O racha olímpico



Não é que o resultado do Brasil em Londres deflagrou uma crise entre o Comitê Olímpico Brasileiro e o governo, decepcionado com a vigésima segunda colocação do país no quadro de medalhas?

Para o ministro Aldo Rebelo há uma relação entre investimento _que foi recorde por parte do governo_ e a colocação de um país no quadro de medalhas. Para Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, não. Afinal dinheiro, diz ele, não compra medalha.

Não compra medalha mas sustenta toda a burocracia, estrutura, executivos e funcionários do comitê. E talvez seja esse o problema. O COB funcionar como intermediário, vivendo de dinheiro público para repassá-lo para outros intermediários, as confederações, que são quem elegem o presidente do comitê. Os atletas não recebem praticamente nada porque, segundo avaliação de um membro do COB, iriam usar o dinheiro para comprar TV de plasma. E os executivos do COB, com todo respeito, usam a grana pra quê?

Conseguimos três ouros, mas três ouros já havíamos conseguido, salvo engano, em Atlanta-96. E em Atenas-2004 conseguimos cinco. Agora, com mais investimentos, caímos novamente pra três. O total de medalhas foi recorde, de 15 subimos para 17, um avanço pequeno, é verdade, mas em compensação caímos no número de finais, ao contrário das previsões do COB. De 41, em Pequim-2008, foram 35 em Londres, segundo leio hoje no “Estadão”.

Quando Nuzman diz que ficou satisfeito com o desempenho do Brasil usa o mesmo discurso de tantos políticos que vemos por aí. Um político que quer mais verbas, mais verbas, mais verbas e dá desculpas esfarrapadas como ao dizer que “se todo mundo que aumentasse investimentos subisse no quadro de medalhas não sobrava pra ninguém”.

Lembrando que ele, Nuzman, está no cargo há 17 anos. Dezessete anos e o esporte de alto rendimento continua muito mal administrado. Não seria hora de o governo escantear o COB e parar de investir no comitê, inclusive via loterias? Abaixo a Lei Piva, que é muito mal usada pelo comitê. E é o dinheiro dos contribuintes brasileiros que está em jogo. O meu, o seu, o nosso. Nuzman deve explicações, sim. Mas não as desculpas esfarrapadas que estamos ouvindo por aí. Repito: é nosso dinheiro que está em jogo. E o que acontece na condução do esporte olímpico brasileiro é muito grave. Os atletas, maiores prejudicados, que o digam.

PS. Tinha tido que só voltaria a postar amanhã, mas novamente não consegui ficar quieto… Mesmo em trânsito, não consegui, não.



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