Dilma em campo



Dilma Rousseff tem apoiado as declarações de Aldo Rebelo, ministro do Esporte, que já se manifestou mais de uma vez contra os “mandatos eternos” para dirigentes de federações e confederações.

A ideia da Presidência da República é que, a fim de continuarem recebendo dinheiros públicos, as entidades mudem seus estatutos permitindo no máximo uma reeleição ao seu mandatário.

Dirigentes esportivos alegam que o estatuto é uma questão interna de cada associação e vêem na intenção do governo uma espécie de intervenção e desrespeito à sua autonomia, o que feriria a Constituição.

Acho que cada entidade pode se organizar do jeito que achar melhor, mas para receber verba pública deveria obedecer a determinados critérios, inclusive o limite de reeleição. Não são raras confederações e federações com presidentes eleitos nos anos 80 ou 90.

Como a CBF não recebe dinheiro público, ficaria de fora da questão. Mas acho que não deve e pode entrar no debate, já que administra um dos maiores patrimônios nacionais, a seleção brasileira de futebol, tratando-a como um produto privado, quando não é. Ou não deveria ser.

Se forem adiante com a luta pela rotatividade no poder e o limite a reeleições nas confederações e federações esportivas, tanto Aldo Rebelo quanto Dilma Rousseff podem marcar um gol. De placa.



  • Marcio

    O Poder Público intervem direto na vida dos Cidadãos com Leis que nem sempre agradam a todos, mas é assim que funciona a Sociedade, então não seria nada mais justo se interferissem nesses antros de corrupção, que são as Federações de Futebol. Deveria ser criado uma campanha ou até mesmo uma Lei de autoria popular parar acabar de vez com essa mamata.

    • janca

      Uma das possibilidades que vejo, Marcio, para o possível início de uma mudança, é a discussão sobre o papel da CBF e o monopólio na administração, a meu ver muito mal feita, da seleção brasileira de futebol, um dos maiores patrimônios nacionais que temos. Seleção que é nossa _ou deveria ser_, não propriedade privada e particular da CBF e de José Maria Marin.

  • Luiz Marfetán

    O Lula e a Dilma, apesar de tudo, já fizeram tanta coisa boa! Essa seria uma das melhores. Acabar com a roubalheira desses pústulas. Vai ser difícil nenhum de lhes vai querer soltar a teta que sempre está cheia!

    • Fabiana

      Lula fez o mensalão. Eta coisa boa, Brasil!

      • janca

        E o Lula deu muita força para Ricardo Teixeira. Dilma fez o contrário. Escanteou-o, como tem escanteado seu sucessor, José Maria Marin.

  • Fabiana

    Legítimo o governo pressionar pra não dar cheque em branco pra entidades que mal conhece. Você não citou, mas cadê o COB? Quanto ganha cada executivo do COB? Quanto ganha cada funcionário? Quanto é gasto com assessoria de imprensa pra divulgar a imagem do senhor Carlos Arthur? Dinheiro público tem que ser dado pra quem tem transparência e apresenta planos de resultados. Nuzman é presidente do COB de 1996 e candidato a novo mandato. Não sai antes de 2016. Se quiser, não sai até morrer. Acha isso justo? Governo tem uma arma na mão: dinheiro. Pare de dar dinheiro pro COB pra ver se o COB não pede falência. Muito fácil a vida de quem tudo de mão beijada do governo. Dilma não é Lula. COB e CBF ainda não entenderam isso. Ela trabalha. Ele fazia média.

    • janca

      Não é tão simples assim, Fabiana. O COB recebe recursos público via loterias federais, a lei foi aprovada na década passada e está aí, tem de ser respeitada. Mas que o governo pode pressionar por mais transparência, exigir um plano de metas, resultados e se negar a dar outras verbas, pois entidades como o COB querem sempre mais, pode. E o Nuzman é presidente do COB desde 1995, não 1996. Sobre suas outras perguntas, salários dos funcionários e executivos e pagamento para assessoria de imprensa confesso que não sei. Mas eles poderiam divulgar, já que o comitê vive prioritariamente do meu, do seu, do nosso dinheiro. Acho que é um direito pelo qual poderíamos lutar.

      • alessandro

        EU CONTINUO ACREDITANDO QUE O MELHOR CAMINHO PARA O ESPORTE BRASILEIRO E RETIRAR A MAIOR PARTE DAS VERBAS DESSAS CONFEDERAÇOES,TENDO OU NAO ALTERNANCIA NO PODER,MESMO PQ SAO MUITOS OS CASOS NO NOSSO BRASIL EM QUE UM PODEROSO COMADA ALGO E SE E OBRIGATORIO A ALTERNANCIA ELE SIMPLESMENTE INDICA UM TESTA DE FERRO Q GOVERNA POR ELE.NO NOSSO PAIS INFELIZMENTE ACREDITO QUE A INICIATIVA PRIVADA E INFINITAMENTE MAIS EFICIENTE QUE O PODER PUBLICO,POR ISSO DEFENDO QUE A MAIOR PARTE DOS 2 BILHOES QUE O GOVERNO REPASSA AS CONFEDERAÇOES SEJAM RETIRADAS E CONVERTIDAS EM ISENÇOES FISCAIS PARA EMPRESAS QUE ABRACEM PROJETOS DE FORMAÇAO DE ATLETAS PODENDO ATE FAZER PARCERIA COM ORGANIZAÇOES DA SOCIEDADE,UNIVERSIDADES,COM ORIENTAÇAO E FISCALIZAÇAO DO MINISTERIO DO ESPORTE PARA ESSE DINHEIRO NAO IR PARAR NO FUTEBOL.

        • janca

          Mas as entidades podem adotar mecanismos para evitar justamente isso, que o presidente saia e coloque um “companheiro” no lugar, voltando depois de quatro anos e mascarando o que deveria ser uma alternância de poder. Mas já é um avanço ele próprio não fica mais de oito anos no cargo. Tem confederação com presidente eleito, repito, nos anos 80, caminhando para passar de 30 anos no comando. E com cada vez mais dinheiro público, que chega a ele via COB, comitê que não deixa de ter um papel de intermediário na distribuição de verba pública. E os atletas, ó…

  • rubens

    Creio que a questão foi muito bem demarcada, as federações e confederações tem total liberdade de organização interna conforme seu estatuto, porem, se houver interesse de receber recursos públicos, deve adequar seu estatuto visando a transparência e a democracia da gestão.

    • janca

      Acho que deveria ser mais ou menos por aí. Aliás não só recebendo dinheiro público, mas administrando um bem que pelo menos eu considero público, no caso da CBF, caso do futebol e da seleção brasileira.

      • Alexandre

        Janca, no caso da CBF acho que não tem como o governo interferir na administração, pois a FIFA proíbe.

        • janca

          Mas não falo em intervenção, falo numa rediscussão do papel da própria CBF. Uma discussão que envolva a sociedade civil, inclusive, claro.

          • alessandro

            ACHO QUE EXISTE UM MEIO SIM DE SE EXIGIR QUE A CBF SE ENQUADRE.EU IMAGINO QUE APESAR DE A CBF NAO RECEBER DINHEIRO PUBLICO PAGA MUITO POUCO IMPOSTO OU NENHUM.POIS BEM SE A CBF QUE SE COMPORTAR COMO UMA ENTIDADE PRIVADA,QUE SERIA O EQUIVALENTE A UMA EMPRESA QUE PAGUE OS MESMOS IMPOSTOS QUE QUALQUER EMPRESA.SE QUISER ISENÇAO OU BENEFICIOS QUE SE ENQUADRE NA ROTAÇAO DE PODER.

          • janca

            Em relação a impostos pagos ou não pagos pela CBF eu teria que verificar, confesso que não sei quais são, mas é outra discussão pertinente, Alessandro Abs. e bom domingo pra você

  • Corinthano da gávea

    Boa noite Janca.
    Falar é fácil, tomar atitude que é bom nada. A Dilma faz vistas grossas para o esporte brasileiro.
    Não me lembro de alguma declaração dela sobre mais um fiasco olímpico do Brasil.
    Se ela tiver vergonha na cara muda a lei e tira o Nuzman do poder, coloca gente séria para comandar o esporte brasileiro e implanta uma política esportiva decente nesse país.
    Ela já começou errado dando ministérios para gente corrupta e ajeitando a troca de favores.
    Acho que a Dilma conseguirá a proeza ter um governo mais corrupto que o do Lula. Incrível.

    • janca

      De fato no tocante ao esporte brasileiro, por mais que tenha escanteado Teixeira e agora esteja fazendo o mesmo com Marin, Dilma deixa a desejar. Anda tímida demais. E a questão nem é o que você chama de fiasco olímpico, mas toda a verba pública que o governo dá ao esporte sem o desejado retorno, a falta de uma política esportiva, as críticas apenas veladas de Aldo Rebelo, o Ministério do Esporte, que foi terceirizado para um partido político, enfim, apesar de ver avanços em relação ao Lula ou mudança de postura, é muito pouco. Muito pouco mesmo. Ainda dá tempo pra ela se mexer. E espero que faça algo logo. Mas sei não, sei não…

  • Corinthano da gávea

    Eu sei que a presidente irá ler isso aqui.
    Atenção Dilma… acorda presidente… faça algo pelo esporte brasileiro.
    A primeira coisa a fazer é tirar o Nuzman do poder. Chega de sustentar os dirigentes do Cob com dinheiro público… precisamos de medalhas nas olimpíadas, povo praticando esporte, educação ligada ao esporte, precisamos de centros esprotivos, quadras públicas.
    Que tal implantar uma política de tenis nesse país e fazer com que as cidades tenham quadras públicas? Já passou da hora do país ter um complexo de tenis para sediarmos quem sabe um Master 500 ou Masters 1000.
    Se liga Dilma!

    • Corinthano da gávea

      Atenção presidente Dilma, ajude os ciclistas.
      Tem que baixar os impostos para compra de bikes importadas. São muito caras e não tem similares nacionais.
      A bike faz bem para a saúde, não poluí, é alternativa para o caos do transporte brasileiro.
      Nós ciclistas agradecemos. Converse com a Renata Falzoni e gente conhecedora do esporte.

    • janca

      O COB não pode ter o monopólio sobre o destino das verbas do esporte olímpico brasileiro. E não temos quadras, não temos campos, não temos pistas de atletismo, não temos ginásios, nada. Não é por acaso que a molecada vive na rua metida com drogas.

      • Felipe Lima

        Quanto às quadras, tenho uma autocrítica a fazer:

        Aqui no Rio é comum quadras poliesportivas de praças serem depredadas pelo próprio pessoal que as frequenta. Tabelas e cestas para basquete, postes para rede de vôlei, até uma quadra de tênis pública teve a rede surrupiada. E, vou generalizar, quem faz isso são os “boleiros”, que se acham os donos das quadras. Como esporte aqui se resume a futebol, o povo acha que quadra poliesportiva só serve para futebol, futsal e futebol Society! Na boa, adoro jogar um fut. Mas também gosto de jogar vôlei, bater um basquete, correr… Não é porque o povo pratica um esporte que os outros não podem ser praticados.

        • janca

          Oi Felipe. É uma importante observação mesmo. O uso das quadras deveria ser discutido, bem como a manutenção e a segurança. Isso pra gente ver que a questão não é tão simples nem tão fácil de resolver. Mas no Rio, quando temos espaços disponíveis, vemos quadras ocupadas por horas e horas, o que é bom e saudável _ou pelo menos pode ser. Caso do Aterro do Flamengo, que recebe garçons pra praticar futebol muitas vezes de madrugada. E na praia também temos muita gente jogando futebol, vôlei, futevôlei… O problema é quando atrapalha os outros, mas pelo que sinto em geral isso não acontece nas praias do Rio. Pelo menos não sinto que aconteça na Zona Sul, embora possa estar enganado, claro.

          • Felipe Lima

            Na Zona Sul, mais pra orla mesmo, o comportamento tende a ser o que você falou, Janca. Eu falo mais pela parte da Zona Oeste (onde moro) e Zona Norte, locais que presenciei atos de vandalismo mesmo! Não quero generalizar, mas parece que por aqui existe apenas a monocultura da bola no pé. Isso é prejudicial até pras pessoas que gostariam de praticar um esporte diferente às vezes. Aí o interesse diminui.
            Quanto à segurança, durante à noite ela é falha em qualquer lugar, e não creio que colocar guardas municipais ajudaria (pode coibir, se bem que o efetivo noturno de qualquer coisa seja sempre menor), se bem que é válido a tentativa.

          • janca

            Entendo, Felipe, mas um cuidado que temos de ter é justamente com a segurança e a conservação destes espaços públicos. Uma coisa que sinto e presenciei em Nova York é que quando a comunidade abraça a causa, sente que a praça é dela, que ajuda a molecada, que traz um benefício, enfim, ela própria ajuda a cuidar do espaço. Tem de haver um envolvimento da comunidade, o que não exime de atuação a segurança pública, que é um dever do estado, claro. Outro dever aliás. Grande abraço e bom domingo pra você, Felipe, Janca

  • prphpc@gmail.com

    Concordo com isso, é justo no máximo 02 eleições por que fica o vicio e a malandragem

    • janca

      Um mandato de quatro anos com direito a no máximo uma reeleição é o ideal, a meu ver. Mais vira farra e continuísmo.

  • Claudio

    Ainda não tenho opinião formada sobre isso, mas acho complicado essa espécie de intervenção do governo em federações, ainda que elas seja na melhor das intenções. Penso que isso abriria uma brecha para outros tipos de intervenções de futuros políticos mal intencionados. Melhor seria se o governo cobrasse transparência, prestação de contas e resultados, bem como a contrapartida do dinheiro público investido.

    • janca

      Sou contra a intervenção, mas favorável a uma discussão sobre o sistema esportivo brasileiro e seu modo de funcionar. Como você disse uma contrapartida do dinheiro público investido tem de haver, assim como transparência das ações e pagamentos feitos com ele. Muitas vezes acaba nas mãos de burocratas e é usado para pagar altos salários. Será que esse é o melhor destino para o dinheiro que é nosso? Acho que não.

  • Otavio Furtado

    Sou COMPLETAMENTE a favor da alternância de poder… Mas, acho graça o PT estar propondo isso… Logo o partido que lança mão de qualquer coisa (bolsa família, mensalão, etc) para se perpetuar no poder

    • janca

      É, não deixa de ser uma ironia, mas que sou favorável à alternância, sou. E com situação e oposição fortes, ao contrário do que acontece no Brasil que praticamente não tem mais oposição. O PSDB é uma piada. Como oposição e como situação em São Paulo.

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