Abertura Rio-2016



Reproduzo aqui coluna que publiquei no diário LANCE!, na última terça, com ideias para a abertura dos Jogos de 2016:

“Nos últimos dias dei uma entrevista ao jornal “Tribuna de Minas” e conversei com jornalistas das redes BBC e CNN sobre a cerimônia de abertura dos Jogos de 2016. O que esperar dela? O tradicional carnaval brasileiro? Espero que não só, pois temos a chance de mostrar ao mundo que somos muito mais do que o país do samba e do futebol.

Temos muita gente criativa e uma história riquíssima para mostrar. Os símbolos da nossa cultura e folclore são variados, com influência europeia no Sul, a Corte portuguesa no Rio, a imigração italiana e japonesa em São Paulo, a forte presença africana na Bahia, os índios da região Norte, o Saci-Pererê e tantos outros mais. E todos podem ser contemplados na festa, da forma que for.

Na música, por exemplo, temos muito mais que samba. O funk, tão criticado por muitos, faz parte da realidade de um país que é marcante também na literatura, artes plásticas e cenografia. No campo musical quem não conhece a bossa nova, um Vinícius de Moraes, um João Gilberto ou um Tom Jobim? O filme “A Música Segundo Tom Jobim”, aliás, mostra o alcance mundial do trabalho do artista. E Heitor Villa-Lobos na música clássica? Como certa feita escreveu Fernando Sabino sobre o maestro, ele teve o feito de converter fugas, tocatas e árias de Johann Sebastian Bach em ponteios, modinhas e emboladas nas suas Bachianas Brasileiras, num trabalho de gênio.

E na literatura? O que falar de um Jorge Amado, que numa linguagem universal retratou como ninguém a realidade da Bahia? E a cultura nordestina, que poucos estrangeiros conhecem? Os personagens de um Monteiro Lobato, o trabalho de uma Ana Maria Machado, que ganhou o Hans Christian Andersen, o mais importante prêmio destinado à literatura infantil… Nas artes plásticas exemplos são abundantes também. Fico em Lasar Segall, lituano naturalizado brasileiro que em uma fase de sua carreira tão bem retratou o mangue e o povo carioca. Temos ainda a teledramaturgia, exportada para o mundo todo e sobre a qual tive oportunidade de conversar com soldados russos e moradores de uma cidade chechena tomada por Moscou em janeiro de 2000. Momentos de libertação em instantes tão áridos e complicados para os dois lados daquele conflito.

Mas acho mais. De um lado temos de mostrar a nova fase do país no cenário mundial, com um papel cada vez mais relevante, só que não considero bacana jogar as mazelas de nossa história embaixo do tapete, como fizeram os ingleses na abertura dos Jogos de Londres. A história dos britânicos, afinal, tem momentos incríveis, como o da própria Revolução Industrial, mas outros complicadíssimos, como o imperialismo e a colonização que arrasaram o continente africano. E a nossa história também é assim, marcada pela aniquilação da cultura indígena e pelo tráfico negreiro, patrocinado por portugueses e ingleses, uma dívida impagável e que tem de ser mostrada na cerimônia de abertura. Pois no Brasil, como no mundo, nem tudo são flores. E nunca foram.”



  • Andreia

    Suas idéias parecem boas porque o Brasil tem a chance de mostrar que é maior que os clichês e os rótulos que colocam sobre a gente. Os exemplos da música são muito bons, você poderia lembrar o frevo de Recife, a língua portuguesa é uma das mais bonitas e sonoras do mundo, a música do Brasil tem repercussão internacional, bem lembrado o filme do Tom, não podemos ficar só no samba, mulata e carnaval.

    • janca

      Só um adendo, Andreia. Clichês e rótulos que muitas vezes nós mesmos colocamos sobre a gente. Nem sempre são os outros.

  • Andreia

    Senti um pouco disso, termos ficado só no samba, mulata e carnaval, naqueles oito minutos que nos deram em Londres. Não gostei muito do que vi. Lembraram de Villa-Lobos, mas os clichês eram os mesmos. Não faltou futebol com a presença do Pelé. Acho que o Neymar não colocaram porque tínhamos perdido na véspera, se não até ele estaria na festa.

    • janca

      Eu já gostei daqueles oito minutos, sim. Lembrando que eram apenas oito minutos e que a abertura aqui, com bem mais tempo, pode ser bem diferente também. Nossos oito minutos serviram pra quebrar o ritmo da música britânica que estava começando a cansar e serviram pra dar um outro ritmo pra balada.

  • Luiz Marfetán

    Quando meu filho perguntou o que achava que os ingleses iam apresentar na abertura da olimpíada, disse a ele que o mais certo seria fazerem qualquer coisa menos mostrar a historia? desse pais. Não poderiam fazer nada parecido com a China, Grécia Japão, Mexico países que tem historia, cultura e riquezas próprias. O que os ingleses mostrariam? O saque as riquezas Africanas? Os achaques as riquezas de outros povos, os bucaneiros da rainha afanando tesouros, pertencentes por direito a outros donos e que foram parar nos cofres da rainha. O que eles mostrariam? a revolução industrial e deu! ou talvez o rei Artur e a távola redonda. A Inglaterra é um país sem historia, por que sé contar a historia, historia mesmo seria vergonhoso. Foi a abertura mais fraca e patética que assisti desde a 1º abertura de olimpíadas transmitidas direto pela televisão, acho que nos meus setenta anos foram todas.

    • janca

      Vou dar meu pitaco aqui, Luiz, acho que também não é assim. Concordo apenas em parte com você, na verdade mais discordo do que concordo, mas divergências de opinião, como costumo dizer, fazem parte da vida. O que seria de nós se todos pensássemos exatamente as mesmas coisas? Tendo as mesmas opiniões sobre tudo? A história inglesa tem um lado horripilante mesmo, mas há outros bonitos dos quais você se esqueceu. A participação na Segunda Guerra e luta contra o nazismo, por exemplo. O Japão também tem um lado obscuro em sua história, todos nós temos, a China, no caso do Japão, que o diga. E eu gostei da cerimônia de abertura, gostei de vários pontos, como a homenagem à Marina Silva, as músicas quando entravam as delegações, os artistas, a pira olímpica sendo acesa por promessas do esporte britânico e não por um único homenageado… Mas das que me lembro as que mais gostei foram Moscou-1980, quando ainda era criança, e Seul-1988. Não me lembro de Barcelona-92 nem de Atlanta-96, mas adorei Sydney-2000, estava no estádio olímpico e foi emocionante, Atenas-2004 também achei emocionante ver o Brasil entrando no desfile, Pequim-2008 inovou, vamos esperar agora Rio-2016. Temos tudo pra fazer bonito. Pelo menos na abertura, Luiz. Grande abraço, Janca

      • Tiago

        Não é do meu tempo mas a que todos falam até hoje é de Moscou, por causa do urso chorando. Podíamos pensar num símbolo assim.

    • Maurício Viegas

      Luiz, me desculpe, afinal, opinião cada um tem a sua. Mas eu desconfio que vc faltou, dormiu, ou conversou, em todas as aulas de história nos seus primeiro e segundo graus.
      Nem tanto nem tão pouco. Escrever que a Inglaterra não tem história, nos grandes fatos que transformaram o mundo (com erros e acertos como todos os países), como influenciadora da civilização ocidental (em cultura, artes, pensamento e tecnologia), sinceramente, não tenho nem palavras.
      Só lamento.

  • André de Salvador (BA)

    Leio sua coluna frequentemente às terças, mas nem sempre o Lance tem chegado em Salvador ou não tem chegado em quantidade suficiente porque muitas vezes não encontro em banca pra comprar. Nessa terça não encontrei. Se você conseguir ver o que está acontecendo seria bom, Janca, e parabéns por esta interação com seus leitores, via blog ou via e-mail. A reclamação sobre o Lance em Salvador tinha feito semana passada, obrigado por ter respondido. Entrando no assunto que você postou hoje acho que vamos fazer o de sempre e a Dilma, não sei se vocês repararam, mandou o recado. “É colocar uma escola de samba na abertura que superamos Londres”. Se não falou isso disse alguma coisa bem parecida. Vai ser samba, mulata, carnaval e futebol. Cerveja não sei porque não sei se vão deixar entrar no estádio (hehe).

    • janca

      Sobre sua reclamação já respondi via e-mail, colocando-o em contato com os responsáveis pela circulação/distribuição/assinaturas, espero que tenha sucesso, André. Sobre o recado de Dilma tinha visto, sim, foi algo neste sentido mesmo e não gostei. Porque somos mais do que escolas de samba, concordo com você, e podemos mostrar muitas outras coisas na abertura. Abs. e bom sábado, Janca

  • vaz

    Bom dia Janca!
    Uma das únicas coisas que não podemos fazer é escolher como responsável pela festa de abertura e encerramento das Olímpiadas, aquela turminha revolucionária, diretor de cinema ou teatro só para ficar no exemplo, com dor na conciência que quer mostrar ao mundo os erros na formação do país (todas as nações do mundo tem muita coisa para esconder como masacres, perseguições, guerras, tortura). Tem muito produtor cultural que acha que este é o momento para fazermos denuncias. Acreditem, ninguem no planeta está interessado.
    Todos querem ver o Brasil (Nossa fauna seria uma boa idéia) os povos que formaram nossa cultura e nossa arte mas por favor sem tratar o assunto pelo lado negativo, denuncista, teses sociais ou raciais. O evento não é lugar para isso. O evento não é lugar nem hora para discução de teses sociais e antropologia torta do tipo o português só fez bobagens e o resto foi vítima. Mostrar simplesmente sem querer fazer do evento um tribunal revisionista. Roupa suja se lava em casa e não para o resto do planeta assistir.
    Em nenhum evento deste tipo até hoje, assisti a alguma nação fazendo das suas paginas negras assunto em aberturas. Alemanha ignorou o nazismo, Africa do Sul na Copa passou praticamente sem qualquer menção ao aparteid, China não falou nada sobre a Revolução Cultural, URSS então parecia um paraíso e os ingleses optaram pela revolução industrial sem deixar de mostrar também seu lado negativo. Não seria correto abordar a colonização já que dezenas de nações ali presentes foram colônia inglesa. Imagine no que o evento poderia se transformar, abrindo feridas que mal estão cicatrizadas.
    Um abraço.

    • janca

      Eu concordo apenas em parte com o que você diz. Também espero que fiquemos longe de teses sociológicas na cerimônia de abertura _rs. Seria só o que faltava. Mas não é porque chineses e soviéticos, por exemplo, ignoraram muitas coisas, que temos de fazer o mesmo. Seul, com muita inteligência, mostrou a dualidade que é o ser humano, com os dois lados, o positivo e o negativo, digamos assim. Que fazem parte da vida. O tráfico negreiro devemos mostrar porque o negro tem um papel muito importante na nossa história, não dá pra esconder ou fantasiar que vieram da África em condições bacanas, porque seria risível. Tampouco acho que é o momento pra fazermos denúncias, não é esse o caso de uma cerimônia de abertura. Mas temos muito a mostrar. Muita coisa bacana. Sem, necessariamente, jogar o lixo embaixo do tapete. Ah! E a Alemanha, por exemplo, aproveitou a Copa de 2006 pra tentar fechar algumas das cicatrizes ainda abertas por conta do nazismo. Idem para os japoneses com a Copa de 2002, feita em conjunto com a Coreia. O esporte serve pra isso também. Abs.

      • Maurício Viegas

        Concordando com vc, faço apenas um pequeno adendo. A idéia central da Alemanha em 2006 foi: mostrar ao mundo de forma explícita, como o país resolveu de maneira eficiente e rápida a questão da reunificação com o lado oriental, trazendo os “orientais” para um nível bem próximo do próspero lado ocidental. Mostrando a capacidade empreendedora do povo alemão, e demais qualidades que todos reconhecemos. E, claro, de forma implícita, o recado era: Olhem para nós como um povo que se reinventou, que se livrou de estigmas de intolerância, beligerância etc. Por favor, nos vejam com outros olhos e esqueçam os tempos do Reich.
        Foram bem sucedidos. Abs

        • janca

          Ótimo adendo, aliás. Foi exatamente isso. E também acho que eles tiveram êxito e atingiram o objetivo. Resgataram o orgulho nacional, o envolvimento da população da Alemanha, tanto da antiga parte ocidental quanto da oriental, foi grande. Abs. e bom domingo, Janca

  • alessandro

    ACHO QUE ALEM DAS MANIFESTAÇOES CULTURAIS MAIS CONHECIDAS DO BRASIL,COMO O CARNAVAL,PARINTINS E OUTRAS FESTAS E EVENTOS BRASILEIROS TEMOS NOSSAS RIQUEZAS NATURAIS PARA EXIBIR,NOSSOS ARTISTAS QUE FORMAM UM RIQUISSIMA CULTURA,MAS ACIMA DE TUDO UMA CARACTERISTICA QUE PRATICAMENTE SO NOS NO BRASIL TEMOS:A MISCIGENAÇAO DE TANTAS CULTURAS VINDAS DE TODO MUNDO,QUE SALVO EM ALGUMAS EXCEÇOES,SE FUNDIRAM DE FORMA HARMONICA SEM CONFLITOS ETNICOS,O QUE SERIA UMA BOA MENSAGEM PARA UM MUNDO ATUAL EM QUE MUITOS POVOS SE MATAM EM NOME DE UM IDIOMA,DE UMA RELIGIAO OU ATE SEM MOTIVO ALGUM.ACHO QUE ESSA E A GRANDE MENSAGEM DO BRASIL E O GRANDE EXEMPLO QUE PODEMOS OFERECER AO MUNDO.

    • janca

      Também acho. A miscigenação e a convivência possível entre diferentes culturas e etnias. Grande abraço, Janca

  • Tiago

    Da corrupção será que eles vão falar? Da violência diária? Do descaso com a população? A festa é um conto de fadas, não representa nada. Na hora que começarem os Jogos e ninguém conseguir andar aqui no Rio que quero ver como vai ser.

    • joe LHP

      Essas coisas todo lugar tem , não é exclusivo do Brasil e que coisa a linda e rica Inglaterra que passou por um grande disturbio cilvil a pouco tempo com lojas saqueadas , muita violência e até pessoas mortas tenha cortado verba na educação e tenha gastado uma fortuna nessa olimpiada pra prover festa pra gringo ver, um verdadeiro paradoxo né.

    • janca

      Nem teria o menor sentido tratar destas três coisas que você citou numa cerimônia de abertura, Tiago, mas acho que a cerimônia representa muita coisa e pode tocar o imaginário das pessoas, ao contrário do que você diz. E imagino que as coisas vão funcionar direitinho no dia a dia do Rio, como funcionaram em Londres. Pelo menos espero que funcionem aqui também. Abs.

  • Só espero que, apesar dos Jogos serem no Rio, a abertura não fique presa somente à cultura carioca. Afinal o Brasil como um todo deve ser representado. Que tal mostrarmos um pouco da cultura mineira, Carlos Drumond de Andrade, as obras de Aleijadinho, a luta de Tiradentes…
    No documentário “A sede do peixe”, do Clube da Esquina o convidado Caetano Veloso disse que em uma conversa com a Fernanda Montenegro ela lhe falou que quando vai para Sul, muito lhe lembra a Europa, quando vai à Bahia, sente a presença da África, mas em Minas é onde ela mais reconhece o sentimento brasileiro, aqui ela sente que está no Brasil. Não me lembro muito bem das palavras usadas por ele, mas é algo bem assim. Bacana, não?! Aliás vale muito a pena assistir este documentário, é um verdadeiro show da nossa musicalidade.

    • janca

      Valeu pela dica, João Lúcio. Não conhecia o documentário que você citou, vou ver se consigo achá-lo para ver. E a cultura mineira é riquíssima, não só Tiradentes, Aleijadinho, as cidades históricas, os poetas, a turma do Fernando Sabino… Não acho que devamos ficar restritos à cultura carioca, não, e a diversidade cultural brasileira deve ser contemplada. Bem lembrado aí em seu comentário a cultura mineira, que é tão rica mesmo. Abs.

      • emiliano

        Olha esse cara querendo superestimar Minas….quer dizer q pra sentir o sentimento brasileiro precisamos ir a MG? Eu. sinceramente, já fui a MG e nao senti nada disso. Prefiro Rio, SP ou o proprio Sul, que apesar de mais europeu, eh um lugar culto e politizado onde qualquer pessoa de bem consegue se sentir a vontade.

  • Alex Gallis

    Pra mim ja comecou errado.
    Me lembro muito bem que ainda em Beijing, tanto Boris J, qto Lord Coe (prefeito de Londres e Presidente LOcog Londres 2012) qdo perguntados se seria possivel melhorar e fazer uma abertura melhor e mais impressionante do que a chinesa e a resposta foi:
    “Vamos focar no q Londres e a Gra-bretanha tem de melhor, nao estamos preocupados em fazer melhor que ninguem, queremos contar nossa historia e celebrar o orgulho se sermos Bretaos.”
    So o fato de ficar aqui criticando esse ou aquele pais ja mostra despreparo. Estao misturando politica com a festa de abertura, a maioria q nao gostou da festa Inglesa eh porque nao conhece muito de sua cultura ou historia, vai ser o mesmo com relacao ao RIO se mostrarmos o Rio por nos mesmos e pra nos mesmos….sem nos preocuparmos com o resto do mundo e seus problemas…….

    • janca

      Diria que concordo num ponto. Não precisamos nem devemos tentar fazer melhor, porque gosto é algo muito subjetivo. Certamente vamos contentar alguns com a festa, descontentar outros, haverá quem vai gostar, haverá aqueles que vão achar que não ficou conforme eles desejavam. Faz parte. Mas temos que tentar dar nosso melhor, fazer do nosso jeito, de acordo com nossas características, peculiaridades, qualidades e, por que não?, defeitos. Uma festa brasileira, enfim. Nem melhores, nem piores, apenas diferentes, Alex. Abs. e bom domingo, Janca

  • Marcelo

    Não sei se esta coluna já está fechada para novos comentários, mas eu gostaria de ver os cariocas não desperdiçando a oportunidade de mostrar a nossa História, desde o Descobrimento, até, pelo menos o fim da ditadura militar. Como alguém já disse, o Brazil não se resume à faixa do Leme ao Leblon.

    • janca

      Não está fechada, não, mas certamente não dará pra mostrar toda nossa história, por isso precisamos focar em alguns pontos marcantes, para o bem ou para o mal. O que não significa que ficaremos entre Leme e Leblon, porque o Rio e o Brasil são maiores do que a Zona Sul da capital fluminense, por mais que ela seja um tremendo cartão de visitas conhecido ao redor do mundo.

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