Eleição sob suspeita



O Comitê de Ética da Fifa, que acaba de ser lançado por Joseph Blatter para investigar e julgar recebimento de propina por parte dos brasileiros João Havelange e Ricardo Teixeira, também deverá analisar a escolha da Alemanha como sede da Copa de 2006.

Se a eleição de Rússia, para 2018, e de Qatar, para 2022, já era alvo de suspeita, a da Alemanha voltou a ficar na berlinda após insinuações feitas pelo atual presidente da Fifa, o que revoltou os principais dirigentes esportivos alemães.

A Alemanha derrotara a África do Sul por apenas um voto, 12 a 11, porque o delegado da Oceania, Charles Dempsey, absteve-se de votar na rodada final. Ele votaria para os sul-africanos, empatando o placar e forçando o próprio Blatter a dar o voto de minerva, que seria para a África do Sul.

Até hoje não ficou clara a abstenção de Dempsey, que morreu em 2008, aos 87 anos de idade. Ele chegou a dizer que teria recebido “presentinhos” ou promessas de “presentinhos” dos dois lados e, para evitar possíveis insinuações depois, resolveu não aparecer e não votar em ninguém. Resultado: deu a vitória à Alemanha.

Logo depois Dempsey retirou-se do futebol, após comandar o futebol da Oceania durante 18 anos. Segundo Blatter, era chegada a hora de se afastar e dar oportunidade a novas gerações. O que valia para a Oceania, pelo jeito, não vale para o resto do mundo, nem para a Fifa. Na América do Sul, por exemplo, o presidente da Conmebol, o paraguaio Nicolás Leoz, tem mandato vitalício.

Dempsey dizia que a África do Sul, derrotada em 2006, ficaria com a Copa de 2010, o que de fato aconteceu. Em 2014 seria a vez do Brasil. E de fato foi. Já em 2018 teria recebido a promessa de que a Austrália levaria o Mundial, como representante da Oceania. Nada. 2018 foi para os russos e 2022 para o Qatar, duas eleições marcadas por denúncias de compras de voto e focos de investigações do novo Comitê de Ética da entidade. Que provavelmente será formado apenas para inglês ver. Ou suíço, porque para Blatter só interessa dar uma aparência de moralização na entidade e seguir tudo como está. No máximo atirando aos leões a dupla Teixeira/Havelange e salvando a pele dos demais. Inclusive e principalmente a própria.



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