Lições para Rio-2016



Reproduzo abaixo coluna que publiquei ontem no diário LANCE! sobre lições que a organização dos Jogos do Rio pode tirar da Olimpíada que está sendo realizada em Londres:

“Não acho que o Rio tenha de fazer Jogos melhores que os de Londres-2012 ou os de Pequim-2008. Sou daqueles que pensam que nem sempre a última Olimpíada é ou deveria ser a melhor. Temos que fazer os nossos Jogos, respeitando as características, peculiaridades, qualidades e defeitos que temos. Nem melhores nem piores, apenas diferentes. Isso não significa, porém, que muito do que está sendo realizado em Londres não possa ser adaptado para o Rio. Pode sim. Os bons exemplos estão aí para serem seguidos, enquanto o que não deu certo deve ser descartado ou reformulado para a próxima Olimpíada.

Um dos pontos positivos dos Jogos britânicos é o que eles chamam de “Live Sites”, locais onde os cidadãos que não conseguiram ingressos podem acompanhar as competições sem pagar entrada. São uma espécie de “Fan Fests” olímpicas, conceito utilizado com sucesso na Copa do Mundo da Alemanha, em 2006, onde as pessoas se reuniam em locais com telões instalados para assistir aos jogos. E lá há de tudo. De barracas para vender lembrancinhas e souvenires a lanchonetes e estandes com joguinhos eletrônicos.

Em Londres o maior “Live Site” foi instalado no Hyde Park, o principal parque londrino, podendo receber mais de 50 mil pessoas por dia. Assim como na Copa de 2014 é uma ideia para ser levada adiante em 2016, não só no Rio, mas também em outras capitais brasileiras, integrando-as aos Jogos que não são só dos cariocas, são do Brasil.

Outra iniciativa que vi com bons olhos foi a utilização da chamada “estrutura flex”, o conceito de arenas desmontáveis que evita a criação de elefantes brancos. E o mais interessante é que elas podem ser usadas em outras competições e eventos, como no Rio em 2016. Por que não negociar com os britânicos o empréstimo destas estruturas, barateando os Jogos no Brasil?

E mesmo que não importemos as arenas inglesas podemos copiar o modelo criando ginásios desmontáveis também. Ginásios que possam ser removidos e usados para eventos futuros em São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Bahia, Ceará, Amazonas e tantas outras regiões brasileiras.

Definir também o que se fará com cada estrutura depois é extremamente importante para não repetir os erros do Pan, em que alguns dos locais dos Jogos de 2007 não foram mantidos adequadamente, caso do próprio Engenhão, terceirizado para o Botafogo e que depois apresentou problemas estruturais, sem falar no gramado, que chegou a um estado lastimável, colocando em risco a integridade física dos próprios jogadores.

Já um dos erros dos britânicos que não podemos repetir é o espaço em branco em muitas arquibancadas, que em vários eventos receberam público menor que o esperado. Por que não reservar uma parte dos ingressos a escolas e universidades públicas e privadas, desenvolvendo um novo público para os Jogos? Parcerias com empresas, bairros e comunidades não devem ser descartadas. Pelo contrário. A ideia é incentivá-las, pois insisto que os Jogos são nossos, do povo e se bem planejados podem gerar bons momentos para o Brasil.”



  • André

    Maior lição que vejo é que o brasileiro tem que saber que não vamos repetir o que a China fez na China ou a Grã-Bretanha em Londres. Nosso desempenho vai ser bem pior. Melhoramos em algumas modalidades (exemplo boxe), pioramos em outras (exemplo natação). Em quatro anos não se faz milagre e podemos entrar pra história como o país-sede com pior desempenho no quadro de medalhas. Isso autoridades e jornalistas têm que passar pro povo, que não pode ser enganado.

    • janca

      Se não ficarmos entre os dez melhores no Rio-2016 não faz mal. Pelo menos a meu ver. O que acho é que o esporte brasileiro tem de passar por uma reforma estrutural, na base da pirâmide, trabalho mal desenvolvido pelo governo, e no topo, trabalho mal desenvolvido pelo COB. Em alguns esportes certamente podemos ir bem, como vôlei, futebol, basquete, handebol, que está evoluindo, iatismo, judô, mas o principal é, já que o trabalho foi mal feito nos últimos 20 anos, começarmos a plantar para o futuro. Em modalidades nas quais temos pouco sucesso, como luta olímpica, esgrima, saltos ornamentais, polo aquático, remo, ciclismo e tantas e tantas outras. E usar o esporte como ferramenta de inclusão social, tecla em que tenho batido insistentemente neste blog.

      • janca

        Aliás no atletismo o trabalho também tem sido muito mal feito. Só para ficar em um exemplo negativo.

      • Dennis V.

        Janca, concordo 100% na questão de investir na base e que isso é maior do que a quantidade de medalhas ou a nossa posição num ranking, que será esquecido pouco tempo depois… Os EUA são um exemplo de integração entre educação e esportes, muito difícil implementar algo parecido no Brasil, mas podemos pegar boas referências e adaptar ao nosso País.

        Se a preocupação é ter destaque em olimpíadas e ganhar mais medalhas, uma coisa interessante para estudar é a Grã Bretanha, que alguns anos atrás decidiu priorizar esportes individuais que resultam em mais medalhas. Eles vêm tendo muito sucesso em em 2016, vencendo um monte de medalhas nos esportes aquáticos (como remo, canoagem, etc) e ciclismo. Cuba antigamente fazia isso bem também. Os principais esportes no Brasil são todos de equipe, que é muito legal, mas que em termos olímpicos nunca renderá muitas medalhas.

        Um exemplo ruim é o da Australia, que criou um super programa de natação para brilhar nas Olimpíadas de Sidney. Depois de criar uma geração forte de nadadores que renderam bem em Sidney e nos jogos seguintes em Atenas e Beijing, hoje a nova geração está bem abaixo, indicando que no longo prazo o projeto não se manteve em alto nível.

        O Brasil tem tanto a favor para ter destaque nos esportes e os esportes podem contribuir muito à sociedade, não apenas aos jovens, mas a todos.

        • Ulisses

          Bem lambrado o caso da Australia estao passando vergonha pq
          nao trabalharam para o futuro e sim para os jogos caso diferente de londres
          agora mesmo antes do final dos jogos o q mais se fala aqui e do legado para o povo !!

          • janca

            Legado que o Pan de 2007 não deixou para o Rio e para o Brasil. Com o orçamento multiplicado por dez, no final, e o legado você conhece. Quase zero. Mas no caso da Austrália o programa para a natação, especificamente, segue bom, mesmo com resultados abaixo do esperado em Londres. Para os outros esportes não tanto. E mesmo em termos de legado muitas das estruturas feitas para 2000 foram abandonadas depois. Um alerta para o Rio e nós, brasileiros. Abs.

        • janca

          Eu concordo contigo, Dennis. Se a preocupação é com medalhas _mas não deve ser só com medalhas, a meu ver_ temos de focar em esportes individuais, caso de esgrima, ciclismo e das lutas livre e greco-romana. Mas ainda acho que para fazer isso e usar o esporte como ferramenta de inserção social _isso é muito mais importante que medalhas_ temos de ter praças, ginásios, locais para a prática de esportes. E isso passa pela integração com o sistema educacional, algo que não temos aqui e é o modelo norte-americano. Que também foi adotado, com sucesso, pela Coreia, como tratei no post de domingo. No caso da Austrália, apesar de não terem ido bem na natação nestes Jogos, não considero que o programa deles não tenha se mantido. É que às vezes os resultados não são os esperados, mas a natação segue fortíssima no país. Veja Espanha e Grécia, que abrigaram Olimpíadas recentemente _especialmente a Grécia. É um conjunto de fatores. O colapso da economia derrubou o esporte nos dois países, como tratei em posts e colunas semanas atrás. De qualquer jeito ainda bato na tecla de que o esporte, como a cultura, pode tirar muita criança da rua e das drogas e tem que ter uma política pública voltada para isso. Deveria ter, aliás. É uma necessidade premente. Que saibamos aproveitá-la com os Jogos de 2106 no Rio. Abração, Janca

      • Patricia Abreu

        Exatamente Janca! Precisamos cobrar e exigir do nosso governo essa mudanca estrutural que voce mencionou. Precisamos de um modelo novo que inclua todo um desenvolvimento desse talento desportivo que o Brasil tem com fartura, desde da base (nas escolas) ate o alto nivel. Precisamos mudar certas leis colocando limite de mandatos para os dirigentes e usar a nova lei de direito a informacao para solicitar informacoes sobre como esta sendo gasto o nosso dinheiro pelo COB, Confederacoes, Ministerio, e dai por diante. Uma CPI do desporto Olimpico seria benéfico para que o Senado e o governo possam conhecer os absurdos que acontecem dentro dessas entidades. O COB nao pode continuar sendo o responsavel pela divisao dos recursos da lei agnelo-piva, pois eles utilizam isso em beneficio proprio, chantagiando as confederacoes pequenas que dependem totalmente desta verba para sobreviver. Nao é a toa que apenas 6 confederacoes abocanham mais de 70% dos recursos disponiveis pelo governo. Vinte e tres confederacoes nao possuem recursos adequados para tocarem seus projetos e por isso mesmo nao conseguem se desenvolver. Mas é exatamente desta maneira que o COB quer que as entidades estejam, comendo na mao deles, totalmente dependente do COB, pois dessa maneira fica facil voce controlar a oposicao e o voto nas assembleias.

        • janca

          Tenho uma opinião muito parecida com a sua. Só não defendo uma CPI do Desporte Olímpico porque essas CPIs em Brasília… E com nossos políticos e a composição do Congresso fica tudo complicado. Mas temos que mudar desde a base até o alto nível, concordo plenamente. O COB como responsável pela divisão dos recursos da Lei Piva acaba defendendo os próprios interesses, pode usá-los e o faz em benefício próprio. As confederações comem nas mãos do COB mesmo, você está certa. E como dependem do comitê e votam para eleger o presidente acham que vão votar contra quem está no poder? É um sistema absurdo. Absurdo e absolutista que tem de ser mudado. Abs. Janca

    • Patricia Abreu

      Exatamente Janca! Precisamos cobrar e exigir do nosso governo essa mudanca estrutural que voce mencionou. Precisamos de um modelo novo que inclua todo um desenvolvimento desse talento desportivo que o Brasil tem, desde da base (nas escolas) ate o alto nivel. Precisamos mudar certas leis colocando limite de mandatos para dirigentes e usar a nova lei de direito a informacao para solicitar informacoes sobre como esta sendo gasto o nosso dinheiro pelo COB, Confederacoes, Ministerio, e dai por diante. Uma CPI do desporto Olimpico seria benéfico para que o Senado e o governo possam conhecer os absurdos que acontecem dentro dessas entidades. O COB nao pode continuar sendo o responsavel pela divisao dos recursos da lei agnelo-piva, pois eles utilizam isso em beneficio proprio, chantagiando as confederacoes pequenas que dependem totalmente desta verba para sobreviver. Nao é a toa que apenas 6 confederacoes abocanham mais de 70% dos recursos disponiveis pelo governo. Vinte e tres confederacoes nao possuem recursos adequados para tocarem seus projetos e por isso mesmo nao conseguem se desenvolver. Mas é exatamente desta maneira que o COB quer que as entidades estejam, comendo na mao deles, totalmente dependentes, pois dessa maneira fica facil voce controlar a oposicao e o voto nas assembleias.

      • janca

        Já respondi pra você no outro comentário. Que na verdade é o mesmo _rs. Veio “duplicado”. E temos um pensamento, como você pode ver, bem parecido sobre necessidade de mudanças no esporte olímpico brasileiro. E rotatividade de poder, isso é fundamental. Não podemos ter presidentes vitalícios, como acontece na Conmebol, por exemplo. Nem no COB, nem na CBF, nem nas confederações.

  • Furquim

    Informação q. talvez vc. não tenha. COi autoriza Live Sites fora do país-sede. Na Quinta da Boa Vista prometeram um Live Site pra gente, com telão e estrutura toda e nada fizeram. Sabe quem foi o responsável pela confusão e pela promessa q. não cumpriram? Comitê Organizador do Rio-2016. Sabe explicação q. deram? Não conseguiram atender no prazo cronograma exigido pelo COI. Não acha estranho? Pra ver como as coisas funcionam no Brasil.

    • janca

      Ou, no caso, como não funcionam _risos. Rir, aliás, para não chorar. Mas confesso que desconhecia o caso que você cita. Não tenho informações a respeito, obrigado por compartilhar a informação conosco.

  • Furquim

    Mais um detalha. Sabe quem preside Comitê Organizador Rio-2016? Sr. Carlos Arthur Nuzman. O q. se acha dono do esporte olímpico brasileiro. Por isso a estagnação do esporte olímpico brasileiro de 1996 pra cá. Potência olímpica? Esquece, doutor.

    • janca

      Não acho que houve uma estagnação de 1996 para cá. Avanços em alguns casos, retrocessos, em outros. Mas tudo muito pontual. Um ponto importante é termos os Jogos de 2016, isso pode ser o ponto da mudança. Espero que seja. Não desperdicemos a oportunidade. Abs.

      • janca

        E sim, o Nuzman preside o COB e o comitê organizador, algo que não acontece em outros Jogos, caso de Londres. Concentração de poder. E sou contra isso, claro.

  • Fernando

    Estive em Londres no final de semana, Live Site é boa idéia, Janca. No atletismo muitos paravam pra ver, passavam a tarde nos parques, acompanhando, porque não conseguiram ingresso, estádio olímpico é pra 80 mil pessoas, mais de 2 milhões tentaram ingresso e não conseguiram. Uma idéia boa que você apontou é ter Live Sites fora do Rio, integrando o Brasil todo às Olimpíadas. Só não pode acontecer o que amigo acima apontou sobre o Live Site na Quinta da Boa Vista que não aconteceu. Ficar na promessa não, né?

    • Fernando

      Em Londres, pelo que li num jornal de lá, na primeira semana média era de 300 mil pessoas por dia em Live Sites. Menos que na Copa, não? Mas um número significativo.

      • janca

        Menos que na Copa, sim. Menos do que na Copa da Alemanha certamente. Mas isso não inviabiliza a ideia pra 2016. E também 2014, como coloquei no texto. Abs.

  • sandrofla

    Desculpe fugir um pouco do tema, Janca, mas você viu aentrevista de Popov publicada pelo Lance?
    Acho que dessa vez ele foi mais claro emm suas convicções sobre Cielo.

    abraço!

    • janca

      Nenhum problema, Sandro. Confesso que não li a entrevista do Popov. O que ele disse sobre o Cielo? Não ficou só em insinuações? Foi isso? Se você puder resumir, seria valiosa contribuição ao blog, já que tratei do assunto na semana passada antes de o Cielo disputar a prova em que ficou com o bronze. Abs. Janca

  • Dá-lhe Fogo

    Como você coloca muita coisa em pauta pra discussão, não acho que o papel da imprensa deve ser repensado? Ela presta um desserviço ao esporte. Não sempre, geralmente presta. A Record e a Sportv estão fazendo transmissão chapa-branca, dizem que são pé-quente quando ganhamos medalhas, escondem os fracassos, exultam as vitórias, não fazem reflexão. Vi uma entrevista do Nuzman na Sportv de dar vergonha. Era levantar a bola pra ele cortar. Um desserviço. Globo esconde as conquistas com desculpa de que não pode mostrar imagens até três horas depois do evento. Conversa pra boi dormir. Podia fazer reportagens sobre os atletas vencedores, entrevistar parentes, mostrar as condições de treino. Como não tem direito dos Jogos esconde tudo como se não houvessem Olimpíadas.

    • Dá-lhe Fogo

      Antes que me esqueça, o Lance onde você trabalha também faz isso. Segue a linha da Record e da Sportv, a linha do ufanismo.

      • janca

        Acho que a imprensa tem que refletir sobre seu papel, sim. Sempre. Como tenho dito jornalismo não deixa de ser um grande negócio e as emissoras tendem a ter mais audiência e publicidade com triunfos brasileiros, pelo menos as que têm direito aos Jogos, embora a ESPN adote, a meu ver, uma postura menos ufanista e mais crítica, digamos assim. O que acho bom e legítimo. É importante termos outras correntes de pensamento. Já a Globo poderia sim dar mais ênfase aos Jogos, mesmo sem os direitos de transmissão, mas talvez o pensamento que predomine seja o de que estaria levantando a bola da concorrente. No caso do LANCE!, as chamadas de capa priorizam mesmo as conquistas brasileiras, mas no meu blog tento levantar outros temas para discussão, assim como nas minhas colunas. Blog que está no LANCENET, assim como a coluna está no diário, saindo todas as terças. Já sobre a entrevista do Nuzman no Sportv não vi, não posso opinar. Abs.

  • Dá-lhe Fogo

    Sei que fugi do tema, mas suas idéias sobre Live Sites no Brasil são boas. O esporte pode agregar as pessoas nestes lugares. Vejo muita gente vendo os jogos pela Record em padarias, botecos e botequins da vida.

    • janca

      Eu também. E como você acho que o esporte pode ser fator não só de integração _nos momentos dos Jogos_ mas também de inserção social.

  • Rafael

    Reproduzo aqui o comentario do valdivia respondendo ao blog do ex-jogador Neto no uol!

    Cansei das injúrias de blogueiros, falando como se conhecessem cada uma das coisas que eu faço. Estou cansado de ser questionado das minhas contusões como se eu fosse o primeiro e último a se machucar. Cansei de não ser reconhecido mesmo quando eu não podia jogar e dei o sinal de positivo para o treinador.

    Estou cansado que os blogueiros passem para o torcedor que eu não me importo com o clube. Já dei mostras de que sou muito grato ao clube. Mercenário eu não sou, porque já estou cansado de falar que deixei de ganhar dinheiro para vir e ficar aqui, mesmo com o problema sofrido e longe da minha família.

    Tenho me dedicado em todos os jogos que fiz. Se joguei ou não o que o torcedor espera de mim é outra história, mas sempre me dedico, seja dentro ou fora de campo. Quando estou no departamento médico, cumpro minhas obrigações de funcionário de clube e ressalto que não faço mais nada do que o meu dever.

    O apresentador e senhor Neto mente em cada uma das suas palavras. Ele coloca em dúvida o trabalho sério do nosso departamento médico ao se referir a minha lesão como se fosse estranha. Se ele quer falar da minha lesão, faça questão de entrar em contato com o nosso médico e perguntar da dimensão da minha lesão. Ele também coloca em dúvida o trabalho da pessoa que faz o ultrassom e vê por uma imagem que a lesão existe.

    Senhor Neto, jogador não acorda pensando em se machucar e em fingir lesão.

    Ele faz questão de falar que pela minha falta dentro de campo, o Palmeiras passa pelo momento que eu vivo.

    Senhor Neto, você não pode esquecer que tanto eu como outros jogadores estamos no departamento médico. Aos poucos, esses jogadores estão voltando, porém tem desfalcado nosso time. Além disso, pela grandeza do Palmeiras, o time não pode depender de um só jogador. E isso ficou demonstrado no primeiro jogo da Copa Sul-Americana, quando conseguimos uma maravilhosa vitória.

    Outra grande mentira é onde ele diz que o treinador Felipão perdeu a paciência comigo. O fato não bate com todas as conversas que eu tive tanto com o Felipão quanto com o Sampaio. Eles sempre manifestaram que eu sou um jogador fundamental dentro do elenco, que sou de total confiança do Felipão. O próprio fala publicamente das minhas qualidades. Em momento nenhum ele pediu a minha venda com urgência para a diretoria.

    Outra mentira do senhor Neto: segundo ele, eu seria um jogador que contamina o clube. É brincadeira do Neto. Logo do Clube, senhor Neto, que eu me dou super bem com todos funcionários. Nunca tive um problema sequer.

    Se eu sou tudo isso o que ele diz, o nosso capitão Marcos Assunção não teria feito a dedicatória da vitória em cima do Grêmio. Se eu fosse mau caráter, falso, eu não teria feito a dedicatória para o meu amigo Hernán Barcos, que sofria tanto com a gente por não jogar a primeira final.

    Isso que você faz comigo, Neto, já fez com outros jogadores. Não vou deixar você e ninguém fazer isso de novo. Até porque temos diferentes tipos de caráter. Se você disse ter certeza daquilo que você escreve, seja homem e fala quem é que te disse.

    Se você, quando era jogador, bebia cerveja com seus amigos ou família, deixe me dizer que não é o primeiro nem o último jogador a fazer isso. Deixe me dizer que, assim como você, eu nunca faltei a um treino. Chegar atrasado faz parte da história do futebol e tem muitos exemplos. Um deles, aliás, é um grande jogador que eu admiro muito e que eu até já joguei junto. Ah, ele defende o time do Corinthians. Esse grande jogador é o Sheik e se cito ele neste escrito é porque achei engraçado, tanto eu como você e a maioria dos torcedores, que ele chegasse de helicóptero.

    Senhor Neto, eu também nunca perdi a vontade e o tesão de jogar futebol, mesmo sendo vítima de um sequestro-relâmpago, quando vi a vida ir embora por um fio.

    Mesmo assim, segurei a onda e fiquei no Palmeiras. Deus me deu um grande prêmio que foi ter feito o gol na semifinal da Copa do Brasil contra o Grêmio, jogando em Barueri. Ainda continuo com o reconhecimento da maioria dos torcedores. O que eu quero da minha vida não é da sua conta, senhor Neto. Primeiro porque você não é meu amigo e nem quero ter sua amizade.

    Eu fui criado por meu pai e mãe, com muito esforço, muito sacrifício. E uma das grandes lições que eu tive foi que não devo ser falso diante das pessoas. Fato que passa bem longe de você, falando mal demais dos jogadores, da vida privada, como se você fosse exemplo. Quando eles estão sentados na sua frente, no banco do seu programa, você prefere encher a bola deles.

    Ah, tem uma coisa certa que você escreveu. Você não é ninguém para falar de mim.

    Você tem o poder de destruir qualquer jogador pelo fato de ter espaço na TV, mas cansei de ser julgado por você, sendo que você nem me conhece. Você foi um grande jogador, mas, pode ter certeza de que grande pessoa você não é.

    —————————————————

    Parabéns Valdivia! tem que falar que o Neto é a vergonha do futebol!

    • janca

      Pô, fugiu do assunto olímpico, Rafael. Mas aí está o texto. Já tratei do Valdívia em outra ocasião, a mim não interessa o que o jogador faz em sua vida particular e não estava acompanhando a polêmica entre o jogador e o Neto. Confesso que estou mais empenhado, nos últimos dias, em discutir com alguns especialistas, advogados, economistas e professores a questão de políticas públicas para o esporte no país (ou a falta delas). Até para propor, num curto prazo, uma nova agenda, por que não?, para nossos dirigentes. Por mais utópico que isso possa parecer. Pois sonhar é preciso, Rafael. Grande abraço, Janca

      • Rafael

        Sim, Janca!

        Realmente Fugi do assunto e peço perdão!
        Porém postei esse artigo em todos os blogs do site.
        fiquei realmente indignado com os comentários do neto.

        • janca

          Não tem problema nenhum, Rafael. Está aí seu desabafo, que é legítimo. E o espaço não é meu. O que seria do blog se não fossem os leitores? E os que interagem e fazem comentários pertinentes e propõem boas discussões, como é o seu caso? Esse embate Neto-Valdívia é importante até para discutir o papel da imprensa, a relação com os jogadores, invasão de privacidade, assunto não falta. E aqui mesmo temos tratado disso. Do papel da imprensa que a sociedade tem todo o direito de questionar. Abs. Janca

        • janca

          E semana que vem prometo que voltamos a tratar mais do futebol nacional, terminados os Jogos Olímpicos voltamos os olhos para cá, embora eu esteja tentando fazer isso e acho que estou fazendo, tendo como pano de fundo a Olimpíada de Londres, que está na reta final.

  • TOLI MA CACA

    SE O BRASIL TROUXER O OURO OLIMPICO NESTA EDIÇÃO JA APAGA UM MONTE DE DECEPÇÃO, POIS SERIA INEDITO PARA UM PAIS QUE REVELOU TANTOS CRAQUES E ESTES NAO CONSEGUIRAM TRAZER ESSE OURO.
    MAS, SE NEYMAR ESTIVER ESPIRADO COMO VEM ACONTENCENDO NESTES ULTIMOS JOGOS AJUDANDO A MANTER 3 GOLS POR PARTIDA E A DEFESA NAO TOMAR MAIS DO QUE DOIS, SERA UM GRANDE PREMIO.
    E OLHE QUE TEM MUITOS GAMBAS TORCENDO CONTRA O BRASIL PARA QUE NEYMAR NAO ALCANCE SEU 7º TITULO EM 3 ANOS DE PROFSSIONAL E 20 ANOS DE IDADE. DOIS RECORDS NA SUA CURTA CARREIRA, O OURO E RECORD DE TITULOS EM SUA POUCA IDADE, COISA QUE NENHUM EX CRAQUE BRASILEIRO CONSEGUIU.

    • janca

      Apaga muita decepção recente mesmo. Espero que consigamos este título, sim. E Neymar ontem estava mais apagado, o que faz parte do jogo, mas contra Honduras, como cheguei a comentar, jogou muito e foi decisivo, junto de Leandro Damião, para os 3 a 2 que nos levaram às semifinais.

  • Maurício Viegas

    Janca, comentando o seu post, faço algumas considerações;

    – Realmente, a preocupação maior é e deve ser (principalmente em razão das características de nossa população), o de utilizar o esporte mais como ferramenta de inserção social e promoção de saúde. Entretanto, essa deve ser uma preocupação do Estado através de políticas públicas e definição de um modelo esportivo para o país. Ao COB, compete o alto rendimento (sua razão de existir é o olimpismo, e a participação brasileira nos Jogos Olímpicos). Lembro isso, porque muita gente boa por aí cobra indevidamente do COB a implantação das tais “políticas públicas”, o que é um erro (e isso não é uma defesa da qualidade do trabalho do COB, por favor, mas apenas uma questão de competencia organizacional).

    – As “Fun Fests” são uma realidade e certamente serão implementadas país afora, tanto na Copa como nas Olimpíadas.

    – Concordo tb que devemos fazer os nossos Jogos, com a nossa cara, com os nossos diferenciais, sem nenhuma preocupação comparativa com nenhuma outra. E que de preferencia ressalte mais a emoção do que tecnologia e “hightequismos”. Se conseguirmos emocionar a todos que virem os Jogos, aqui e no resto do planeta, e se nossa Olimpíada, além disso, for lembrada décadas à frente, tanto melhor.

    – As estruturas flex tb já são uma realidade (não existia tecnologia disponível para isso em 2003, por exemplo, quando os projetos dos equipamentos do Pan se iniciaram). Entretanto, desmontar, transportar, montar no Brasil, tornar a desmontar, e transportar de volta à Inglaterra, é inviável economicamente. A solução será a construção das “nossas” estruturas flex (construídas aqui), e posteriormente reinstaladas onde a empresa que cuidará do legado determinar.

    – Não concordo com vc na citação do gramado do estádio olímpico como exemplo de “má manutenção”. O que existe é uma super utilização decorrente do fechamento momentâneo do Maracanã. O gramado do estádio, até onde sei, e o visito com frequência, pelo contrário, possui uma manutenção exemplar. Ano passado, recebeu 103 jogos, e esse ano, já recebeu 57 !!! É impossível imaginar um “tapete” com essa quantidade de jogos.

    – Com relação ao que deveríamos evitar, a questão do “preenchimento” dos vazios é relevante, mas lembro que a comercialização e a adequação do interesse do público versus capacidades das arenas é o calcanhar de aquiles de todos os megaeventos. Teremos problemas aqui, como todos tiveram e todos terão. Só temo, que se fizermos o que vc sugere (preenchimento com crianças etc), aliás uma boa sugestão, certamente haverá uma parte da mídia que resmungará: que fracasso !!! Estão enchendo com crianças, estudantes etc, para “esconder o fracasso olímpico”. Ora, existem os esportes mais demandados e outros menos. É natural. Portanto, é preciso identificar se ficou vazio porque o ingresso era caro, se houve dificuldade de distribuição e aquisição dos mesmos, ou se simplesmente é um esporte que desperta pouco interesse no publico.

    – Finalmente, outro fator a evitar é a instauração de uma segurança ostensiva quase “de guerra” e flagrantemente exagerada. Nada que possa justificar o gasto de 1 bilhão de libras com isso. Segurança boa é aquela que vc nem percebe e não com a implantação de um aparato opressivo e intimidador (com base de mísseis sobre a cabeça de milhares de londrinos). Abs

    • janca

      Sobre o COB concordo. O problema é que administra e muito mal o esporte de alto rendimento e vive de dinheiro público, mas funciona como se fosse uma empresa privada, quando não é. Sobre as “estruturas flex” concordo também, podemos fazer as nossas, mas não sei se interessa às autoridades porque obras dão muito dinheiro a muita gente, especialmente a construtoras, então a história já conhecemos… Sobre o gramado do Engenhão acho a manutenção ruim porque se o gramado não tem condições de abrigar 57 anos neste ano _e não tem, o que é mais do que lógico_, quem administra o estádio deveria ter gritado antes. O Marcelo Cordeiro, no intervalo de Flamengo e Portuguesa, já alertava que o estado do gramado estava tão ruim que havia sério risco de contusão. E goteiras no estádio apareceram mais de uma vez, até houve discussão em dado período sobre quem deveria arcar com a conta, a Prefeitura ou o Botafogo. Em relação à questão de possíveis vazios nos ginásios durante a Olimpíada, diga o que quiser a imprensa, seria legal tentar preenchê-los ao máximo. Acho que interessa a todo mundo. E em relação à segurança acho que o Brasil vai pelo mesmo caminho do adotado por Londres. Em megaeventos é o que costumam fazer por aqui. Mas no dia a dia… Sabemos como são as coisas por aqui. Abs.

  • Felipe Lima

    Janca

    Se não me engano essa iniciativa de estruturas intercambiáveis (Arena Lego, como eu falei uma vez) deve ser implementada no local onde é o autódromo Nelson Piquet, em Jacarepaguá. As instalações esportivas, em princípio seriam removidas após os jogos para a construção de condomínios de luxo no terreno (por isso existe uma sanha grande para desativar de vez o autódromo e uma sanha grande tentando embarreirar).

    • janca

      Pode ser. E remover determinadas estruturas é uma saída para evitarmos elefantes brancos, Felipe. Abs.

  • LIma

    Janca, adorei seu texto e concordo totalmente.Achei essas idéias ótimas e totalmente viáveis.

    Seria legal serem discutidas e levadas ao comitê olímpico brasileiro!! Abraços

    • janca

      Valeu, Lima, muito obrigado pelas simpáticas palavras. Grande abraço, Janca

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