O exemplo da Coreia



A Coreia do Sul é uma das gratas presenças _não surpresas_ desta Olimpíada. Disputa com França e Alemanha o quarto lugar no quadro de medalhas.

Isso mostra o quê? Que o país aproveitou a oportunidade de ter abrigado uma Olimpíada, a de 1988, e uma Copa do Mundo, a de 2002, para investir no esporte. Via parceria com o campo escolar, já que promoveu uma verdadeira revolução estudantil e massificou a prática esportiva, integrando-a com a cultural, campo que também passou por enorme transformação nos últimos 25 anos e no período em que o país ficou conhecido como um dos tigres asiáticos.

Quando vemos a China disputando a liderança com os Estados Unidos, depois de ter vencido os Jogos de Pequim-2008, ou a Grã-Bretanha firme na terceira colocação, pensamos o que será do Brasil daqui a quatro anos, quando receberá os Jogos de 2016.

Confesso que não me importa ficar fora das dez primeiras colocações, isso não me preocupa. Nem a escassez de medalhas, apesar das falsas promessas do COB de nos transformar em potência olímpica. Isso não se faz em quatro anos, caiamos na real.

O que me preocupa e incomoda um bocado é que estes dirigentes estão aí, dominando o COB e conseguindo cada vez mais dinheiro do governo há quase duas décadas. E os resultados esportivos são pífios quando chegamos ao topo da pirâmide. Não só porque falta a base, como já coloquei num dos textos sobre os Jogos e o Brasil, mas porque o dinheiro não é bem investido.

Perde-se muito na burocracia, na estrutura e com os executivos do próprio COB. E o COB sabe disso, mas parece preferir a política do “me engana que eu gosto”. Vende um peixe que… Sem comentários. E vai continuar vendendo-o com a desculpa de que os próximos Jogos serão no Rio e precisamos ficar entre os dez primeiros. quando não precisamos. Além de estar em cima da hora.

O trabalho deveria ter começado lá atrás, como aconteceu com coreanos, chineses e britânicos. Isso não foi feito e o foco agora tem que ser outro. Começar a desenvolver o esporte no país, como política pública e de inserção social, o que é um papel do governo. O que não é papel do governo é ficar enchendo os cofres do COB com verba pública (nosso dinheiro) para o comitê fazer o que bem entender com ele. Dinheiro que entra via Ministério do Esporte, Lei Piva, estatais e incentivos fiscais. Dinheiro que entra, mas resultados… Os Jogos de Londres estão aí para mostrar.

A revolução tem que ser outra. Via parceria com o campo escolar/estudantil, insisto. Não via COB, que deveria se virar para se manter recorrendo à iniciativa privada, usando criatividade, adotando ações de marketing para trabalhar o alto rendimento e parando de viver com o meu, o seu, o nosso dinheiro.

E antes que digam que o caminho é ser como a CBF, que não depende do governo, lembro que a CBF administra um dos principais produtos nacionais, que é a seleção brasileira. E age como se a seleção fosse dela, quando também não é. Deveria ser nossa e não propriedade privada de um Ricardo Teixeira, um José Maria Marin ou um Marco Polo Del Nero. E força aos nossos atletas, pois não são eles o problema. O problema talvez esteja em quem os comanda e comanda o esporte brasileiro.



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