A base da pirâmide



Aproveito o espaço para reproduzir coluna que publiquei ontem no diário LANCE! sobre o que pensa do esporte olímpico no Brasil, os desafios pela frente e o papel do COB e do governo federal:

“Muito debate gerou a projeção do COB de que o Brasil receberia 15 medalhas em Londres, mesmo número obtido há quatro anos nos Jogos de Pequim. O motivo para as reclamações é que nunca se gastou tanto dinheiro (e dinheiro público, dinheiro do contribuinte, portanto) como no atual ciclo olímpico.

Seja via Ministério do Esporte, alvo de uma série de denúncias de corrupção, Lei Piva, que destina verbas das loterias federais ao esporte olímpico, empresas estatais ou pelo mecanismo de renúncia fiscal, mais de 2 bilhões de reais teriam sido injetados para preparar os brasileiros para Londres.

Por determinação do próprio presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, a entidade evitava fazer previsões. A mudança de política, no entanto, teve, a meu ver, dois objetivos. Se os resultados não forem melhores do que Pequim, o próprio COB pode dizer que já esperava por isso. E se forem melhores, vai soltar rojões e tentar capitalizar em torno dos feitos dos atletas.

Há muito tempo venho insistindo que o comitê não pode ficar vivendo do dinheiro do Estado como faz até aqui. Deveria procurar novas alternativas, outras fontes de recursos, principalmente da iniciativa privada. E a hora é agora, já que os próximos Jogos serão no Rio, o que tende a agitar o mercado e oferecer múltiplas possibilidades. Sei que é mais confortável viver das tetas do governo, mas é chegado o momento de sair da zona de conforto.

Não vou discutir aqui se Nuzman, no comando do COB há 17 anos, conseguiu ou não transformar o Brasil em uma potência olímpica, até porque não acho que isso dependa só dele. Se com muito mais recursos do governo de 2008 para 2012 a projeção de medalhas foi a mesma do ciclo anterior não acho que isso, por si só, seja sinal de fracasso. Ou, se conseguirmos mais medalhas, sinal de sucesso. O número de medalhas é o que menos interessa aqui, embora a projeção possa sinalizar que algo não está indo tão bem como poderia. O que falta, então?

Falta, e isso é mais do que evidente, a base da pirâmide ou gente que pense nela. O que não é papel do COB, embora o comitê devesse ajudar no processo. Para conseguirmos um bom desempenho o esporte teria de passar por um processo de massificação no Brasil. E isso só é feito com política pública, que o use como instrumento de inserção social, algo que não vemos acontecendo, salvo um caso ou outro, uma iniciativa ou outra, muitas vezes sem ligação com o governo, muito menos com o COB.

Sem um trabalho conjunto com escolas e universidades, públicas e particulares, um modelo que deu certo nos Estados Unidos, o esporte olímpico seguirá dependendo de feitos pessoais. Não há quadras de tênis, pistas de atletismo, piscinas, nada do gênero, enfim, para a população praticar. E isso poderia ser conseguido com parcerias com o sistema escolar/estudantil, o que não é feito no Brasil e nem sei se será.”



  • Rodrigo

    Parabéns por suas colocações. Elas refletem aquilo que pensa sobre o esporte olímpico, uma análise clara, límpida e oportuna. Continue com sua luta, sua voz é necessária neste momento em que teremos os próximos Jogos Olímpicos em casa. Abraço

    • janca

      Obrigado, Rodrigo. Abs.

  • Rodrigo

    Políticas públicas são necessárias, mas no Brasil não podemos contar só com o governo, muitas e muitas vezes não podemos contar com O governo. A iniciativa privada tem de entrar no jogo e COB, confederações, federações e outras entidades esportivas têm a obrigação e o dever de se aproximar dela. Menos “governodependência” neste país em que esporte é considerado utensílio de luxo.

    • janca

      Também acho, Rodrigo, há tempos que venho dizendo que o COB e as confederações têm de procurar recursos também na iniciativa privada e para isso precisam de esforço e bons profissionais do mercado. Ficar só dependendo do governo não dá.

      • Alexandre

        Perfeito. Concordo totalmente com vocês.

  • Dani

    Oi João. Bom dia. Faz tempo que não escrevo por aqui, li sua coluna ontem, enviei um e-mail parabenizando, sua análise pe muito interessante. Com os Jogos de 2016 se aproximando e o governo tendo outras prioridades como transporte, saúde e educação, o COB poderia partir para a iniciativa privada que certamente vai se interessar e já está se interessando pelo evento para conseguir novos recursos e diminuir a dependência do governo, como escreveu o Rodrigo. Como você acho que a hora chegou e o salto deve ser dado. Parabéns pelo texto, Dani

    • janca

      Penso assim também. Como disse no texto a hora é agora. Valeu pelos comentários, Dani, e uma ótima quarta pra você, João

  • Dani

    Não sei quantas medalhas teremos em Londres, o governo espera 20 porque investiu mais, o COB espera 15 e mais finais, hoje acho que ganhamos duas, uma no judô outra na natação com o Cielo, seriam 5 em 5 dias, porém penso como você sobre o número de medalhas. Para o atleta é importantíssimo ganhar, mas o objetivo do governo poderia ser outro, não só ganhar mais medalhas, em vez disso massificar os esportes olímpicos, conseguir mais praticantes, usar para inserção social, criar uma política pública. Mais uma vez bom dia da Dani

    • janca

      Tampouco sei com quantas medalhas ficaremos, espero que o governo esteja certo e sejam 20, não 15, mas o número de medalhas neste momento é o que menos me preocupa. A questão da massificação do esporte e das diferentes modalidades e o uso que elas podem ter como instrumento de inserção social considero mais importantes no momento.

      • janca

        E uma notícia bacana. Tiago Camilo no judô acaba de avançar às semifinais. Vitória merecida, mas a luta (dele) continua. E a nossa também.

  • Luiz K.

    Record começou com tudo sábado, ontem achei meio pessimista. Brasil era segundo no quadro, caiu pra décimo quarto. A coisa não tá boa.

    • Luiz K.

      Ana Paula Padrão tentou dizer que as principais medalhas virão depois, acho que vão ser quatro do vôlei de praia semana que vem, mas hoje judô perdeu mais uma no feminino. Tem o Tiago Camilo já já.

      • janca

        Passou pra semifinal o Tiago Camilo. Vamos torcer… Abs.

        • janca

          E gostei muito da entrevista da judoca Maria Portela, eliminada hoje pela manhã ao brilhante narrador do Sportv Sérgio Maurício. Gostei de ver a atleta falando após uma derrota, quando a maioria, claro, prefere falar após as vitórias. O mesmo fez ontem Leandro Guilheiro, outro tremendo atleta que nós temos no judô.

          • Tiago

            Quatro no vôlei de praia não ganha de jeito nenhum. Nem sei se o futebol feminino medalha. Masculino deve ser ouro, vôlei masculino depois do jogo de ontem também acho que pode.

  • Tiago

    Basquete masculino luta pelo bronze, feminino não tem chances.

    • Tiago

      Vôlei feminino luta pelo bronze também.

      • janca

        Ainda é cedo, Tiago, vamos degrau por degrau, passo a passo. Mas no ouro inédito para o futebol masculino estou apostando. Nesse estou apostando, espero que consigamos. Abs.

        • janca

          Ah! E o vôlei masculino tem muito adversário bom, embora ontem tenha feito um baita jogo contra a Rússia. Belíssima vitória. E no handebol feminino sim estamos indo bem pacas. Um esporte para ser observado, as meninas estão mandando muito bem, foram muito bem nos dois primeiros jogos, com ou sem medalha já fizeram história.

  • Precisamos construir um novo modelo educacional. Nossas escolas nao oferecem condições mínimas para que os jovens pratiquem esportes.
    Penso que para isso acontecer precisamos cobrar com mais vigor essas mudanças. Sem investir na educação seguiremos dessa forma. Rasgando dinheiro a custa do pobre contribuinte.

    • janca

      Concordo. Educação e saúde deveriam ser prioridades neste país. Abs.

  • Fernando

    Tiago Camilo ficou no caminho. A coisa não tá aquela beleza. Fut. feminino cai sexta diante do Japão. Quero ver o Cielo. Outro que se deu mal basquete feminino. COB não trabalhou bem este ciclo olímpico. Ginástica uma calamidade. São os esportes de sempre pra variar. Vôlei, vôlei de praia, iatismo, natação. Cadê esgrima, luta olímpica, tiro? O que fizeram nestes quatro anos?

    • janca

      Certamente fizeram bem menos do que poderiam, Fernando. Mas pelo menos o handebol feminino, um exemplo positivo que vou abordar amanhã, conseguiu a terceira vitória seguida. Está terminando a partida contra a Grã-Bretanha, mais um triunfo do nosso time de handebol.

      • janca

        E o Sérgio Sasaki ficou entre os dez primeiros na ginástica, um grande feito. Não temos que ficar atentos apenas aos três primeiros colocados, não.

        • Alexandre

          Janca,
          O Sasaki foi bem, mas a Ginástica, como um todo, decepcionou.
          No feminino foi pior que em 2008, 2004 e até 2000. O Diego falhou de novo.
          Um dos poucos “novos” esportes do País deu a nítida impressão que passou apenas por uma fugaz boa fase na década passada.
          Veremos em 2016…

          • janca

            Talvez você tenha razão, Alexandre, mas o que me preocupa não é a ginástica em particular. É a fortuna gasta em um ciclo olímpico para fazer tão pouco pelas modalidades em geral. Nada de desenvolvimento. São os mesmos esportes, com raras exceções. Judô, iatismo, vôlei de praia… Preocupante para 2016. Mas acho que faltou planejamento e continua faltando. E quando falo de dinheiro é dinheiro público…

          • Alexandre

            É como você disse, sem investir na base nunca vamos mudar de patamar.
            E também falta (muito) investimento privado. Não dá para depender só dos recursos públicos.

          • janca

            Não dá mesmo _pra depender só de recursos públicos. Mas tem muita gente que gosta de viver mamando nas tetas do governo…

  • Vaz

    Brilhante. Parábens.
    Sofri muitas críticas extamente por entender que o governo não é reponsável por atletas e centros Olímpicos e sim pela formação de base (escolas e espaços públicos). A responsabilização do governo pelo “fracasso” dos atletas e do esporte Olímpico foi de tal forma repetido (por atletas, dirigentes e até por formadores de opinião) equívocadamente ou convenientemente por anos, que a população de um modo geral passou a acreditar nisto. Por interesse de quem? Acho que não é importante. Nos preocupamos demais em achar culpados (passado) e terminamos não entendendo porque deu certo ou corrigindo o que deu errado (futuro).
    Independentemente de atingirmos a “meta” de 15 medalhas ao final da Olímpiada, caberia sim uma grande discussão sobre cada resultado (não como cobrança que acho ser um dos grandes erros, gerando injustiças) como forma de entendermos as oportunidades de melhora.
    Já é hora de começarmos a mudar de mentalidade e objetivos. Ir apenas aos jogos Olímpicos “pegar” experiência, não pode ser mais admitido como meta .

    • janca

      Concordo com você quando cita o papel do governo, que é justamente na formação da base. E também sobre termos que discutir e avaliar cada um dos resultados para ver aonde e como podemos melhorar no topo da pirâmide, Vaz. Grande abraço e bom final de tarde de quarta, Janca

  • Marcelo Damato

    Janca, Você está errado num ponto. É papel do COB e confederações atuar na base da pirâmide. Em todos os países, o comitê olímpico e as federações atuam na base da pirâmide. Na França, o comitê olímpico organiza competições desde oníverl infantil. Na Inglaterra a federação de futebol treinou e certificou todos os técnicos de futebol do país, incluindo os que dão aulas em escolas e agora está financiando a reforma de todos os campos de futebol do país.
    CBF e COB tem recursos mais do que suficientes para isso, mas preferem gastá-los dando remunerações estratosféricas a seus dirigentes ou fazendo compras com valores acima da média do mercado.

    • janca

      É, Marcelo, talvez você tenha razão, mas ainda assim acho que cabe ao COB talvez dar alguns pitacos e ajudar na base da pirâmide, se bem que ela só vai ser desenvolvida de verdade com a ação do governo e com uma política pública que não depende do COB. E no caso da CBF penso um pouco diferente, porque ao contrário do COB ela não vive de dinheiro público, mesmo que administre um bem que possa ser considerado público, que é o futebol nacional. E a seleção. A meu ver a CBF deveria cuidar apenas da seleção e deixar a organização dos campeonatos por conta dos clubes. Só que do jeito que eles são desunidos parece um sonho impossível. Enfim, esse assunto vai longe… Abração, Janca

    • janca

      Enfim, como coloquei num comentário posterior para o Paulo Augusto, o governo cuidando da massificação do esporte, da parceria com escolas, universidades, clubes e comunidades pelo país, usando-o como instrumento de inserção social, implementando uma política esportiva, o COB até pode ajudar no processo, mas deveria cuidar do alto rendimento prioritariamente. E receber cada vez menos verbas governamentais, porque hoje pega o dinheiro e o usa em boa parte para manter sua estrutura e burocracia, dinheiro que é meu, seu, nosso.

    • janca

      E como você citou remunerações estratosféricas para executivos e a questão de possíveis compras com valores acima dos praticados pelo mercado não dá. Ainda mais com verba pública. Por isso o COB deveria receber cada vez menos do governo e procurar outras fontes de recursos. Mas masssificar o esporte, a meu ver, é via política pública, governamental, portanto, não via COB, que no máximo pode dar uma mãozinha. Como podem várias ONGs e projetos esportivos que existem por aí, contanto que sejam ONGs sérias e decentes, pois o que vimos de escândalos com algumas delas. E algumas ligadas ao próprio Ministério do Esporte ou financiadas nem que fosse em parte por ele. Abração, Janca

  • Paulo Augusto

    Boa Noite!!
    Concordo com todos os comentários feitos até agora. Vou citar como exemplo a Koreia do Sul, há alguns anos atras, a Koreia não era economicamente um país que se destacava, até que perceberam que se não investissem em educação não seria possível alavancar outras áreas como: esporte, saúde e tecnologia, atualmente à Koreia do Sul, reconhecida como os Tigres asiáticos, ou seja, um dos países com melhor IDH do mundo e um sistema educacional exemplar, investi maciçamente no esporte voltado para formação do cidadão para que este seje um exemplo para o seu país e não só na formação de atletas em sua menor concepção, mas sim como formação do Homem. E este tem que ser o caminho do esporte, mas para isto acontecer no Brasil, precisamos criar uma cultura esportiva e esta responsabilidade recai no papel dos Governos, federal, estadual e municipal, através de políticas públicas consistentes que de fato mude a realidade de um território, começando pela melhoria na formação de professores de educação física, maiores salários para estes profissionais, intercâmbio com outros países de técnicas atualizadas em todas as modalidades esportivas, investimentos em Tecnologia de ponta, desenvolvimento de laboratórios científicos para estudos na área esportiva, investimento em psicologia esportiva, investimento em formação de Técnicos em todas as áreas e principalmente melhoria na área social, ao invés de aumentar o Bolsa família, de educação para essas pessoas aí seremos, a partir disto tudo, uma potência olímpica.

  • Paulo Augusto

    E então… O que você acha Janca?

    • janca

      Eu acho que de fato é papel do governo lutar pela massificação do esporte no país, trabalhar a base, digamos assim, criando uma cultura esportiva, implementando uma política esportiva, o que passa pela educação e por uma união, se é que este possa ser considerado a expressão adequada, com o sistema escolar. Uma parceria com escolas e universidades públicas e privadas e clubes sociais e as próprias comunidades para usar o esporte como instrumento de inserção social. Investimentos em áreas públicas, que pdoem até ser administradas por escolas, universidades, clubes ou pela iniciativa privada, com áreas de lazer, quadras de tênis, atletismo, handebol, piscinas, enfim, núcleos aonde a população possa praticar esporte, enfim. Como colocou o Marcelo num comentário anterior _se bem que penso um pouco diferente dele_ o COB poderia (acho que ele acredita que deveria, eu penso apenas que poderia) participar deste processo, apoiando. Mas a meu ver o COB tem que se preocupar prioritariamente com o alto rendimento, o governo, com a massificação do esporte. E justamente por isso o governo tem de parar de financiar o COB como financia atualmente. Sustenta salários de altos executivos, banca o comitê olímpico que quase não dá resultados para o país e mal cobra o que é investido. Isso que acho que está errado, Paulo. Abs. e bom dia, Janca

  • Vinicius Posterari

    Janca, parabéns novamente. Acho que vemos muito poucos comentários sobre o assunto, pra dizer a verdade.

    A verdade, aliás, é que o esporte no país é uma vergonha, infelizmente tanto quanto ou não muito menos pior que a educação. O país que é o quinto do mundo em população não poderia jamais ter uma participação tão inespressiva nos jogos olímpicos.

    O modelo não é só americano, na realidade os atletas da grande maioria dos países (incluindo as potências China e EUA) são descobertos na escola (exceto, mas não tão exceto assim, os países de histórico comunista). Pra isso acontecer, no entanto, as escolas tem no mínimo de ter estrutura. Não é a toa que qualquer esporte individual no Brasil seja considerado esporte de rico. Afinal, como serão praticados esportes individuais e, consequentemente, descobriremos talentos se as escolas mal tem uma mísera quadra poliesportiva em condições adequadas de uso?

    Pra ser sincero, acho que o esporte não deve mesmo ser a preocupação principal enquanto a escola (leia-se sistema educacional) não é arrumada, mas certamente deve ser incluido no processo, até porque ajuda a amenizar uma série de problemas sociais ao difundir noções de civilidade, convívio social e até postura na vida.

    Obrigado por levantar as bandeiras.

    Tenho trabalhado muito e, com isso, não tenho acompanhado o blog como antes. Mas, caso não tenha falado nada, não seria interessante comentar os motivos do desprezível preparo psicológico dos atletas brasileiros na maioria das modalidades? Muitos hoje têm sim condições de treinamento de primeira linha, são considerados tops de suas modalidades/categorias e, como vimos mais uma vez na ginástica e judô, são incapazes de fazer isso valer na hora de disputar as medalhas. Acredito que tenha inclusive a ver com esse histórico fraco e o contexto geral do esporte no país, além talvez de um excessivo apego à humildade (não me entenda errado: admiro quem é assim na vida, mas pra mim atleta de ponta tem que ser competitivo – o que é diferente de ser arrogante – e atleta brasileiro perde muito tempo se preocupando em não parecer confiante demais, o que atrapalha).

    Grande abraço

    • janca

      Valeu pela sugestão, Vinícius, de abordar a questão do preparo psicológico de alguns atletas _ou da falta de_, tenho me dedicado ao estudo da psicologia esportiva e conversado com alguns profissionais, ainda quero falar com mais um ou outro antes de emitir uma opinião. Ou, na verdade, jogar o tema para discussão, pois não quero ser imediatista nem simplista e não tenho uma opinião formada sobre o assunto. Lembro dos Jogos de 2000, quando estive em Sydney e acompanhei o trabalho de Roberto Shinyashiki, que saiu execrado da Olimpíada pela falta de ouro para a delegação brasileira. Mas ele é um dos reis, como vejo, da autoajuda, que eu questiono muito. Penso em trabalhos diferentes, como o da Regina Brandão, que assessorou o Felipão na Copa de 2002 e é uma ótima profissional, menos personalista e de jogar menos para a plateia e mais para o grupo. Ainda não sei se a questão é de falta de preparo psicológico, acho que o problema nos primeiros dias de competição para o Brasil é maior que isso, embora a questão psicológica seja fundamental para 2016, quando jogaremos em casa e a pressão por medalhas tende a ser maior. Grande abraço, Janca

    • janca

      Enfim, valeu por levantar a bola sobre o preparo psicológico, é sim uma das pautas do dia e desta Olimpíada para o Brasil. Ainda vou tratar melhor da questão. Abs. de novo e boa quinta procê, Janca

      • Alexandre

        De fato alguns atletas demostram ter um preparo psicológico fraco, como, por exemplo o Diego Hipólito, mas não dá para generalizar, pois há caras extremamente focados e frios na delegação brasileira, como o Cielo e o Scheidt. Ganhando ou não, é nítido que eles conseguem fazer o seu melhor em grandes competições.
        Outro que me surpreendeu pela maturidade foi o Leandro Guilheiro, que era cotado para medalha, falhou, mas digeriu a derrota com frieza e serenidade.

        • janca

          Saber digerir a derrota é importantíssimo mesmo.

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