Em defesa do bandeirinha



Reproduzo hoje, neste espaço, coluna que publiquei anteontem no diário LANCE!:

“Ainda continua dando o que falar o erro do bandeirinha Emerson Augusto de Carvalho, que não viu três impedimentos no lance do segundo gol santista domingo retrasado contra o Corinthians.

Que ele falhou não há dúvida nenhuma, mas os ataques que tem sofrido de tudo quanto é lado são injustificados e inaceitáveis. Transformaram o auxiliar no vilão da arbitragem brasileira, quando ele não é. Errar faz parte da vida e do jogo. E errar feio também. O que não faz parte ou não deveria fazer é errar por má intenção e isso ninguém diz que ele fez. Emerson Carvalho admitiu a falha, que foi grotesca, sim, como foi grotesca a cobrança de pênalti de Neymar contra a Universidad de Chile, pela decisão da Recopa, o mesmo Neymar que três dias depois dava show contra o Palmeiras.

Se o erro do assistente tivesse sido num Portuguesa x Figueirense, com todo respeito que tenho pelos dois, a gritaria seria a mesma? Duvido. Porque a repercussão seria muito menor. E a pressão sobre o bandeirinha, consequentemente, também.

Se até o dia do clássico na Vila Emerson Carvalho era tido como um dos bons nomes da arbitragem brasileira deixa de ser pelo que aconteceu no segundo gol do Santos? A meu ver, não. Tanto que foi corajoso e mostrou personalidade três dias depois, acertando no lance que deu a classificação ao Grêmio para a fase internacional da Copa Sul-Americana. Quando muitos comentaristas dariam impedimento de Marcelo Moreno no gol dos gaúchos, o auxiliar foi firme e deixou o lance seguir. Revoltados, os jogadores do Coritiba partiram para cima do trio de arbitragem, que confirmou o gol. Que era, de fato, legítimo.

Criticar é muito fácil, colocar-se no lugar do outro, nem tanto, ainda mais quando se trata de futebol e a emoção toma conta dos torcedores, cujo comportamento muitas vezes é irracional, para não dizer outra coisa.

Como já dizia um amigo meu, o jornalista Eugenio Goussinsky, a luz que chega à retina do juiz pode ser diferente da que chega aos olhos do comentarista. Não defendo o erro do bandeirinha, de jeito nenhum, mas entendo que pode acontecer. E já vi alguns mais graves. Erros que decidiram uma Copa do Mundo, como a de 1966, vencida pela Inglaterra em casa, e que chegaram a colocar em dúvida a lisura de eventos, caso daquele Mundial.

Confesso que também não entendi bem as mudanças promovidas por José Maria Marin no comando da arbitragem depois do que aconteceu em Santos x Corinthians. Pra mim a ação soou como uma forma de o dirigente jogar pra galera. Tirou poder de Sérgio Corrêa, que presidia a Comissão de Arbitragem, criou um novo cargo pra ele, mantendo intacto seu salário. Se achava Corrêa incompetente, que o afastasse de vez da arbitragem. Mas não. Colocou-o na “parte administrativa” e pôs em seu lugar o coronel Aristeu Leonardo Tavares, que vinha atuando como ouvidor de arbitragem desde abril, nomeado pelo próprio presidente da CBF. Mudança para inglês ver.”



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