Em defesa dos atletas



Posso estar equivocado, mas senti uma certa revolta ou irritação de parte do público brasileiro com a atuação de alguns atletas em Londres, especialmente em competições individuais.

Fabiana Murer foi criticada nas redes sociais por não ter tentado o último salto, dizendo-se prejudicada pelo vento. Rafaela Silva, desclassificada por um golpe ilegal no judô, trocou ofensas com internautas e depois se desculpou. Cesar Cielo mostrou-se irritado com os seguidos questionamentos sobre seu bronze e muitos não aceitaram sua justificativa de que estaria desgastado por ter tentado a sorte em outra prova antes, não focando na que é especialista. Ah! Só para não deixar de lado esportes coletivos, as meninas do handebol foram “acusadas” de descontrole emocional nas quartas de final, quando caíram diante da Noruega, depois da belíssima campanha na primeira fase.

Não acho que todo atleta seja “santo” ou não possa errar, vitórias e derrotas fazem parte da vida, o que acho é que o foco tem de ser outro. Deve estar na condução do esporte brasileiro. Em vez de criticar os atletas, por que não questionar os dirigentes? São eles que recebem e administram verba pública (meu, seu, nosso dinheiro) e devem responder pelos gastos e investimentos que fazem ou deveriam fazer.

Os atletas têm o direito de estar em um mau dia, caso da Fabiana Murer, ou de estar em um bom dia, caso do Arthur Zanetti, ouro nas argolas.

Acho que psicologia do esporte é uma ferramenta importantíssima e não sei se tem sido usada adequadamente. Estamos em um país em que não é raro ver atletas tirando dinheiro do próprio bolso (ou de pais, amigos e familiares) para custear seus treinamentos, ou seja, muitas vezes psicologia esportiva é um sonho de consumo. E um sonho distante…

Há muito a melhorar. Mas ainda assim acho que nossos atletas nos representaram bem em Londres. Os que venceram e os que saíram sem medalha, o que não quer dizer que tenham perdido. Muito pelo contrário.

Feio acho o que aconteceu nas quartas de basquete entre França e Espanha, jogo que terminou em briga na quadra, com os espanhóis acusados de terem deixado o Brasil vencer no encerramento da primeira fase, a fim de fugir do confronto contra os Estados Unidos antes da final. Mais feia ainda a declaração do ala-pivô Pau Gasol sugerindo que o Brasil, sim, teria feito corpo mole, poupando inclusive Nenê do jogo. Se fizemos pouco caso do jogo, o que não vi acontecer, por que vencemos?

Se faltou espírito olímpico _e faltou_ foi para a Espanha. Caímos diante da Argentina, mas saímos de cabeça erguida no basquete masculino e o trabalho tem de continuar.

Em diversas modalidades, porém, caso da natação e do atletismo, muito tem que mudar. Sem falar em esportes em que poderíamos ser fortes, como na luta olímpica, para ficar em apenas um exemplo, e nos quais quase nem figuramos.

Em vez de cobrar os atletas, cobremos quem está acima deles. São eles que devem explicações. E que adoram um holofote nas vitórias, mas na hora das derrotas muitas vezes deixam os atletas sós, dando a cara a bater.

Volto a postar na próxima terça, dia 14, mas até lá, dentro do possível, sigo respondendo os comentários de vocês. Bom final de Olimpíada a todos, João Carlos



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