMEIRAS
    IREM AOS ESTADIOS ASSISTIREM OS JOGOS QUE FALTAM DO PALMEIRAS E SEJAM SOLIDARIOS COM QUEM ESTÁ
    AINDA NO BATOMUCHE.PORQUE JÁ TEM COVARDES,QUE PULARAM ANTES E JÁ COMEÇARAM SE ESCONDER

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