Lições para Rio-2016



Reproduzo abaixo coluna que publiquei ontem no diário LANCE! sobre lições que a organização dos Jogos do Rio pode tirar da Olimpíada que está sendo realizada em Londres:

“Não acho que o Rio tenha de fazer Jogos melhores que os de Londres-2012 ou os de Pequim-2008. Sou daqueles que pensam que nem sempre a última Olimpíada é ou deveria ser a melhor. Temos que fazer os nossos Jogos, respeitando as características, peculiaridades, qualidades e defeitos que temos. Nem melhores nem piores, apenas diferentes. Isso não significa, porém, que muito do que está sendo realizado em Londres não possa ser adaptado para o Rio. Pode sim. Os bons exemplos estão aí para serem seguidos, enquanto o que não deu certo deve ser descartado ou reformulado para a próxima Olimpíada.

Um dos pontos positivos dos Jogos britânicos é o que eles chamam de “Live Sites”, locais onde os cidadãos que não conseguiram ingressos podem acompanhar as competições sem pagar entrada. São uma espécie de “Fan Fests” olímpicas, conceito utilizado com sucesso na Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, onde as pessoas se reuniam em locais com telões instalados para assistir aos jogos. E lá há de tudo. De barracas para vender lembrancinhas e souvenires a lanchonetes e estandes com joguinhos eletrônicos.

Em Londres o maior “Live Site” foi instalado no Hyde Park, o principal parque londrino, podendo receber mais de 50 mil pessoas por dia. Assim como na Copa de 2014 é uma ideia para ser levada adiante em 2016, não só no Rio, mas também em outras capitais brasileiras, integrando-as aos Jogos que não são só dos cariocas, são do Brasil.

Outra iniciativa que vi com bons olhos foi a utilização da chamada “estrutura flex”, o conceito de arenas desmontáveis que evita a criação de elefantes brancos. E o mais interessante é que elas podem ser usadas em outras competições e eventos, como no Rio em 2016. Por que não negociar com os britânicos o empréstimo destas estruturas, barateando os Jogos no Brasil?

E mesmo que não importemos as arenas inglesas podemos copiar o modelo criando ginásios desmontáveis também. Ginásios que possam ser removidos e usados para eventos futuros em São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Ceará, Amazonas e tantas outras regiões brasileiras.

Definir também o que se fará com cada estrutura depois é extremamente importante para não repetir os erros do Pan, em que alguns dos locais dos Jogos de 2007 não foram mantidos adequadamente, caso do próprio Engenhão, terceirizado para o Botafogo e que depois apresentou problemas estruturais, sem falar no gramado, que chegou a um estado lastimável, colocando em risco a integridade física dos próprios jogadores.

Já um dos erros dos britânicos que não podemos repetir é o espaço em branco em muitas arquibancadas, que em vários eventos receberam público menor que o esperado. Por que não reservar uma parte dos ingressos a escolas e universidades públicas e privadas, desenvolvendo um novo público para os Jogos? Parcerias com empresas, bairros e comunidades não devem ser descartadas. Pelo contrário. A ideia é incentivá-las, pois insisto que os Jogos são nossos, do povo e se bem planejados podem gerar bons momentos para o Brasil.”



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