As contradições do COB



Carlos Arthur Nuzman, o presidente do COB, costumava dizer que não fazia projeções de medalhas antes de qualquer Olimpíada. Desta vez mudou de ideia e o comitê avisou que espera conquistar 15 medalhas em Londres, mesmo número obtido quatro anos atrás em Pequim.

Por que isso? Para, caso o Brasil não melhore o desempenho em relação ao obtido em 2008, o COB e seu presidente não sejam criticados.

E por que seriam? Porque desde os anos 90 Nuzman prometia fazer do Brasil uma potência olímpica. E queria ver o país como tal no máximo na década passada. Nada. Nem agora, com mais de 2 bilhões de reais de dinheiro público no ciclo olímpico, conseguiu.

Não conseguiu porque boa parte da verba pública é usada para custear a própria burocracia do COB, pagando seus executivos e sua estrutura, e não chega à base como poderia. Não conseguiu porque esse país não tem uma política esportiva. Não tem projeto, é uma pirâmide sem sustentação.

Marcus Vinícius Freire, um dos representantes do COB em Londres, diz que aqui não se fabricam medalhas. É verdade. Aqui se gasta dinheiro público sem um projeto esportivo decente. E joga-se a promessa de se criar uma potência olímpica lá para a frente, sempre lá para a frente. Em 2016, talvez, se bem que já há quem diga que só teremos frutos em 2020 ou 2024, quanto mais distante melhor.

Ah! E das 15 medalhas projetadas pelo comitê duas são do futebol, que até recentemente não usava recursos públicos. Estratégia que o COB pouco a pouco também deveria começar a seguir, buscando mais dinheiro na iniciativa privada, ainda mais com os Jogos do Rio à vista. Mas parece mais fácil pegar recursos dos contribuintes. Via Ministério do Esporte, Lei Piva, estatais e renúncia fiscal.



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